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Vértice da parábola

Onde fica o vértice de uma parábola e por quê: eixo de simetria, concavidade, coordenadas −b/(2a) e −Δ/(4a), forma canônica, valor máximo ou mínimo, imagem e interpretação em gráficos e problemas com domínio restrito ou quantidades inteiras.

O gráfico de uma função do segundo grau é uma parábola, e toda parábola tem um ponto de virada: o vértice. Nele a função deixa de diminuir e passa a aumentar, ou o contrário. Por isso o vértice responde às perguntas de máximo e de mínimo: a maior área que um cercado pode ter, a altura máxima de um jato de água, o preço que produz a maior receita.

Este artigo mostra onde fica o vértice e por que ele fica ali, deduz as fórmulas xv=−b2ax_v = -\frac{b}{2a} e yv=−Δ4ay_v = -\frac{\Delta}{4a} e as relaciona com a forma canônica, explica quando o vértice é ponto de máximo e quando é ponto de mínimo e, por fim, mostra como interpretá-lo em gráficos e em problemas, inclusive quando a variável só pode assumir alguns valores.

Vértice, eixo de simetria e concavidade

Uma função do segundo grau, ou função quadrática, é uma função f:R→Rf: \mathbb{R} \to \mathbb{R} da forma

f(x)=ax2+bx+c,a,b,c∈R,a≠0.f(x) = ax^2 + bx + c, \qquad a, b, c \in \mathbb{R}, \quad a \neq 0.

Seu gráfico é uma parábola, e três elementos organizam o estudo do vértice.

  • Concavidade. Depende só do sinal de aa. Se a>0a > 0, a parábola tem concavidade voltada para cima; se a<0a < 0, voltada para baixo. Os coeficientes bb e cc mudam a posição da parábola, mas não o sentido da concavidade. Quanto maior o valor absoluto de aa, mais fechada é a parábola.
  • Eixo de simetria. É a reta vertical que divide a parábola em duas metades espelhadas. Dois pontos da parábola com a mesma ordenada estão à mesma distância do eixo, um de cada lado.
  • Vértice. É o ponto em que a parábola encontra o seu eixo de simetria. Suas coordenadas são indicadas por (xv,yv)(x_v, y_v), e o eixo é a reta de equação x=xvx = x_v. Com concavidade para cima, o vértice é o ponto mais baixo do gráfico; com concavidade para baixo, o mais alto.

A Figura 1 mostra esses elementos na parábola de f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5. As raízes são x=1x = 1 e x=5x = 5, e o gráfico corta o eixo yy em (0,5)(0, 5), porque f(0)=5f(0) = 5. O ponto (6,5)(6, 5) tem a mesma altura que (0,5)(0, 5); os dois estão a 3 unidades do eixo, um de cada lado. As raízes também estão à mesma distância do eixo, 2 unidades. O eixo é a reta x=3x = 3, e o vértice é (3,f(3))=(3,−4)(3, f(3)) = (3, -4).

Parábola de f(x) = x² − 6x + 5 com concavidade para cima, em um plano com x de −1 a 7 e y de −6 a 11. A reta tracejada x = 3 é o eixo de simetria; o vértice (3, −4) é o ponto mais baixo; as raízes x = 1 e x = 5 e os pontos de mesma altura (0, 5) e (6, 5) estão à mesma distância do eixo, um de cada lado.
Figura 1. Parábola de f(x) = x² − 6x + 5; cada unidade vertical ocupa metade do espaço de uma unidade horizontal. O eixo de simetria x = 3 passa no meio das raízes, 1 e 5, e no meio dos pontos de mesma altura (0, 5) e (6, 5); como a > 0, o vértice (3, −4) é o ponto mais baixo e −4 é o valor mínimo. Elaboração própria.

Fórmulas do vértice

A abscissa pela simetria

Para localizar o eixo de simetria, basta encontrar dois pontos da parábola com a mesma ordenada: o eixo passa exatamente no meio deles. Um par desses existe em qualquer função quadrática. O primeiro ponto é o intercepto (0,c)(0, c), porque f(0)=cf(0) = c. O segundo tem abscissa −ba-\frac{b}{a}:

f ⁣(−ba)=a⋅b2a2+b⋅(−ba)+c=b2a−b2a+c=c.\begin{aligned} f\!\left(-\frac{b}{a}\right) &= a \cdot \frac{b^2}{a^2} + b \cdot \left(-\frac{b}{a}\right) + c \\ &= \frac{b^2}{a} - \frac{b^2}{a} + c = c. \end{aligned}

Os pontos (0,c)(0, c) e (−ba,c)\left(-\frac{b}{a}, c\right) estão na mesma altura. O eixo passa no ponto médio das abscissas:

xv=0+(−ba)2=−b2a.x_v = \frac{0 + \left(-\frac{b}{a}\right)}{2} = -\frac{b}{2a}.

Se b=0b = 0, os dois pontos coincidem, e o raciocínio não se aplica diretamente; nesse caso f(−x)=f(x)f(-x) = f(x) para todo xx, o eixo de simetria é o próprio eixo yy, e xv=0x_v = 0, de acordo com a mesma fórmula.

Quando a função tem duas raízes reais x1x_1 e x2x_2, elas também são pontos de mesma ordenada, y=0y = 0. Então

xv=x1+x22,x_v = \frac{x_1 + x_2}{2},

o que concorda com a fórmula anterior, porque a soma das raízes é x1+x2=−bax_1 + x_2 = -\frac{b}{a}. Na Figura 1, xv=1+52=3x_v = \frac{1 + 5}{2} = 3 e também xv=−−62⋅1=3x_v = -\frac{-6}{2 \cdot 1} = 3.

A ordenada do vértice

Conhecido xvx_v, a ordenada é o valor da função nesse ponto: yv=f(xv)y_v = f(x_v). Substituindo xv=−b2ax_v = -\frac{b}{2a} na lei, obtém-se uma expressão geral:

f ⁣(−b2a)=a⋅b24a2−b22a+c=b2−2b2+4ac4a=−b2−4ac4a=−Δ4a,\begin{aligned} f\!\left(-\frac{b}{2a}\right) &= a \cdot \frac{b^2}{4a^2} - \frac{b^2}{2a} + c \\ &= \frac{b^2 - 2b^2 + 4ac}{4a} \\ &= -\frac{b^2 - 4ac}{4a} = -\frac{\Delta}{4a}, \end{aligned}

em que Δ=b2−4ac\Delta = b^2 - 4ac é o discriminante, o mesmo número usado para calcular as raízes.

As duas expressões de yvy_v dão o mesmo número. Calcular f(xv)f(x_v) dispensa decorar a segunda e costuma produzir menos erros de sinal; −Δ4a-\frac{\Delta}{4a} é prática quando Δ\Delta já foi calculado, por exemplo para encontrar as raízes. Na Figura 1, f(3)=9−18+5=−4f(3) = 9 - 18 + 5 = -4 e, pela outra expressão, Δ=36−20=16\Delta = 36 - 20 = 16 e −164=−4-\frac{16}{4} = -4.

Forma canônica

Completando o quadrado, toda função quadrática pode ser reescrita de modo que o vértice apareça na própria lei:

ax2+bx+c=a(x2+bax)+c=a[(x+b2a)2−b24a2]+c=a(x+b2a)2−b2−4ac4a.\begin{aligned} ax^2 + bx + c &= a\left(x^2 + \frac{b}{a}x\right) + c \\ &= a\left[\left(x + \frac{b}{2a}\right)^2 - \frac{b^2}{4a^2}\right] + c \\ &= a\left(x + \frac{b}{2a}\right)^2 - \frac{b^2 - 4ac}{4a}. \end{aligned}

Como −b2a=xv-\frac{b}{2a} = x_v e −b2−4ac4a=yv-\frac{b^2 - 4ac}{4a} = y_v, a lei fica

f(x)=a (x−xv)2+yv.f(x) = a\,(x - x_v)^2 + y_v.

Essa é a forma canônica. Ela mostra o vértice diretamente, mas exige atenção aos sinais: em f(x)=2(x+1)2−3f(x) = 2(x + 1)^2 - 3, o termo x+1x + 1 é o mesmo que x−(−1)x - (-1), e o vértice é (−1,−3)(-1, -3), não (1,−3)(1, -3). A forma canônica também permite escrever a lei quando se conhecem o vértice e mais um ponto do gráfico, como mostra a seção sobre interpretação.

Máximo ou mínimo: o significado do vértice

A forma canônica explica por que o vértice é um extremo. Em f(x)=a(x−xv)2+yvf(x) = a(x - x_v)^2 + y_v, o termo (x−xv)2(x - x_v)^2 nunca é negativo e só vale zero quando x=xvx = x_v.

  • Se a>0a > 0, então a(x−xv)2≥0a(x - x_v)^2 \ge 0, e portanto f(x)≥yvf(x) \ge y_v para todo xx, com igualdade só em x=xvx = x_v. O número yvy_v é o valor mínimo da função, atingido no ponto de mínimo xvx_v.
  • Se a<0a < 0, então a(x−xv)2≤0a(x - x_v)^2 \le 0, e portanto f(x)≤yvf(x) \le y_v. O número yvy_v é o valor máximo, atingido no ponto de máximo xvx_v.

Uma função quadrática definida em todos os números reais tem apenas um desses extremos. Com concavidade para cima, tem mínimo e não tem máximo, porque seus valores crescem sem limite quando xx se afasta de xvx_v; com concavidade para baixo, o contrário.

Imagem e intervalos de crescimento

O vértice também determina o conjunto dos valores que a função assume, a imagem, e os intervalos em que ela cresce ou decresce. Em f(x)=a(x−xv)2+yvf(x) = a(x - x_v)^2 + y_v, o valor da função depende de xx apenas pela distância entre xx e xvx_v. Daí saem duas consequências.

  • Simetria. Para qualquer número dd, f(xv+d)=f(xv−d)f(x_v + d) = f(x_v - d), porque (+d)2=(−d)2(+d)^2 = (-d)^2.
  • Crescimento. Com a>0a > 0, quanto mais longe de xvx_v, maior o valor de ff: a função decresce até xvx_v e cresce depois dele. Com a<0a < 0, ocorre o contrário.
a>0a > 0a<0a < 0
Concavidadevoltada para cimavoltada para baixo
O vértice éponto de mínimoponto de máximo
yvy_v éo valor mínimoo valor máximo
Imagem[yv,+∞)[y_v, +\infty)(−∞,yv](-\infty, y_v]
Para x<xvx < x_vff decresceff cresce
Para x>xvx > x_vff cresceff decresce

Na Figura 1, a=1>0a = 1 > 0: a função decresce até x=3x = 3, cresce depois, tem valor mínimo −4-4 e imagem [−4,+∞)[-4, +\infty).

Interpretação no gráfico e em problemas

Lendo o vértice em um gráfico ou em uma tabela

Quando a função é dada por um gráfico ou por uma tabela, a simetria costuma ser o caminho mais curto até o vértice.

  • Duas raízes conhecidas: xvx_v é a média delas.
  • Dois pontos de mesma altura: xvx_v é a média das abscissas desses pontos.
  • Tabela com valores de xx igualmente espaçados: valores iguais de f(x)f(x) dispostos simetricamente denunciam o eixo.
  • Vértice e mais um ponto conhecidos: a forma canônica fornece aa. Se o vértice é (2,9)(2, 9) e o gráfico passa por (0,5)(0, 5), então 5=a(0−2)2+95 = a(0 - 2)^2 + 9, ou seja, 4a=−44a = -4 e a=−1a = -1. A lei é f(x)=−(x−2)2+9=−x2+4x+5f(x) = -(x - 2)^2 + 9 = -x^2 + 4x + 5.

Raiz, vértice e intercepto

Três pontos notáveis de uma parábola costumam ser confundidos. Cada um responde a uma pergunta diferente.

PontoCondiçãoComo obterEm um gráfico de altura por tempo
Intercepto com o eixo yyx=0x = 0(0,c)(0, c), porque f(0)=cf(0) = caltura no instante inicial
Raízesf(x)=0f(x) = 0resolver ax2+bx+c=0ax^2 + bx + c = 0; existem se Δ≥0\Delta \ge 0instantes em que a altura é zero
Vérticeponto de viradaxv=−b2ax_v = -\frac{b}{2a} e yv=f(xv)y_v = f(x_v)instante e valor da altura máxima

Os três só coincidem em casos particulares. O vértice é uma raiz quando Δ=0\Delta = 0, porque então yv=0y_v = 0 e a parábola apenas toca o eixo xx. O vértice é o intercepto quando b=0b = 0, porque então xv=0x_v = 0.

Domínio restrito e quantidades inteiras

O domínio de uma função quadrática é o conjunto dos números reais, a menos que o contexto imponha restrições. Em problemas, ele quase sempre impõe: medidas e tempos não podem ser negativos, recursos são limitados, e muitas quantidades só podem ser números inteiros. O vértice continua sendo calculado da mesma forma, mas é preciso verificar se ele é admissível.

  1. Vértice dentro do domínio. O extremo procurado é o próprio vértice.
  2. Vértice fora do domínio. Dentro de um intervalo que não contém xvx_v, a função só cresce ou só decresce. Então o extremo do mesmo tipo do vértice, o máximo de uma parábola com concavidade para baixo ou o mínimo de uma com concavidade para cima, fica na extremidade do intervalo mais próxima de xvx_v, desde que essa extremidade pertença ao domínio.
  3. Variável inteira. Se xvx_v não é inteiro, o melhor valor admissível é o inteiro mais próximo de xvx_v, porque o valor da função depende apenas da distância a xvx_v. Se xvx_v estiver exatamente no meio de dois inteiros, os dois dão o mesmo valor. Em qualquer caso, calcule ff nos inteiros candidatos: arredondar xvx_v não autoriza usar o valor yvy_v, que não é atingido.

Exemplos resolvidos

A Figura 2 contém os dados do exemplo intermediário.

Gráfico da altura h, em metros, de um jato de água em função da distância horizontal x, em metros, a partir do bocal. A curva sai do bocal em (0; 0,8), sobe, desce, passa por (3; 0,8) e toca o chão em (4; 0). O ponto mais alto não está marcado.
Figura 2. Dados do exemplo intermediário: três pontos do perfil de um jato de água (valores hipotéticos), com a escala vertical mais ampliada que a horizontal. O ponto mais alto não está marcado; ele é determinado no exemplo. Elaboração própria.
Gráfico da área A(x) = x(36 − 2x), em metros quadrados, para x de 0 a 18 metros. A parábola completa aparece tracejada, com vértice (9; 162) sobre o eixo x = 9. Uma faixa verde marca o domínio 11 ≤ x < 18 imposto pelo muro de 14 m; nela a curva só desce, e o maior valor é o ponto (11; 154).
Figura 3. Área do canteiro, A(x) = x(36 − 2x). Sem restrição, o máximo seria o vértice (9; 162). Com o muro de 14 m, o domínio passa a 11 ≤ x < 18 (faixa verde), o vértice fica de fora, a função só decresce nesse intervalo e a maior área é A(11) = 154 m². Elaboração própria.

Distinções importantes

Ponto de máximo e valor máximo. O ponto de máximo é xvx_v, o valor da variável em que o máximo acontece; o valor máximo é yvy_v. No jato de água, 1,5 m é a distância horizontal em que o jato é mais alto, e 1,25 m é a altura máxima. Responder um no lugar do outro é o erro mais comum nesses problemas.

Vértice e eixo de simetria. O vértice é um ponto, (xv,yv)(x_v, y_v). O eixo de simetria é uma reta vertical, de equação x=xvx = x_v. A equação y=yvy = y_v descreve uma reta horizontal que só toca a parábola no vértice; ela não é eixo de simetria.

Concavidade e posição do vértice. O sinal de aa indica se o vértice é o ponto mais baixo ou o mais alto, e não se ele está acima ou abaixo do eixo xx. A parábola de f(x)=x2−6x+5f(x) = x^2 - 6x + 5 tem a>0a > 0 e vértice abaixo do eixo, em (3,−4)(3, -4); a de f(x)=x2+2x+5f(x) = x^2 + 2x + 5 também tem a>0a > 0, mas vértice acima do eixo, em (−1,4)(-1, 4).

Raiz e vértice. As raízes são os pontos em que o gráfico encontra o eixo xx; o vértice é o ponto de virada. Eles só coincidem quando Δ=0\Delta = 0. Uma parábola pode não ter raízes, mas sempre tem vértice.

Sinal de xvx_v e sinal de bb. Em xv=−b2ax_v = -\frac{b}{2a}, o sinal de xvx_v depende de aa e de bb juntos. Com a<0a < 0 e b>0b > 0, por exemplo, xvx_v é positivo, como em −x2+4x+5-x^2 + 4x + 5, cujo vértice está em x=2x = 2.

Ótimo da função e ótimo do problema. O vértice dá o extremo da função em todos os reais. Se o domínio do problema é restrito ou só admite inteiros, o extremo do problema pode estar em uma extremidade do domínio ou em um inteiro vizinho de xvx_v, e o valor yvy_v pode não ser atingido.

Perguntas frequentes

Por que o vértice fica em x = −b/(2a), e não em x = −b/a?

Porque −ba-\frac{b}{a} é a abscissa do ponto que tem a mesma altura do intercepto (0,c)(0, c), e o eixo de simetria passa no meio desses dois pontos. Também é a soma das raízes, quando elas existem. O vértice fica na metade do caminho: −b2a-\frac{b}{2a}.

Preciso decorar a fórmula da ordenada com o discriminante?

Não é necessário decorar yv=−Δ4ay_v = -\frac{\Delta}{4a}. Depois de calcular xvx_v, basta substituir na lei: yv=f(xv)y_v = f(x_v). As duas formas dão o mesmo número, porque −Δ4a-\frac{\Delta}{4a} é exatamente o resultado dessa substituição feita com letras. A fórmula com Δ\Delta é útil quando o discriminante já foi calculado.

Uma parábola sem raízes reais tem vértice?

Tem. A fórmula xv=−b2ax_v = -\frac{b}{2a} não depende das raízes. Em f(x)=x2+2x+5f(x) = x^2 + 2x + 5, com Δ=4−20=−16<0\Delta = 4 - 20 = -16 < 0, não há raízes reais, e o vértice é (−1,f(−1))=(−1,4)(-1, f(-1)) = (-1, 4). Como a>0a > 0, a parábola fica inteira acima do eixo xx, e 4 é o valor mínimo.

O vértice pode estar sobre o eixo x?

Pode, quando Δ=0\Delta = 0. Nesse caso yv=−Δ4a=0y_v = -\frac{\Delta}{4a} = 0, a função tem uma única raiz, x=xvx = x_v, e a parábola apenas toca o eixo xx no vértice. É o caso de f(x)=(x−3)2f(x) = (x - 3)^2, cujo vértice é (3,0)(3, 0).

Como saber se a pergunta pede a abscissa ou a ordenada do vértice?

Pela grandeza pedida. Perguntas como “em que instante”, “qual preço”, “quantas unidades” ou “qual medida” pedem o ponto de extremo, xvx_v, ou o valor escolhido para a variável. Perguntas como “qual a altura máxima”, “qual a maior receita” ou “qual o menor custo” pedem o valor extremo, yvy_v. A unidade ajuda a conferir: se a resposta deve estar em metros quadrados e xx é medido em metros, a resposta é um valor da função.

A parábola do gráfico é o caminho percorrido pelo objeto?

Nem sempre. Se uma bola é lançada verticalmente para cima, ela sobe e desce ao longo de uma mesma reta vertical, mas o gráfico da altura em função do tempo é uma parábola, porque, no modelo usual, que despreza a resistência do ar, a altura é uma função quadrática do tempo. O vértice desse gráfico indica o instante e o valor da altura máxima, e não um ponto de uma trajetória curva. O gráfico coincide com o desenho do caminho apenas quando os eixos representam posições, altura em função da distância horizontal, como no jato de água do exemplo intermediário.

Exercícios

Tente resolver antes de conferir a resposta.

Exercício 1

Autoral

Considere a função f(x)=3(x+2)2−12f(x) = 3(x + 2)^2 - 12, definida para todo número real. Qual afirmação é correta?

  1. A

    O vértice da parábola é o ponto (2,−12)(2, -12).

  2. B

    O valor máximo da função é −12-12.

  3. C

    O valor mínimo da função é −12-12, atingido em x=−2x = -2.

  4. D

    O eixo de simetria da parábola é a reta y=−12y = -12.

  5. E

    O gráfico corta o eixo yy no ponto (0,−12)(0, -12).

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Resposta

Alternativa C. O valor mínimo é −12-12, e ele ocorre em x=−2x = -2.

Resolução

A lei está na forma canônica f(x)=a(x−xv)2+yvf(x) = a(x - x_v)^2 + y_v. Como x+2=x−(−2)x + 2 = x - (-2), temos xv=−2x_v = -2 e yv=−12y_v = -12: o vértice é (−2,−12)(-2, -12). O coeficiente a=3a = 3 é positivo, então a concavidade é voltada para cima, e o vértice é o ponto mais baixo do gráfico. De fato, 3(x+2)2≥03(x + 2)^2 \ge 0 para todo xx, com igualdade só em x=−2x = -2; logo f(x)≥−12f(x) \ge -12, e o valor mínimo −12-12 é atingido em x=−2x = -2.

Por que as outras estão erradas.

  • A troca o sinal da abscissa: o termo (x+2)(x + 2) corresponde a xv=−2x_v = -2, e não a 22.
  • B ignora a concavidade: com a>0a > 0, a função não tem valor máximo, porque cresce sem limite quando xx se afasta de −2-2.
  • D confunde o eixo de simetria, que é a reta vertical x=−2x = -2, com a ordenada do vértice.
  • E confunde o intercepto com o vértice. O intercepto com o eixo yy é (0,f(0))(0, f(0)), e f(0)=3⋅22−12=0f(0) = 3 \cdot 2^2 - 12 = 0: o gráfico passa pela origem. As raízes são x=0x = 0 e x=−4x = -4, simétricas em relação a x=−2x = -2.

Exercício 2

Autoral

A tabela mostra alguns valores de uma função do segundo grau ff.

xx12345
f(x)f(x)72−1−2−1

(a) Determine o eixo de simetria e o vértice da parábola. (b) Escreva a lei de ff na forma canônica e na forma ax2+bx+cax^2 + bx + c. (c) A função tem valor máximo ou mínimo? Qual é esse valor e qual é a imagem de ff? (d) Sem substituir na lei, determine f(7)f(7).

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Resposta

(a) Eixo x=4x = 4; vértice (4,−2)(4, -2). (b) f(x)=(x−4)2−2=x2−8x+14f(x) = (x - 4)^2 - 2 = x^2 - 8x + 14. (c) Valor mínimo −2-2, em x=4x = 4; imagem [−2,+∞)[-2, +\infty). (d) f(7)=7f(7) = 7.

Resolução

(a) Os pontos (3,−1)(3, -1) e (5,−1)(5, -1) têm a mesma ordenada. Em uma parábola, pontos de mesma altura são simétricos em relação ao eixo, então o eixo passa no meio deles: xv=3+52=4x_v = \dfrac{3 + 5}{2} = 4. O vértice é o ponto do gráfico sobre o eixo, (4,f(4))=(4,−2)(4, f(4)) = (4, -2). Com o eixo em x=4x = 4, cada ponto tem um par simétrico à mesma altura, como f(2)=f(6)f(2) = f(6) e f(1)=f(7)f(1) = f(7); o item (d) usa essa ideia.

(b) Na forma canônica, f(x)=a(x−4)2−2f(x) = a(x - 4)^2 - 2. Para achar aa, usa-se outro ponto da tabela, por exemplo (2,2)(2, 2): 2=a(2−4)2−2=4a−22 = a(2 - 4)^2 - 2 = 4a - 2, logo a=1a = 1. Então f(x)=(x−4)2−2f(x) = (x - 4)^2 - 2. Expandindo, f(x)=x2−8x+16−2=x2−8x+14f(x) = x^2 - 8x + 16 - 2 = x^2 - 8x + 14. Conferência com o ponto (1,7)(1, 7): 1−8+14=71 - 8 + 14 = 7.

(c) Como a=1>0a = 1 > 0, a concavidade é voltada para cima e o vértice é ponto de mínimo. O valor mínimo é yv=−2y_v = -2, atingido em x=4x = 4, e a imagem é o conjunto dos valores maiores ou iguais a −2-2, isto é, [−2,+∞)[-2, +\infty). Pelas fórmulas, xv=−−82⋅1=4x_v = -\dfrac{-8}{2 \cdot 1} = 4 e Δ=64−56=8\Delta = 64 - 56 = 8, de modo que yv=−84=−2y_v = -\dfrac{8}{4} = -2, como antes.

(d) O ponto x=7x = 7 está 3 unidades à direita do eixo; o simétrico dele, 3 unidades à esquerda, é x=1x = 1. Pela simetria, f(7)=f(1)=7f(7) = f(1) = 7. Conferência pela lei: (7−4)2−2=9−2=7(7 - 4)^2 - 2 = 9 - 2 = 7.

Exercício 3

Autoral

Uma confeitaria vende, por semana, 90 potes de doce a R$ 12,00 cada. Uma pesquisa com os clientes indica que cada redução de R$ 0,50 no preço aumentaria as vendas em 10 potes por semana. O preço só pode ser reduzido em passos inteiros de R$ 0,50. (a) Escreva a receita semanal RR, em reais, em função do número nn de reduções. (b) Calcule o vértice da parábola e explique por que ele não responde diretamente ao problema. (c) Qual preço, ou quais preços, dão a maior receita possível, e qual é essa receita?

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Resposta

(a) R(n)=(12−0,5n)(90+10n)=−5n2+75n+1.080R(n) = (12 - 0{,}5n)(90 + 10n) = -5n^2 + 75n + 1.080, com nn inteiro e 0≤n<240 \le n < 24. (b) Vértice (7,5; 1.361,25)(7{,}5;\ 1.361{,}25); n=7,5n = 7{,}5 não é um número inteiro de reduções. (c) R$ 8,50 (7 reduções, 160 potes) ou R$ 8,00 (8 reduções, 170 potes), com receita de R$ 1.360,00 nos dois casos.

Resolução

(a) Com nn reduções, o preço é 12−0,5n12 - 0{,}5n reais e são vendidos 90+10n90 + 10n potes. A receita é preço vezes quantidade:

R(n)=(12−0,5n)(90+10n)=1.080+120n−45n−5n2=−5n2+75n+1.080.\begin{aligned} R(n) &= (12 - 0{,}5n)(90 + 10n) \\ &= 1.080 + 120n - 45n - 5n^2 \\ &= -5n^2 + 75n + 1.080. \end{aligned}

O número de reduções é inteiro, n≥0n \ge 0, e o preço precisa continuar positivo: 12−0,5n>012 - 0{,}5n > 0, isto é, n<24n < 24.

(b) Como a=−5<0a = -5 < 0, a parábola tem concavidade para baixo e o vértice é ponto de máximo. nv=−752⋅(−5)=7,5n_v = -\dfrac{75}{2 \cdot (-5)} = 7{,}5 e R(7,5)=(12−3,75)(90+75)=8,25⋅165=1.361,25R(7{,}5) = (12 - 3{,}75)(90 + 75) = 8{,}25 \cdot 165 = 1.361{,}25. Mas 7,5 reduções significariam um preço de R$ 8,25, que não é permitido: o preço só muda em passos de R$ 0,50. O vértice indica o máximo da função definida em todos os reais, não o máximo do problema.

(c) Na forma canônica, R(n)=−5(n−7,5)2+1.361,25R(n) = -5(n - 7{,}5)^2 + 1.361{,}25: quanto mais perto nn estiver de 7,5, maior a receita. Os inteiros mais próximos são 7 e 8, os dois a 0,5 de distância, e por isso dão a mesma receita: R(7)=8,50⋅160=1.360R(7) = 8{,}50 \cdot 160 = 1.360 e R(8)=8,00⋅170=1.360R(8) = 8{,}00 \cdot 170 = 1.360. Qualquer outro inteiro fica mais longe de 7,5 e dá receita menor; por exemplo, R(6)=R(9)=1.350R(6) = R(9) = 1.350.

A receita máxima possível é R$ 1.360,00, obtida com o preço de R$ 8,50 (160 potes) ou de R$ 8,00 (170 potes). Se houver custo por pote, a confeitaria pode preferir vender menos potes pelo mesmo faturamento, mas essa comparação já envolve o lucro, e não apenas a receita.

Referências

  1. Portal da Matemática OBMEP/IMPA — Material Teórico, Módulo Função Quadrática: Definições, Máximos e Mínimos

    BENEVIDES, Fabrício Siqueira (autor); CAMINHA M. NETO, Antonio (revisor). Material Teórico — Módulo Função Quadrática, Primeiro Ano do Ensino Médio: Função Quadrática: Definições, Máximos e Mínimos. Portal da Matemática OBMEP/IMPA. Seções Função quadrática, Forma canônica e Máximos e mínimos (Exemplos 1 a 4), p. 1–3. PDF ligado ao módulo https://portaldaobmep.impa.br/index.php/modulo/ver?modulo=61.

  2. Portal da Matemática OBMEP/IMPA — Material Teórico, Módulo Função Quadrática: Gráfico da Função Quadrática e Inequações de Segundo Grau

    BENEVIDES, Fabrício Siqueira (autor); CAMINHA M. NETO, Antonio (revisor). Material Teórico — Módulo Função Quadrática, Primeiro Ano do Ensino Médio: Gráfico da função quadrática e inequações de segundo grau. Portal da Matemática OBMEP/IMPA. Seção 1 (A parábola; o gráfico de uma função quadrática é uma parábola), seção 2 (Concavidade; Abertura) e seção 3 (Esboço do gráfico; Alternativa pela forma canônica), p. 1–5.

  3. Portal da Matemática OBMEP/IMPA — Material Teórico, Módulo Função Quadrática: Exercícios

    BENEVIDES, Fabrício Siqueira (autor); CAMINHA M. NETO, Antonio (revisor). Material Teórico — Módulo Função Quadrática, Primeiro Ano do Ensino Médio: Função Quadrática: Exercícios. Portal da Matemática OBMEP/IMPA. Solução do exercício sobre máximo e mínimo com domínio ℝ e Dicas para o Professor, p. 4–5.

  4. OpenStax College Algebra 2e — 5.1 Quadratic Functions

    ABRAMSON, Jay. College Algebra 2e. Houston: OpenStax, 2021. Capítulo 5, seção 5.1, subtítulos Recognizing Characteristics of Parabolas, Understanding How the Graphs of Parabolas are Related to Their Quadratic Functions, Finding the Domain and Range of a Quadratic Function, Determining the Maximum and Minimum Values of Quadratic Functions e Finding the x- and y-Intercepts of a Quadratic Function (Example 9).