Fotossíntese é o processo em que plantas, algas e cianobactérias usam a energia da luz para fabricar açúcares a partir de gás carbônico () e água, liberando gás oxigênio (). Ela é a principal porta de entrada de energia e de carbono nos ecossistemas: o açúcar produzido abastece o próprio organismo fotossintetizante e, por meio das cadeias alimentares, quase todos os outros seres vivos.
O artigo acompanha o processo pelo cloroplasto: primeiro a fase fotoquímica, que transforma energia luminosa em ATP e NADPH e quebra a água; depois o ciclo de Calvin, que usa esses produtos para fixar o carbono. Com esse mecanismo em mãos, fica possível responder de onde vem o oxigênio liberado, para onde vai o carbono, por que luz, e temperatura limitam a velocidade do processo e o que significa o ponto de compensação entre fotossíntese e respiração.
Visão geral: da luz ao açúcar
A equação resumida mais comum é:
As duas equações têm o mesmo saldo: cancelando 6 moléculas de água dos dois lados da segunda, obtém-se a primeira. A segunda, porém, é a que permite rastrear os átomos, como se verá adiante. Nenhuma delas é o mecanismo: a glicose não é montada de uma vez, e o não sai do .
O cloroplasto e a folha
Nas plantas, a fotossíntese ocorre principalmente nas células do mesofilo, o tecido intermediário da folha. O entra e o sai por pequenas aberturas reguláveis da epiderme, os estômatos.
Dentro dessas células, o processo acontece nos cloroplastos. Cada cloroplasto é envolvido por duas membranas e contém, mergulhados em um líquido chamado estroma, sacos achatados chamados tilacoides. As pilhas de tilacoides são os grana (singular: granum), e o espaço interno de cada tilacoide é o lúmen. A clorofila fica na membrana dos tilacoides.
Esses endereços dividem o trabalho em duas fases:
| Fase fotoquímica (reações dependentes de luz) | Ciclo de Calvin (reações independentes de luz) | |
|---|---|---|
| Onde ocorre | Membrana dos tilacoides (e lúmen) | Estroma |
| Depende de | Luz, água, , , | , ATP, NADPH |
| Produz | ATP, NADPH e | Açúcar (G3P), ADP, e reciclados |
| Papel | Converte energia luminosa em energia química e quebra a água | Fixa o carbono do em moléculas orgânicas |
As duas fases dependem uma da outra: a fase fotoquímica fornece ATP e NADPH ao ciclo de Calvin, e o ciclo devolve ADP, fosfato e , que voltam a ser carregados nos tilacoides. Se uma para, a outra também para em pouco tempo.
De onde vem o oxigênio e para onde vai o carbono
Pela equação resumida, parece possível que o liberado venha do . Não vem. Experimentos com o isótopo pesado de oxigênio, , a partir de Ruben e colaboradores, em 1941, mostraram que o oxigênio liberado tem a marcação da água fornecida à planta; hoje se aceita amplamente que a água é o substrato direto da produção fotossintética de .
Em resumo: o vem da água, e o carbono do açúcar vem do . É por isso que a equação com 12 moléculas de água é a mais útil para responder a questões de rastreamento.
Fase clara: fotoquímica, fotólise e fotossistemas
A fase clara, ou fotoquímica, reúne as reações que dependem diretamente da luz. Ela ocorre na membrana dos tilacoides.
Pigmentos e fotossistemas
A luz é absorvida por pigmentos. As clorofilas a e b absorvem principalmente a luz azul e a vermelha e refletem a verde, o que explica a cor das folhas. Os carotenoides absorvem outras faixas e ajudam a dissipar o excesso de energia como calor, protegendo o aparelho fotossintético.
Os pigmentos estão organizados em fotossistemas, complexos de proteínas e pigmentos presos à membrana do tilacoide. Cada fotossistema tem um conjunto de pigmentos-antena, que captam a luz e repassam a energia, e um centro de reação, onde um par especial de clorofilas a perde um elétron excitado. Há dois tipos, nomeados pela ordem de descoberta, não pela ordem de funcionamento:
- fotossistema II, cujo centro de reação é chamado P680;
- fotossistema I, cujo centro de reação é chamado P700.
Do fotossistema II ao NADPH
A fotólise pode ser escrita assim:
Gradiente de prótons e ATP
Os prótons liberados pela fotólise e os bombeados pela cadeia se acumulam no lúmen. Como a membrana do tilacoide é pouco permeável a eles, o único caminho de volta ao estroma é a ATP sintase, e esse fluxo move a síntese de ATP a partir de ADP e . É o mesmo princípio da mitocôndria, a quimiosmose, com uma diferença de endereço: no cloroplasto, os prótons se acumulam dentro do tilacoide e o ATP é formado no estroma, justamente onde o ciclo de Calvin vai usá-lo.
| Cloroplasto (fase fotoquímica) | Mitocôndria (cadeia respiratória) | |
|---|---|---|
| Fonte da energia | Luz | Oxidação de moléculas orgânicas |
| Doador de elétrons | Água, que libera | NADH e |
| Aceptor final de elétrons | , que forma NADPH | , que forma água |
| Onde os prótons se acumulam | Lúmen do tilacoide | Espaço intermembranas |
| Onde se forma o ATP | Estroma | Matriz |
A comparação mostra que os dois processos são quase espelhados: a fotossíntese usa luz para tirar elétrons da água e liberar ; a respiração entrega elétrons ao e forma água.
Fase escura: o ciclo de Calvin
O ciclo de Calvin ocorre no estroma. Ele não usa luz diretamente, mas consome ATP e NADPH produzidos pela fase fotoquímica. Sua tarefa é a fixação do carbono: incorporar o carbono do , uma molécula inorgânica, em açúcares.
O balanço fica claro contando por 3 moléculas de :
O G3P que sai do ciclo pode ser convertido em glicose, sacarose e outros açúcares. Com a adição de nitrogênio, fósforo e outros elementos absorvidos do ambiente, a planta usa esses açúcares para fabricar as demais moléculas orgânicas de que precisa. O carbono que estava no ar passa a fazer parte do corpo da planta.
Uma conta liga as duas fases. Formar 12 NADPH exige 24 elétrons; como cada molécula de água fornece 2, é preciso quebrar 12 moléculas de água, o que libera . É exatamente o que mostra a equação com .
Fatores que influenciam a fotossíntese
A velocidade da fotossíntese pode ser medida pelo absorvido, pelo liberado ou pelo açúcar acumulado em um intervalo de tempo. Ela depende de condições do ambiente, e três se destacam: intensidade luminosa, concentração de e temperatura.
Um experimento clássico de Frederick Blackman, em 1905, mostrou esse comportamento. Com luz fraca, aumentar a temperatura quase não alterava a velocidade da fotossíntese; com luz forte, a temperatura passava a ter efeito importante. A interpretação foi que o processo tem uma etapa que depende da luz e outra, enzimática, que depende da temperatura, uma das pistas históricas de que a fotossíntese tem duas fases.
Intensidade luminosa
No escuro, não há fotossíntese, e a planta apenas respira. À medida que a luz aumenta, a fase fotoquímica produz mais ATP e NADPH, e a fotossíntese acelera, quase em proporção direta com a luz em intensidades baixas. Em luz forte, a curva se achata: a planta atinge a saturação luminosa, e mais luz não aumenta a taxa, porque outra etapa, como a fixação do , passou a limitar. Luz excessiva, especialmente combinada com calor, pode até reduzir a eficiência (fotoinibição).
Concentração de CO₂
O é o substrato da rubisco. Em luz forte, aumentar a concentração de costuma acelerar a fotossíntese, até que outro fator limite. A rubisco também tem uma fraqueza: ela pode ligar à RuBP em vez de . Essa reação, a fotorrespiração, consome , libera e desfaz parte do trabalho de fixação. Concentração alta de e baixa de favorece a fixação; o contrário favorece a fotorrespiração.
A entrada de depende dos estômatos abertos. Em tempo quente e seco, a planta tende a fechá-los para perder menos água; com isso, o interno cai, o produzido se acumula e a fotossíntese diminui. Por esse caminho, a disponibilidade de água também afeta a fotossíntese.
O gráfico, com dados hipotéticos, resume os dois fatores. Em luz fraca, as duas curvas praticamente coincidem: a luz limita, e mais ajuda pouco. No modelo simplificado do gráfico, não ajuda nada; em plantas C₃ reais, o elevado também reduz a fotorrespiração e eleva um pouco a curva mesmo em luz fraca. Em luz forte, a curva com normal se estabiliza perto de 10, enquanto a curva com elevado sobe até perto de 17: ali, o fator limitante é o , e não a luz.
Temperatura
As reações do ciclo de Calvin são catalisadas por enzimas, e a velocidade delas depende da temperatura. Em geral, a taxa aumenta com o aquecimento até uma temperatura ótima, que varia entre espécies, e cai acima dela, quando as enzimas perdem eficiência. O calor também favorece a fotorrespiração: em luz intensa e temperaturas acima de cerca de 30 °C, a rubisco liga com mais frequência. E, como mostrou Blackman, o efeito da temperatura só aparece bem quando a luz não é o fator limitante.
| Fator | Efeito quando aumenta | Limite do efeito |
|---|---|---|
| Intensidade luminosa | Acelera a fase fotoquímica e, por consequência, a fotossíntese | Saturação luminosa; luz excessiva pode causar fotoinibição |
| Concentração de | Acelera a fixação pela rubisco e reduz a fotorrespiração | Outro fator passa a limitar, como a luz |
| Temperatura | Acelera as reações enzimáticas até o ótimo | Acima do ótimo, as enzimas perdem eficiência e a fotorrespiração aumenta |
Fotossíntese e respiração: ponto de compensação
As plantas também respiram. Suas células têm mitocôndrias e fazem respiração celular o tempo todo, de dia e de noite, consumindo e açúcar e liberando . Durante o dia, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, e o que se mede nas trocas gasosas de uma folha é o saldo entre elas.
Em escala de ecossistema, a mesma lógica aparece como produtividade primária bruta e líquida: a líquida é a energia que resta nos produtores depois da respiração deles e fica disponível para os consumidores.
No gráfico anterior, o ponto de compensação luminoso fica perto de 40 unidades de luz, onde as curvas cruzam o zero. Abaixo dele, a planta perde mais do que absorve; acima, tem saldo positivo de açúcar.
Ao longo de um dia, a luz varia, e a planta passa duas vezes pelo ponto de compensação.
O gráfico usa hipóteses que é preciso tornar explícitas: a respiração foi considerada constante ao longo do dia, a temperatura não variou e a fotossíntese acompanhou só a luz. Com essas hipóteses:
- antes das 6 h e depois das 18 h, não há fotossíntese: a planta só respira e perde matéria orgânica;
- entre 6 h e cerca de 6h50, e entre cerca de 17h10 e 18 h, já há fotossíntese, mas ela ainda é menor que a respiração: o saldo continua negativo;
- nos dois pontos de compensação, fotossíntese bruta e respiração se igualam;
- entre eles, a fotossíntese supera a respiração, e a área sombreada representa o ganho líquido do dia.
A planta só cresce se o ganho do período iluminado superar as perdas das 24 horas. Uma planta mantida, durante todo o período iluminado, exatamente no ponto de compensação não perde nem ganha durante a luz, mas perde à noite, e ao longo dos dias consome suas reservas.
O valor do ponto de compensação não é fixo. Uma respiração mais alta exige mais luz para ser compensada e eleva o ponto de compensação; uma respiração mais baixa o reduz. Plantas com ponto de compensação baixo conseguem saldo positivo com pouca luz, o que é uma vantagem em ambientes sombreados e nas horas de luz fraca. Esse raciocínio está por trás da distinção entre plantas umbrófilas (de sombra), que tendem a ter ponto de compensação mais baixo, e heliófilas (de sol), que precisam de mais luz para compensar a respiração.
Exemplos resolvidos
Distinções importantes
Fotossíntese e respiração celular. Não são processos alternativos, em que a planta faria um de dia e outro à noite. A respiração ocorre sempre; a fotossíntese, só com luz. Durante o dia, as duas coexistem, e as trocas gasosas mostram o saldo.
Fase clara e fase escura. A diferença não é o horário, mas a dependência direta de luz. A fase escura acontece de dia, porque depende do ATP e do NADPH da fase clara, e para logo depois que a luz acaba.
Origem do O₂ e destino do CO₂. O liberado vem da água, quebrada nos tilacoides. O carbono do vai para o açúcar, fixado no estroma. Os oxigênios do terminam no açúcar e na água formada.
Fotossíntese bruta e líquida. A bruta é tudo o que a planta fixa; a líquida é o que sobra depois da respiração. Uma medida de trocas gasosas em luz dá a líquida; a bruta exige somar a respiração, medida no escuro.
Ponto de compensação e ponto de saturação. No ponto de compensação, a fotossíntese líquida é zero; no de saturação, mais luz já não aumenta a fotossíntese. O primeiro fica em luz fraca, e o segundo, em luz forte.
Fotólise e fotorrespiração. Fotólise é a quebra da água pela luz, que libera na fase clara. Fotorrespiração é a reação da rubisco com , que consome e libera , reduzindo a fixação.
Perguntas frequentes
Por que as folhas são verdes?
Porque as clorofilas absorvem principalmente a luz azul e a vermelha e refletem a verde. A luz verde que chega aos nossos olhos é justamente a parte menos aproveitada pela fotossíntese. Em experimentos clássicos com algas iluminadas por um espectro de cores, a liberação de oxigênio foi maior nas faixas azul e vermelha.
Uma planta no quarto "rouba" oxigênio durante a noite?
À noite, sem luz, a planta só respira: consome e libera , como os animais. A quantidade depende do tamanho da planta e das condições, mas o sentido da troca não muda: no escuro, o saldo de trocas gasosas de uma planta é de consumo de oxigênio e liberação de gás carbônico.
O que são plantas C₄ e CAM?
São plantas com mecanismos que reduzem a fotorrespiração. Plantas C₄, como o milho, a cana-de-açúcar e o sorgo, capturam o primeiro em uma molécula de 4 carbonos e o concentram em células onde a rubisco trabalha; separam as etapas no espaço. Plantas CAM, como cactos, abacaxi e bromélias epífitas, abrem os estômatos à noite, guardam o em ácidos orgânicos e o liberam para o ciclo de Calvin durante o dia, com os estômatos fechados; separam as etapas no tempo e economizam água.
Se o ciclo de Calvin produz G3P, por que a equação fala em glicose?
A glicose é uma forma conveniente de somar o balanço: duas moléculas de G3P de saída correspondem a uma glicose. Na célula, o G3P pode formar glicose, sacarose, que é transportada para outras partes da planta, e outros açúcares, que servem de matéria-prima para as demais moléculas orgânicas.
Aumentar a luz sempre aumenta a fotossíntese?
Não. Em luz fraca, sim, porque a luz é o fator limitante. Acima do ponto de saturação, mais luz não acelera o processo, porque o ou a temperatura passam a limitar. Luz excessiva, sobretudo com calor, pode até reduzir a eficiência da fotossíntese.
Por que a fotossíntese e a respiração parecem equações invertidas?
Porque, no saldo, uma desfaz o que a outra faz: a fotossíntese usa e água para formar açúcar e ; a respiração usa açúcar e para formar e água. Os mecanismos, porém, são diferentes: ocorrem em organelas diferentes, com enzimas e transportadores diferentes, e a energia vem da luz em uma e da oxidação do açúcar na outra.
Exercícios
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Exercício 1
AutoralEm uma célula do mesofilo de uma folha iluminada, qual afirmação sobre o local e a origem dos produtos da fotossíntese está correta?
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Resposta
Alternativa D. Os prótons acumulados no lúmen voltam ao estroma pela ATP sintase, que forma ATP no lado do estroma, onde o ciclo de Calvin o consome.
Resolução
Na fase fotoquímica, a fotólise da água e o transporte de elétrons acumulam prótons no lúmen do tilacoide. O único caminho de volta ao estroma é a ATP sintase, que usa esse fluxo para formar ATP a partir de ADP e fosfato. O ATP fica no estroma, onde o ciclo de Calvin o usa na redução do 3-PGA e na regeneração da RuBP.
- A está errada: o vem da água, quebrada nos tilacoides. O carbono do vai para o açúcar, e seus oxigênios, para o açúcar e para a água formada.
- B está errada: a fotólise ocorre no fotossistema II, na membrana do tilacoide, e seus elétrons seguem para a cadeia de transporte até o , não para a rubisco.
- C está errada: a rubisco e todo o ciclo de Calvin ficam no estroma.
- E inverte os papéis: o NADPH é produzido na fase fotoquímica e consumido no ciclo de Calvin.
Exercício 2
AutoralUma alga foi mantida sob luz forte, com abundante, e de repente foi transferida para o escuro, sem mudar a temperatura nem o disponível. O que se espera nos minutos seguintes?
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Resposta
Alternativa B. Sem luz, a fase fotoquímica para; o estoque de ATP e NADPH se esgota logo, e o ciclo de Calvin para junto.
Resolução
O ciclo de Calvin não usa luz diretamente, mas consome ATP e NADPH a cada volta: 9 ATP e 6 NADPH por 3 fixados. Esses carreadores só são recarregados na fase fotoquímica, que depende da luz. No escuro, a reserva disponível é consumida em pouco tempo, a redução do 3-PGA e a regeneração da RuBP param, e a fixação de cessa, mesmo com disponível.
- A confunde o nome antigo com o funcionamento: "fase escura" só significa que as reações não usam luz diretamente; elas ocorrem de dia.
- C está errada: a liberação de vem da fotólise, que depende da luz e para no escuro. O ciclo de Calvin não quebra água.
- D está errada: a respiração ocorre continuamente, com ou sem luz. No escuro, é o único processo das duas, e a alga passa a liberar e consumir .
- E está errada: a fotólise ocorre no fotossistema II e depende da excitação do P680 pela luz.
Exercício 3
AutoralUma planta aquática foi estudada em duas intensidades de luz e três temperaturas. Em cada temperatura, mediu-se também a respiração no escuro. Os valores são hipotéticos, em unidades arbitrárias de por hora; considere que a respiração na luz é igual à medida no escuro, na mesma temperatura.
| Temperatura | Respiração (escuro) | liberado, luz fraca | liberado, luz forte |
|---|---|---|---|
| 15 °C | 1 | 4 | 8 |
| 25 °C | 2 | 3 | 16 |
| 35 °C | 4 | 1 | 10 |
(a) Calcule a fotossíntese bruta nas seis condições. (b) Em qual intensidade de luz a temperatura afeta a fotossíntese bruta? Explique. (c) Por que o liberado em luz fraca diminui com o aquecimento? (d) Proponha uma explicação para a queda entre 25 °C e 35 °C em luz forte.
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Resposta
(a) Luz fraca: 5, 5 e 5; luz forte: 9, 18 e 14 (15, 25 e 35 °C). (b) Só em luz forte; em luz fraca a luz é o fator limitante. (c) A fotossíntese bruta não muda, mas a respiração aumenta, e o saldo cai. (d) Acima do ótimo, as enzimas do ciclo de Calvin perdem eficiência e a fotorrespiração aumenta; ao mesmo tempo, a respiração dobra.
Resolução
Leitura dos dados. O liberado por uma planta iluminada é a fotossíntese líquida. Pela hipótese do enunciado, a respiração na luz é a medida no escuro.
(a) Bruta = líquida + respiração:
| Temperatura | Luz fraca | Luz forte |
|---|---|---|
| 15 °C | ||
| 25 °C | ||
| 35 °C |
(b) Em luz fraca, a fotossíntese bruta é 5 nas três temperaturas: a velocidade está limitada pela produção de ATP e NADPH na fase fotoquímica, e acelerar as enzimas do ciclo de Calvin não adianta. Em luz forte, a bruta varia de 9 para 18 e para 14: sem limitação pela luz, a velocidade passa a depender das reações enzimáticas, sensíveis à temperatura. É o mesmo padrão observado por Blackman.
(c) Em luz fraca, a produção bruta de é constante, mas o consumo pela respiração cresce de 1 para 4. O saldo, que é o que se mede, cai de 4 para 1. Se o aquecimento continuasse e a respiração chegasse a 5, a planta estaria no ponto de compensação nessa luz.
(d) A bruta cai de 18 para 14 porque 35 °C está acima da temperatura ótima dessa planta nos dados: as enzimas do ciclo de Calvin perdem eficiência, e o calor favorece a fotorrespiração, em que a rubisco liga em vez de . A líquida cai ainda mais, de 16 para 10, porque a respiração também subiu, de 2 para 4.
Conferência. Em nenhum caso a bruta é menor que a respiração, o que seria incompatível com liberado positivo. A conclusão sobre qual fator limita vale para esta planta e para estes valores; outra espécie pode ter outro ótimo de temperatura.
Referências
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