A probabilidade é a matemática da incerteza. Ela não prevê o resultado de um único lançamento de dado, de um único sorteio ou de um único exame. Ela quantifica o quanto cada resultado é provável, e essa informação orienta decisões em saúde pública, seguros, controle de qualidade, jogos, pesquisas eleitorais e na interpretação de testes diagnósticos.
Apresentação
Sorteio em uma urna. Casos favoráveis ÷ casos possíveis.

Na Matriz de Referência, o tema pertence à Competência de área 7: compreender o caráter aleatório dos fenômenos naturais e sociais e usar instrumentos adequados para cálculos de probabilidade. Mobiliza as habilidades:
- H28: resolver situação-problema com conhecimentos de estatística e probabilidade;
- H29: usar esses conhecimentos como recurso de argumentação;
- H30: avaliar propostas de intervenção na realidade com base neles.
No ENEM, a probabilidade aparece em sorteios, jogos, tabelas de pesquisas e, cada vez mais, em contextos de saúde.
Este artigo apresenta:
- os conceitos de experimento aleatório, espaço amostral e evento;
- a definição clássica de probabilidade e suas armadilhas;
- a probabilidade a partir de dados e de áreas;
- o evento complementar;
- a probabilidade da união ("ou");
- a probabilidade da interseção ("e") e a independência;
- a probabilidade condicional, a árvore de probabilidades e a interpretação de testes diagnósticos;
- a probabilidade calculada com análise combinatória, incluindo o modelo binomial.
Pré-requisitos: os artigos de Conjuntos, Análise Combinatória e Porcentagem.
1. Conceitos fundamentais
1.1 Experimento aleatório
Um experimento aleatório é aquele que, repetido nas mesmas condições, pode produzir resultados diferentes, e cujo resultado não pode ser previsto com certeza. Lançar um dado, sortear uma carta e escolher uma pessoa ao acaso são experimentos aleatórios.
Um experimento determinístico, ao contrário, produz sempre o mesmo resultado nas mesmas condições. Aquecer água pura ao nível do mar até 100 °C, por exemplo, sempre a faz ferver.
1.2 Espaço amostral
O espaço amostral (Ω) é o conjunto de todos os resultados possíveis de um experimento. O número de elementos é indicado por n(Ω).
| Experimento | Espaço amostral | n(Ω) |
|---|---|---|
| Lançar uma moeda | {cara, coroa} | 2 |
| Lançar um dado | {1, 2, 3, 4, 5, 6} | 6 |
| Lançar duas moedas | {CC, CK, KC, KK} | 4 |
| Lançar dois dados | todos os pares (a, b), com a e b de 1 a 6 | 36 |
No lançamento de duas moedas, CK e KC são resultados diferentes: cara na primeira e coroa na segunda é diferente de coroa na primeira e cara na segunda. Imaginar as moedas com cores diferentes ajuda a perceber isso.
1.3 Evento
Evento é qualquer subconjunto do espaço amostral.
- Evento certo: é o próprio Ω, porque sempre ocorre.
- Evento impossível: é o conjunto vazio, porque nunca ocorre. Por exemplo, sair 7 em um dado comum.
- Evento elementar: tem um único resultado.
Exemplo. No lançamento de um dado, o evento "sair número par" é A = {2, 4, 6}.
1.4 Relações entre eventos
- Dois eventos são mutuamente exclusivos quando não podem ocorrer juntos: A ∩ B = ∅. No dado, "sair 1" e "sair 6" são mutuamente exclusivos.
- O evento complementar de A, indicado por Ā, é formado pelos resultados que não estão em A. No dado, o complementar de "sair par" é "sair ímpar".
Essas relações são as mesmas operações estudadas no artigo de Conjuntos: união, interseção e complementar.
2. A definição clássica de probabilidade
2.1 Definição
Essa é a definição clássica, ou de Laplace.
Propriedades imediatas:
- 0 ≤ P(A) ≤ 1;
- P(Ω) = 1, porque o evento certo tem probabilidade 1;
- P(∅) = 0, porque o evento impossível tem probabilidade 0.
A probabilidade pode ser expressa como fração, decimal ou porcentagem: 1/4 = 0,25 = 25%.
Exemplo. No lançamento de um dado, a probabilidade de sair um número par é P = 3/6 = 1/2.
2.2 A exigência de equiprobabilidade
A fórmula "favoráveis sobre possíveis" só vale quando os resultados são igualmente prováveis. Ignorar essa condição é a fonte de alguns dos erros mais conhecidos.
Exemplo 1: soma de dois dados. As somas possíveis vão de 2 a 12. São 11 valores, mas eles não são igualmente prováveis. O espaço amostral equiprovável é o dos 36 pares ordenados:
| Soma | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Número de pares | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 5 | 4 | 3 | 2 | 1 |
- P(soma 7) = 6/36 = 1/6. É a soma mais provável.
- P(soma 2) = 1/36. Só o par (1, 1) produz essa soma.
Dizer que P(soma 7) = 1/11 está errado, porque trata as 11 somas como equiprováveis.
Exemplo 2: duas moedas. Qual é a probabilidade de sair uma cara e uma coroa?
- Errado: "os resultados são duas caras, duas coroas ou uma de cada; logo, 1/3".
- Correto: no espaço {CC, CK, KC, KK}, os casos favoráveis são CK e KC. P = 2/4 = 1/2.
Esse erro foi cometido por matemáticos importantes do século XVIII e continua sendo o mais comum entre estudantes.
2.3 Baralho
Um baralho comum tem 52 cartas, divididas em 4 naipes (copas, ouros, espadas e paus), cada um com 13 cartas: ás, 2 a 10, valete, dama e rei.
- P(sair um ás) = 4/52 = 1/13.
- P(sair uma carta de copas) = 13/52 = 1/4.
- P(sair uma figura: valete, dama ou rei) = 12/52 = 3/13.
3. Probabilidade a partir de dados e de áreas
3.1 Probabilidade e frequência relativa
Quando não é possível calcular a probabilidade teoricamente, ela é estimada pela frequência relativa observada em muitas repetições. Quanto maior o número de observações, mais a frequência relativa se aproxima da probabilidade. Esse princípio é conhecido como lei dos grandes números.
Exemplo. Em um lote de 2.000 lâmpadas, 30 apresentaram defeito. A probabilidade estimada de uma lâmpada desse fabricante ser defeituosa é 30/2.000 = 1,5%.
3.2 Probabilidade a partir de tabelas
Quando uma pessoa é escolhida ao acaso de um grupo descrito em uma tabela, a probabilidade de ela ter certa característica é a frequência relativa dessa característica no grupo.
Exemplo. Em uma pesquisa com 400 moradores, 60 eram moradores da zona rural não vacinados. Sorteando um morador ao acaso, a probabilidade de ser da zona rural e não vacinado é 60/400 = 15%.
3.3 Probabilidade geométrica (noção)
Quando um ponto é escolhido ao acaso em uma região, a probabilidade de ele cair em uma sub-região é a razão entre as áreas.
Exemplo. Um dardo atinge, ao acaso, um alvo quadrado de lado 2r, onde está desenhado o círculo inscrito de raio r. A probabilidade de o dardo cair dentro do círculo é:
πr² ÷ (2r)² = π/4 ≈ 78,5%
4. Evento complementar
Como A e Ā juntos formam o espaço amostral inteiro e não têm resultados em comum, suas probabilidades somam 1.
A regra do complementar é a ferramenta mais eficiente para eventos do tipo "pelo menos um": em vez de somar muitos casos, calcula-se a probabilidade de nenhum e subtrai-se de 1.
Exemplo 1. Qual é a probabilidade de sair pelo menos uma cara em 3 lançamentos de uma moeda?
- O complementar de "pelo menos uma cara" é "nenhuma cara", ou seja, três coroas: P = (1/2)³ = 1/8.
- P(pelo menos uma cara) = 1 − 1/8 = 7/8.
Exemplo 2. Qual é a probabilidade de sair pelo menos um 6 em dois lançamentos de um dado?
- P(nenhum 6) = (5/6) · (5/6) = 25/36.
- P(pelo menos um 6) = 1 − 25/36 = 11/36.
O erro comum é somar 1/6 + 1/6 = 1/3, o que conta duas vezes o caso em que saem dois 6.
5. Probabilidade da união ("ou")
5.1 A regra da adição
É o princípio da inclusão-exclusão do artigo de Conjuntos, aplicado a probabilidades. Subtrai-se a interseção porque ela foi contada duas vezes.
Se A e B são mutuamente exclusivos, a interseção é vazia, e a regra se simplifica:
5.2 Exemplos
Exemplo 1. No lançamento de um dado, qual é a probabilidade de sair um número par ou maior que 4?
P = P({2, 4, 6}) + P({5, 6}) − P({6}) = 3/6 + 2/6 − 1/6 = 4/6 = 2/3
Conferindo diretamente: o evento é {2, 4, 5, 6}, com 4 dos 6 resultados.
Exemplo 2. Qual é a probabilidade de sortear um ás ou uma carta de copas?
P = 4/52 + 13/52 − 1/52 = 16/52 = 4/13
O ás de copas pertence aos dois eventos e é descontado uma vez.
Exemplo 3, eventos exclusivos. Qual é a probabilidade de sair 1 ou 6 no dado?
P = 1/6 + 1/6 = 1/3
6. Probabilidade da interseção ("e") e independência
6.1 Eventos independentes
Dois eventos são independentes quando a ocorrência de um não altera a probabilidade do outro. Nesse caso:
Exemplos:
- Lançar uma moeda e um dado: P(cara e 6) = (1/2) · (1/6) = 1/12.
- Lançar dois dados: P(6 nos dois) = (1/6) · (1/6) = 1/36.
- Lançar três moedas: P(três caras) = (1/2)³ = 1/8.
6.2 A falácia do jogador
Depois de cinco caras seguidas em uma moeda honesta, qual é a probabilidade de sair cara no sexto lançamento?
A resposta é 1/2. A moeda não tem memória, e os lançamentos são independentes. A crença de que "agora tem que sair coroa" é chamada de falácia do jogador.
O que é pouco provável é a sequência de seis caras: (1/2)⁶ = 1/64. Mas, depois que as cinco primeiras já ocorreram, o sexto lançamento continua tendo probabilidade 1/2.
7. Probabilidade condicional
7.1 Definição
A probabilidade condicional de A, dado que B ocorreu, é indicada por P(A | B). Ela mede a probabilidade de A quando já se sabe que B aconteceu:
Interpretação prática: reduzir o espaço amostral. Saber que B ocorreu elimina todos os resultados fora de B. O novo espaço amostral passa a ser B, e conta-se quantos de seus elementos também estão em A.
Exemplo. Um dado é lançado, e sabe-se que o resultado foi par. Qual é a probabilidade de ter saído 6?
O novo espaço amostral é {2, 4, 6}. Há 1 caso favorável. Logo, P(6 | par) = 1/3.
7.2 Probabilidade condicional em tabelas
Retomando a tabela do artigo de Estatística, com 200 pessoas:
| Pratica exercício | Não pratica | Total | |
|---|---|---|---|
| Homens | 45 | 55 | 100 |
| Mulheres | 60 | 40 | 100 |
| Total | 105 | 95 | 200 |
- Sorteando uma mulher, a probabilidade de ela praticar exercício é P(pratica | mulher) = 60/100 = 60%.
- Sorteando alguém que pratica exercício, a probabilidade de ser mulher é P(mulher | pratica) = 60/105 ≈ 57,1%.
Confundir as duas é um dos erros mais sérios em probabilidade, com consequências importantes na interpretação de dados de saúde e em decisões judiciais (seção 7.7).
7.3 Regra do produto geral
Da definição de probabilidade condicional:
Quando os eventos são independentes, P(B | A) = P(B), e a regra volta a ser P(A) · P(B).
Dois eventos são independentes exatamente quando P(A | B) = P(A): saber que B ocorreu não muda a probabilidade de A.
7.4 Retiradas com e sem reposição
Uma urna contém 5 bolas vermelhas e 3 azuis. Duas bolas são retiradas. Qual é a probabilidade de ambas serem vermelhas?
Com reposição (a primeira bola volta para a urna): as retiradas são independentes.
P = (5/8) · (5/8) = 25/64
Sem reposição (a primeira bola não volta): a segunda retirada depende da primeira. Se a primeira foi vermelha, restam 4 vermelhas em 7 bolas.
P = (5/8) · (4/7) = 20/56 = 5/14
7.5 Árvore de probabilidades
A árvore de probabilidades organiza experimentos em etapas:
- cada ramo recebe a probabilidade condicional daquela etapa;
- a probabilidade de um caminho completo é o produto das probabilidades ao longo do caminho;
- a probabilidade de um evento formado por vários caminhos é a soma das probabilidades desses caminhos.
Exemplo. Com a urna de 5 vermelhas e 3 azuis, sem reposição, qual é a probabilidade de as duas bolas terem cores diferentes?
Há dois caminhos favoráveis:
- vermelha e depois azul: (5/8) · (3/7) = 15/56;
- azul e depois vermelha: (3/8) · (5/7) = 15/56.
Total: 15/56 + 15/56 = 30/56 = 15/28.
O erro mais comum é considerar apenas a ordem "vermelha e depois azul", esquecendo a ordem inversa.
7.6 Testes diagnósticos
Um teste diagnóstico tem duas características principais:
- sensibilidade: a probabilidade de o teste dar positivo quando a pessoa tem a doença;
- especificidade: a probabilidade de o teste dar negativo quando a pessoa não tem a doença. O complemento da especificidade é a taxa de falsos positivos.
A pergunta que interessa a quem recebe um resultado positivo, porém, é outra: dado que o teste deu positivo, qual a probabilidade de eu ter a doença? Essa probabilidade depende fortemente da prevalência, a proporção de pessoas doentes na população.
Exemplo. Uma doença atinge 1% da população. Um teste tem sensibilidade de 90% e taxa de falsos positivos de 5%. Uma pessoa sorteada ao acaso faz o teste, e o resultado é positivo. Qual é a probabilidade de ela ter a doença?
Método da população hipotética. Imagine 10.000 pessoas.
- Doentes: 1% de 10.000 = 100. Dessas, 90% testam positivo: 90 positivos verdadeiros.
- Saudáveis: 9.900. Dessas, 5% testam positivo: 495 falsos positivos.
- Total de positivos: 90 + 495 = 585.
- Probabilidade de estar doente, dado o resultado positivo: 90 ÷ 585 ≈ 15,4%.
O resultado surpreende: mesmo com um teste de sensibilidade alta, a maioria dos positivos é falsa. Isso acontece porque a doença é rara, e os 5% de falsos positivos incidem sobre um grupo muito grande de pessoas saudáveis.
O raciocínio formal por trás desse cálculo é conhecido como teorema de Bayes. O método da população hipotética chega ao mesmo resultado com contas simples, e é o mais indicado para o ENEM.
A lição. Confundir P(positivo | doente), que é a sensibilidade de 90%, com P(doente | positivo), que é cerca de 15%, é exatamente o erro de inverter a probabilidade condicional (seção 7.2).
8. Probabilidade com análise combinatória
8.1 O princípio
Quando o espaço amostral é grande, os casos favoráveis e possíveis são contados com as ferramentas da análise combinatória:
Exemplo 1: loteria. Na Mega-Sena, há C(60, 6) = 50.063.860 combinações possíveis.
- Uma aposta simples, de 6 números, tem probabilidade 1/50.063.860 de acertar a sena.
- Uma aposta de 7 números cobre C(7, 6) = 7 combinações de 6. A probabilidade é 7/50.063.860.
Exemplo 2: comissão sorteada. Uma comissão de 3 pessoas é sorteada de um grupo com 6 homens e 4 mulheres. Qual é a probabilidade de a comissão ter exatamente 2 mulheres?
- Casos favoráveis: C(4, 2) · C(6, 1) = 6 · 6 = 36.
- Casos possíveis: C(10, 3) = 120.
- P = 36/120 = 3/10.
Exemplo 3: anagrama sorteado. Um anagrama de AMOR é sorteado. Qual é a probabilidade de ele começar por vogal?
Pelo artigo de Análise Combinatória, há 12 anagramas que começam por vogal, em 24. P = 12/24 = 1/2.
8.2 O modelo binomial
Considere um experimento repetido n vezes, de forma independente, em que cada repetição tem apenas dois resultados: sucesso, com probabilidade p, ou fracasso, com probabilidade 1 − p. A probabilidade de obter exatamente k sucessos é:
De onde vem a fórmula.
- Uma sequência específica com k sucessos e n − k fracassos tem probabilidade pᵏ · (1 − p)ⁿ⁻ᵏ, pela regra do produto.
- Existem C(n, k) sequências desse tipo, que correspondem às posições possíveis dos sucessos.
- As sequências são mutuamente exclusivas, e suas probabilidades se somam.
Exemplo 1. Qual é a probabilidade de sair exatamente 2 caras em 6 lançamentos de uma moeda?
P = C(6, 2) · (1/2)² · (1/2)⁴ = 15 · 1/64 = 15/64
Exemplo 2. Um candidato chuta 4 questões de 5 alternativas cada, com uma única correta. Qual é a probabilidade de acertar exatamente 2?
P = C(4, 2) · (1/5)² · (4/5)² = 6 · (1/25) · (16/25) = 96/625 ≈ 15,4%
8.3 Uma curiosidade: o problema do aniversário
Em um grupo de apenas 23 pessoas, a probabilidade de que pelo menos duas façam aniversário no mesmo dia, desconsiderando anos bissextos, já ultrapassa 50%. O cálculo usa o complementar: a probabilidade de todas as datas serem diferentes é (365/365) · (364/365) · … · (343/365), que fica pouco abaixo de 0,5.
O resultado parece contraintuitivo porque o que conta não são as comparações de uma pessoa com as outras, mas a comparação entre todos os pares de pessoas: C(23, 2) = 253 pares.
9. Distinções importantes
| Conceito | Não confundir com | Diferença |
|---|---|---|
| Espaço amostral equiprovável | Lista de resultados distintos | Somas de dois dados não são equiprováveis |
| CK e KC | Um único resultado | São resultados diferentes no lançamento de duas moedas |
| Eventos mutuamente exclusivos | Eventos independentes | Exclusivos não ocorrem juntos; independentes não se influenciam |
| "Ou" | "E" | "Ou" usa a regra da adição; "e" usa a regra do produto |
| P(A | B) | P(B | A) | Em geral, são diferentes |
| Com reposição | Sem reposição | Sem reposição, as probabilidades mudam a cada retirada |
| Sensibilidade | P(doente | positivo) | A sensibilidade é P(positivo | doente) |
| Probabilidade de uma sequência | Probabilidade do próximo resultado | A falácia do jogador confunde as duas |
| "Pelo menos um" | "Exatamente um" | O primeiro geralmente se resolve pelo complementar |
| Frequência relativa | Probabilidade teórica | A frequência estima a probabilidade em muitas repetições |
10. Erros recorrentes e como evitá-los
Tratar como equiprováveis resultados que não são. Controle: monte o espaço amostral com os resultados elementares, como os pares ordenados de dois dados.
Considerar CK e KC o mesmo resultado. Controle: imagine as moedas com cores diferentes.
Somar probabilidades de eventos que não são exclusivos. Controle: subtraia a interseção.
Calcular "pelo menos um" somando as probabilidades. Controle: use o complementar.
Esquecer que, sem reposição, as probabilidades mudam. Controle: atualize os totais a cada retirada.
Considerar apenas uma ordem na árvore de probabilidades. Controle: liste todos os caminhos que levam ao evento.
Inverter a probabilidade condicional. Controle: identifique qual informação é conhecida, ou seja, o que vem depois da barra.
Acreditar que eventos independentes "se compensam". Controle: lembre que a moeda não tem memória.
Esquecer o fator C(n, k) no modelo binomial. Controle: pergunte de quantas maneiras os sucessos podem estar distribuídos.
Verificação geral. Toda probabilidade está entre 0 e 1. As probabilidades de todos os resultados de um experimento somam 1.
11. Questões comentadas (autorais, padrão ENEM)
Questão 1 (H28, nível fácil)
Dois dados comuns, de seis faces, são lançados. A probabilidade de a soma dos resultados ser 7 é:
A) 1/12
B) 1/11
C) 1/6
D) 7/36
E) 1/36
Gabarito: C
Resolução. Há 36 pares ordenados igualmente prováveis. Os pares com soma 7 são (1, 6), (2, 5), (3, 4), (4, 3), (5, 2) e (6, 1). P = 6/36 = 1/6.
Análise dos distratores.
- B: trata as 11 somas possíveis como igualmente prováveis.
- A: conta só os 3 pares favoráveis sem ordem ({1, 6}, {2, 5} e {3, 4}), mas mantém os 36 casos possíveis do espaço ordenado: 3/36 = 1/12. Mistura dois espaços amostrais diferentes.
Questão 2 (H28, nível médio)
Em uma escola com 500 alunos, foi feito um levantamento do turno e do meio de transporte usado:
| Ônibus | A pé | Total | |
|---|---|---|---|
| Manhã | 150 | 50 | 200 |
| Tarde | 150 | 150 | 300 |
| Total | 300 | 200 | 500 |
Um aluno que usa ônibus é sorteado. A probabilidade de ele estudar no turno da manhã é:
A) 30%
B) 40%
C) 50%
D) 60%
E) 75%
Gabarito: C
Resolução. O espaço amostral se reduz aos 300 alunos que usam ônibus. Desses, 150 estudam de manhã: 150/300 = 50%.
Análise dos distratores.
- E: inverte a condicional, calculando P(ônibus | manhã) = 150/200.
- A: calcula a interseção sobre o total (150/500).
- B: calcula a proporção de alunos da manhã no total (200/500).
- D: calcula a proporção de usuários de ônibus no total (300/500).
Questão 3 (H28, nível médio)
Um dado comum é lançado duas vezes. A probabilidade de sair o número 6 em pelo menos um dos lançamentos é:
A) 1/36
B) 1/6
C) 1/3
D) 11/36
E) 25/36
Gabarito: D
Resolução. P(nenhum 6) = (5/6)² = 25/36. P(pelo menos um 6) = 1 − 25/36 = 11/36.
Análise dos distratores.
- C: soma 1/6 + 1/6, contando duas vezes o caso (6, 6).
- E: é a probabilidade do complementar, ou seja, de não sair nenhum 6.
- A: é a probabilidade de sair 6 nos dois lançamentos.
Questão 4 (H28, nível médio)
Uma urna contém 5 bolas vermelhas e 3 azuis, idênticas exceto pela cor. Duas bolas são retiradas ao acaso, uma após a outra, sem reposição. A probabilidade de as duas serem vermelhas é:
A) 25/64
B) 5/14
C) 5/8
D) 9/15
E) 20/64
Gabarito: B
Resolução.
P = (5/8) · (4/7) = 20/56 = 5/14
Análise dos distratores.
- A: considera retiradas com reposição.
- D: soma os numeradores e os denominadores das frações, em vez de multiplicá-las.
- C: considera apenas a primeira retirada.
Questão 5 (H28, nível médio)
Uma comissão de 3 pessoas será sorteada entre 6 homens e 4 mulheres. A probabilidade de a comissão ter exatamente 2 mulheres é:
A) 1/10
B) 3/10
C) 2/5
D) 1/2
E) 2/3
Gabarito: B
Resolução.
P = [C(4, 2) · C(6, 1)] ÷ C(10, 3) = (6 · 6) ÷ 120 = 36/120 = 3/10
Análise dos distratores. A alternativa A calcula apenas a sequência "mulher, mulher, homem": (4/10) · (3/9) · (6/8) = 1/10. Esquece que o homem pode ser sorteado em qualquer uma das três posições, o que multiplicaria o resultado por 3.
Questão 6 (H29, nível difícil)
Uma doença atinge 1% de uma população. Um teste para detectá-la dá resultado positivo em 90% das pessoas doentes e também em 5% das pessoas saudáveis. Uma pessoa dessa população, escolhida ao acaso, faz o teste, e o resultado é positivo. A probabilidade de ela realmente ter a doença é, aproximadamente:
A) 1%
B) 5%
C) 15%
D) 90%
E) 95%
Gabarito: C
Resolução. Em uma população hipotética de 10.000 pessoas:
- há 100 doentes, dos quais 90 testam positivo;
- há 9.900 saudáveis, dos quais 495 testam positivo;
- dos 585 positivos, apenas 90 estão doentes: 90/585 ≈ 15%.
Análise dos distratores.
- D: confunde P(doente | positivo) com a sensibilidade do teste, P(positivo | doente).
- E: usa a especificidade.
- A: usa a prevalência, ignorando a informação do teste.
Questão 7 (H28, nível difícil)
Um candidato não sabe responder a 4 questões de uma prova, cada uma com 5 alternativas, das quais apenas uma é correta. Ele decide marcar uma alternativa ao acaso em cada questão. A probabilidade de ele acertar pelo menos uma dessas questões é, aproximadamente:
A) 20,00%
B) 40,96%
C) 59,04%
D) 80,00%
E) 100,00%
Gabarito: C
Resolução.
- P(errar uma questão) = 4/5.
- P(errar as quatro) = (4/5)⁴ = 256/625 ≈ 40,96%.
- P(acertar pelo menos uma) = 1 − 0,4096 = 0,5904 ≈ 59,04%.
Análise dos distratores.
- B: é a probabilidade de errar todas.
- D: soma as probabilidades de acerto das quatro questões (4 · 20%), como se fossem eventos exclusivos.
- A: considera apenas uma questão.
12. Perguntas frequentes
Quando posso usar "favoráveis sobre possíveis"?
Somente quando todos os resultados do espaço amostral são igualmente prováveis.
Por que a soma 7 é a mais provável em dois dados?
Porque é a soma que pode ser obtida pelo maior número de pares ordenados: 6 dos 36.
Qual a diferença entre eventos exclusivos e independentes?
Eventos exclusivos não podem ocorrer juntos. Eventos independentes podem ocorrer juntos, mas um não altera a probabilidade do outro.
Quando usar o complementar?
Quando o evento é do tipo "pelo menos um" ou quando calcular o evento contrário é mais simples.
O que muda com e sem reposição?
Sem reposição, cada retirada altera a composição da urna. As probabilidades das retiradas seguintes dependem das anteriores.
P(A | B) é igual a P(B | A)?
Em geral, não. A probabilidade de uma mulher praticar exercício é diferente da probabilidade de um praticante de exercício ser mulher.
Por que um teste com 90% de sensibilidade pode ter tantos falsos positivos?
Porque, quando a doença é rara, o número de pessoas saudáveis é muito maior, e uma pequena taxa de falsos positivos sobre esse grupo grande produz muitos resultados positivos errados.
Depois de várias caras seguidas, a chance de coroa aumenta?
Não. Os lançamentos são independentes, e a probabilidade continua sendo 1/2.
Quando usar o modelo binomial?
Quando o mesmo experimento, com dois resultados possíveis, é repetido várias vezes de forma independente, e se pergunta a probabilidade de um número exato de sucessos.
14. Síntese
Um experimento aleatório tem resultados imprevisíveis. O espaço amostral reúne todos os resultados possíveis, e um evento é qualquer subconjunto dele. Quando os resultados são igualmente prováveis, P(A) = favoráveis ÷ possíveis, com 0 ≤ P ≤ 1. A equiprobabilidade é condição indispensável: as somas de dois dados e os resultados agrupados de duas moedas não são equiprováveis.
A probabilidade pode também ser estimada pela frequência relativa, obtida de tabelas e dados, ou calculada por razão de áreas.
As regras fundamentais são:
- complementar: P(Ā) = 1 − P(A), ideal para "pelo menos um";
- união: P(A ∪ B) = P(A) + P(B) − P(A ∩ B), que vira simples soma para eventos exclusivos;
- interseção de eventos independentes: P(A ∩ B) = P(A) · P(B).
A probabilidade condicional, P(A | B) = P(A ∩ B) ÷ P(B), corresponde a reduzir o espaço amostral ao evento conhecido. Em geral, P(A | B) ≠ P(B | A). Retiradas sem reposição produzem eventos dependentes, e a árvore de probabilidades organiza o cálculo: multiplica-se ao longo dos caminhos e somam-se os caminhos favoráveis. Na interpretação de testes diagnósticos, a probabilidade de doença após um resultado positivo depende fortemente da prevalência, e o método da população hipotética torna o cálculo acessível.
Com espaços amostrais grandes, a análise combinatória conta os casos. O modelo binomial, C(n, k) · pᵏ · (1 − p)ⁿ⁻ᵏ, dá a probabilidade de exatamente k sucessos em n repetições independentes.
| Situação | Ferramenta |
|---|---|
| Resultados equiprováveis | favoráveis ÷ possíveis |
| Dados de uma tabela | frequência relativa |
| Ponto ao acaso em uma região | razão entre áreas |
| "Pelo menos um" | 1 − P(nenhum) |
| "Ou" | P(A) + P(B) − P(A ∩ B) |
| "E", independentes | P(A) · P(B) |
| "E", dependentes | P(A) · P(B | A) |
| Informação conhecida | reduzir o espaço amostral |
| Várias etapas | árvore de probabilidades |
| Teste diagnóstico | população hipotética |
| Sorteio de grupos | combinações |
| k sucessos em n repetições | modelo binomial |
15. Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| Experimento aleatório | Experimento cujo resultado não pode ser previsto com certeza |
| Espaço amostral | Conjunto de todos os resultados possíveis de um experimento |
| Evento | Subconjunto do espaço amostral |
| Evento certo | O próprio espaço amostral; probabilidade 1 |
| Evento impossível | O conjunto vazio; probabilidade 0 |
| Eventos mutuamente exclusivos | Eventos que não podem ocorrer simultaneamente |
| Evento complementar | Evento formado pelos resultados que não pertencem ao evento dado |
| Equiprobabilidade | Condição em que todos os resultados têm a mesma probabilidade |
| Frequência relativa | Proporção de vezes em que um evento ocorreu em um conjunto de observações |
| Lei dos grandes números | Princípio segundo o qual a frequência relativa se aproxima da probabilidade com muitas repetições |
| Eventos independentes | Eventos em que a ocorrência de um não altera a probabilidade do outro |
| Probabilidade condicional | Probabilidade de um evento sabendo que outro ocorreu |
| Árvore de probabilidades | Diagrama que organiza as probabilidades de experimentos em etapas |
| Sensibilidade | Probabilidade de um teste dar positivo em quem tem a doença |
| Especificidade | Probabilidade de um teste dar negativo em quem não tem a doença |
| Prevalência | Proporção de pessoas com a doença em uma população |
| Modelo binomial | Modelo para o número de sucessos em repetições independentes com dois resultados possíveis |
| Falácia do jogador | Crença equivocada de que resultados passados alteram a probabilidade de eventos independentes |
13. Exercícios de fixação resolvidos
Tente resolver antes de conferir a resposta.
Exercício 1
AutoralQual é a probabilidade de sair um número primo no lançamento de um dado?
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Resposta
Os primos são 2, 3 e 5. P = 3/6 = 1/2.
Exercício 2
AutoralDuas moedas são lançadas. Qual é a probabilidade de saírem duas caras?
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Resposta
1/4.
Exercício 3
AutoralUma carta é sorteada de um baralho de 52 cartas. Qual é a probabilidade de ser o rei de copas? E de ser uma carta vermelha?
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Resposta
Rei de copas: 1/52. Carta vermelha (copas ou ouros): 26/52 = 1/2.
Exercício 4
AutoralNo lançamento de um dado, qual é a probabilidade de sair um número par ou múltiplo de 3?
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Resposta
3/6 + 2/6 − 1/6 = 2/3. O evento é {2, 3, 4, 6}.
Exercício 5
AutoralDois dados são lançados. Qual é a probabilidade de a soma ser 10?
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Resposta
Os pares são (4, 6), (5, 5) e (6, 4). P = 3/36 = 1/12.
Exercício 6
AutoralTrês moedas são lançadas. Qual é a probabilidade de sair pelo menos uma coroa?
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Resposta
1 − (1/2)³ = 7/8.
Exercício 7
AutoralUma urna tem 4 bolas brancas e 6 pretas. Duas são retiradas sem reposição. Qual é a probabilidade de ambas serem brancas?
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Resposta
(4/10) · (3/9) = 12/90 = 2/15.
Exercício 8
AutoralUm dado é lançado, e sabe-se que saiu um número par. Qual é a probabilidade de ele ser maior que 3?
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Resposta
No espaço {2, 4, 6}, os favoráveis são 4 e 6. P = 2/3.
Exercício 9
AutoralUm ponto é escolhido ao acaso em um quadrado de lado 10 cm. Qual é a probabilidade de ele cair no círculo inscrito? Use π ≈ 3,14.
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Resposta
(3,14 · 25) ÷ 100 = 0,785 = 78,5%.
Exercício 10
AutoralUma moeda é lançada 4 vezes. Qual é a probabilidade de sair exatamente 3 caras?
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Resposta
C(4, 3) · (1/2)⁴ = 4/16 = 1/4.
Referências
- Brasil. INEP. Matriz de Referência do ENEM. Matemática e suas Tecnologias: competências de área e habilidades.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Matemática e suas Tecnologias no Ensino Médio.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Lima, E. L.; Carvalho, P. C. P.; Wagner, E.; Morgado, A. C. A Matemática do Ensino Médio. Rio de Janeiro: SBM (Coleção do Professor de Matemática).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Iezzi, G. et al. Fundamentos de Matemática Elementar, v. 5: Combinatória, Probabilidade. São Paulo: Atual.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Figuras da Biblioteca ASSAAD
Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.



