A geometria analítica une duas áreas que, por séculos, se desenvolveram separadas: a geometria, que estuda formas, e a álgebra, que estuda equações. A ideia, associada a René Descartes e Pierre de Fermat no século XVII, é atribuir coordenadas aos pontos do plano. A partir daí:
- uma reta passa a ser uma equação do 1º grau;
- uma circunferência passa a ser uma equação do 2º grau;
- perguntas geométricas, como "estas retas são perpendiculares?" ou "este ponto está dentro do círculo?", passam a ser resolvidas por cálculo.
Apresentação
Em linha reta ou pelas ruas. 5 km em linha reta; 7 km pelas ruas.

É a mesma ideia que sustenta mapas digitais, sistemas de localização por satélite e qualquer software de desenho técnico.
Na Matriz de Referência, a geometria analítica mobiliza a Competência 2, especialmente:
- H6: localização e movimentação no espaço e sua representação no plano;
- H8: resolução de problemas geométricos.
Mobiliza também a Competência 5:
- H19: identificar representações algébricas;
- H20: interpretar gráficos cartesianos;
- H21: resolver problemas modelados algebricamente.
No ENEM, os contextos mais comuns são mapas quadriculados, trajetos em cidades, localização de equipamentos públicos, alcance de antenas e áreas de terrenos.
Este artigo apresenta:
- o plano cartesiano e as simetrias;
- a distância entre dois pontos, incluindo a distância percorrida em ruas;
- o ponto médio e o baricentro;
- a área de polígonos por coordenadas e a condição de alinhamento;
- o coeficiente angular;
- as formas da equação da reta;
- o paralelismo, a perpendicularidade e a distância de ponto a reta;
- a equação da circunferência e as posições relativas.
Pré-requisitos: o artigo de Função do Primeiro Grau (plano cartesiano e coeficiente angular), o teorema de Pitágoras (Geometria Plana, Parte 1) e o artigo de Sistemas de Equações.
1. O plano cartesiano
1.1 Revisão
O plano cartesiano é formado por dois eixos perpendiculares que se cruzam na origem O(0, 0):
- o eixo horizontal é o eixo x, ou eixo das abscissas;
- o eixo vertical é o eixo y, ou eixo das ordenadas.
Cada ponto é identificado por um par ordenado (x, y). A ordem importa: (2, 5) e (5, 2) são pontos diferentes.
Os eixos dividem o plano em quatro quadrantes:
| Quadrante | Sinal de x | Sinal de y | Exemplo |
|---|---|---|---|
| I | + | + | (3, 2) |
| II | − | + | (−3, 2) |
| III | − | − | (−3, −2) |
| IV | + | − | (3, −2) |
Pontos sobre os eixos:
- sobre o eixo x, a ordenada é zero: (a, 0);
- sobre o eixo y, a abscissa é zero: (0, b).
Bissetrizes dos quadrantes:
- a bissetriz dos quadrantes ímpares (I e III) é a reta y = x, formada pelos pontos (a, a);
- a bissetriz dos quadrantes pares (II e IV) é a reta y = −x, formada pelos pontos (a, −a).
1.2 Simetrias e translações
Para um ponto P(a, b):
| Transformação | Imagem de P(a, b) |
|---|---|
| Reflexão no eixo x | (a, −b) |
| Reflexão no eixo y | (−a, b) |
| Simetria em relação à origem | (−a, −b) |
| Reflexão na bissetriz y = x | (b, a) |
| Translação de h unidades em x e k unidades em y | (a + h, b + k) |
Essas transformações aparecem em itens sobre mapas, mosaicos e movimentação de figuras (H6).
2. Distância entre dois pontos
2.1 A fórmula
Dados A(x₁, y₁) e B(x₂, y₂), o segmento AB é a hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos são:
- a diferença horizontal, Δx = x₂ − x₁;
- a diferença vertical, Δy = y₂ − y₁.
Pelo teorema de Pitágoras:
Como as diferenças são elevadas ao quadrado, a ordem dos pontos não importa e os sinais negativos desaparecem.
Exemplo. A distância entre A(1, 2) e B(4, 6) é:
d = √[(4 − 1)² + (6 − 2)²] = √(9 + 16) = √25 = 5
2.2 Distância em linha reta e distância percorrida nas ruas
Em uma cidade planejada, com ruas em quadrícula, não é possível andar em linha reta atravessando os quarteirões. O deslocamento é feito pelas ruas, somando os trechos horizontais e verticais:
No exemplo anterior, a distância em linha reta é 5, mas o percurso pelas ruas é 3 + 4 = 7.
Itens do ENEM sobre mapas quadriculados frequentemente pedem uma dessas duas distâncias. Identificar qual delas o enunciado pede é o passo decisivo.
2.3 Aplicações
Classificar um triângulo. Com os três vértices, calculam-se os três lados. Lados iguais indicam triângulo isósceles ou equilátero. A recíproca de Pitágoras indica se ele é retângulo.
Ponto equidistante. Uma rodovia retilínea coincide com o eixo x. Deseja-se construir um posto sobre a rodovia à mesma distância das cidades A(1, 3) e B(5, 1). Onde deve ficar o posto?
- O posto é P(x, 0). Iguale os quadrados das distâncias: (x − 1)² + 9 = (x − 5)² + 1.
- Desenvolvendo: x² − 2x + 10 = x² − 10x + 26.
- Então 8x = 16, e x = 2. O posto fica em P(2, 0).
- Verificação: d(P, A) = √(1 + 9) = √10 e d(P, B) = √(9 + 1) = √10.
Dica: para comparar distâncias, compare seus quadrados. Isso evita lidar com raízes.
3. Ponto médio e baricentro
3.1 Ponto médio
O ponto médio de um segmento AB tem coordenadas iguais às médias das coordenadas das extremidades:
Exemplo. O ponto médio de A(1, 2) e B(7, 10) é M(4, 6).
Encontrar uma extremidade. Se M(3, 4) é o ponto médio de AB, com A(1, 1), então:
- (1 + x)/2 = 3, logo x = 5;
- (1 + y)/2 = 4, logo y = 7;
- B(5, 7).
3.2 Quarto vértice de um paralelogramo
No paralelogramo, as diagonais se cortam ao meio: as duas diagonais têm o mesmo ponto médio. Para o paralelogramo ABCD:
Exemplo. Com A(1, 1), B(5, 2) e C(6, 5):
D = (1 + 6 − 5, 1 + 5 − 2) = (2, 4)
Verificação: o ponto médio de AC é (3,5; 3), e o de BD é ((5 + 2)/2, (2 + 4)/2) = (3,5; 3).
3.3 Baricentro
O baricentro de um triângulo, encontro das medianas, tem coordenadas iguais às médias das coordenadas dos três vértices:
4. Área por coordenadas e condição de alinhamento
4.1 Área de um triângulo
Para um triângulo de vértices A(x_A, y_A), B(x_B, y_B) e C(x_C, y_C), calcula-se:
D = x_A(y_B − y_C) + x_B(y_C − y_A) + x_C(y_A − y_B)
Esse número D é o determinante de uma matriz 3 × 3 formada pelas coordenadas, como se verá no artigo de Matrizes.
Exemplo. Triângulo de vértices A(1, 1), B(5, 1) e C(3, 4).
D = 1(1 − 4) + 5(4 − 1) + 3(1 − 1) = −3 + 15 + 0 = 12
Área = 12 ÷ 2 = 6
Verificação: a base AB mede 4, e a altura, 3. A área é 4 · 3 ÷ 2 = 6.
4.2 Área de um polígono qualquer (fórmula do cadarço)
Liste os vértices em ordem, percorrendo o contorno, e repita o primeiro no final. Some os produtos "cruzados" de cada par de vértices consecutivos, x_i · y_(i+1) − x_(i+1) · y_i. A área é metade do valor absoluto dessa soma.
Exemplo. Quadrilátero de vértices (0, 0), (6, 0), (8, 5) e (2, 6).
| Par de vértices consecutivos | x_i · y_(i+1) − x_(i+1) · y_i |
|---|---|
| (0, 0) → (6, 0) | 0 · 0 − 6 · 0 = 0 |
| (6, 0) → (8, 5) | 6 · 5 − 8 · 0 = 30 |
| (8, 5) → (2, 6) | 8 · 6 − 2 · 5 = 38 |
| (2, 6) → (0, 0) | 2 · 0 − 0 · 6 = 0 |
| Soma | 68 |
Área = 68 ÷ 2 = 34.
Os vértices devem ser listados na ordem do contorno. Uma ordem fora de sequência produz um resultado errado.
4.3 Condição de alinhamento de três pontos
Três pontos estão alinhados quando o triângulo que formariam tem área zero:
Uma forma equivalente, e muitas vezes mais rápida, é verificar se o coeficiente angular de AB é igual ao de BC (seção 5).
Exemplo 1. Os pontos A(1, 2), B(3, 6) e C(5, 10) estão alinhados?
- Inclinação de AB: (6 − 2) ÷ (3 − 1) = 2.
- Inclinação de BC: (10 − 6) ÷ (5 − 3) = 2.
- As inclinações são iguais: os pontos estão alinhados.
Exemplo 2. Para que valor de k os pontos (1, 1), (3, 5) e (k, 9) estão alinhados?
- A inclinação entre os dois primeiros é (5 − 1) ÷ (3 − 1) = 2.
- Para manter essa inclinação: 9 − 1 = 2(k − 1).
- Logo, k = 5.
5. Coeficiente angular
5.1 Definição
O coeficiente angular de uma reta não vertical mede sua inclinação. Para dois pontos A(x₁, y₁) e B(x₂, y₂) da reta:
Se α é o ângulo que a reta forma com o sentido positivo do eixo x:
Exemplo. A reta que passa por A(1, 2) e B(4, 8) tem m = 6 ÷ 3 = 2.
5.2 Interpretação
| Coeficiente angular | Reta | Ângulo α |
|---|---|---|
| m > 0 | crescente | agudo |
| m < 0 | decrescente | obtuso |
| m = 0 | horizontal | 0° |
| não definido | vertical | 90° |
Ângulos e coeficientes conhecidos:
| m | α |
|---|---|
| 1 | 45° |
| √3 | 60° |
| √3/3 | 30° |
| −1 | 135° |
O coeficiente angular é a taxa de variação de y em relação a x: quanto y muda quando x aumenta uma unidade. É o mesmo conceito estudado no artigo de Função do Primeiro Grau.
6. Equação da reta
6.1 Forma ponto-inclinação
Conhecendo um ponto (x₀, y₀) e o coeficiente angular m:
Exemplo. Reta que passa por (2, 3) com m = 4:
y − 3 = 4(x − 2), logo y = 4x − 5
6.2 Forma reduzida
- m é o coeficiente angular;
- n é o coeficiente linear: a ordenada do ponto em que a reta corta o eixo y.
6.3 Forma geral
Para passar à forma reduzida, isole y. Quando b ≠ 0:
Exemplo. A reta 2x + 3y − 6 = 0 tem forma reduzida y = −(2/3)x + 2.
6.4 Reta que passa por dois pontos
- Calcule m pelos dois pontos.
- Use a forma ponto-inclinação com qualquer um deles.
Exemplo. Reta por (1, 2) e (3, 8):
- m = (8 − 2) ÷ (3 − 1) = 3.
- y − 2 = 3(x − 1), logo y = 3x − 1.
- Verificação com o segundo ponto: 3 · 3 − 1 = 8.
6.5 Forma segmentária
Quando a reta corta os eixos nos pontos (p, 0) e (0, q), com p e q não nulos:
Exemplo. A reta 2x + 3y = 6, dividida por 6, fica x/3 + y/2 = 1. Ela corta o eixo x em (3, 0) e o eixo y em (0, 2). O triângulo que ela forma com os eixos tem área 3 · 2 ÷ 2 = 3.
6.6 Casos especiais
| Reta | Equação |
|---|---|
| Horizontal pelo ponto (0, k) | y = k |
| Vertical pelo ponto (k, 0) | x = k (não tem coeficiente angular) |
| Que passa pela origem | y = mx |
6.7 Interseção de duas retas
O ponto de interseção é a solução do sistema formado pelas duas equações, como estudado no artigo de Sistemas de Equações.
Exemplo. As retas y = 2x + 1 e y = −x + 7 se cruzam quando 2x + 1 = −x + 7. Então x = 2 e y = 5. O ponto é (2, 5).
7. Paralelismo, perpendicularidade e distâncias
7.1 Retas paralelas
Se, além disso, os coeficientes lineares também forem iguais, as retas são coincidentes.
Exemplo. A reta paralela a y = 2x + 1 que passa por (3, 1):
y − 1 = 2(x − 3), logo y = 2x − 5
7.2 Retas perpendiculares
Em outras palavras, o coeficiente angular de uma é o inverso do oposto do coeficiente da outra: m₂ = −1/m₁.
Por que funciona. Uma reta de coeficiente m tem a direção do deslocamento (1, m): andar 1 para a direita e m para cima. Girando esse deslocamento em 90°, obtém-se (−m, 1), que corresponde ao coeficiente angular 1/(−m) = −1/m.
Exemplo. A reta perpendicular a y = 2x + 1 que passa por (2, 3):
- m = −1/2.
- y − 3 = −(1/2)(x − 2), logo y = −x/2 + 4.
O erro mais comum é trocar apenas o sinal (usar −2) ou apenas inverter (usar 1/2). As duas operações são necessárias.
7.3 Distância de ponto a reta
A distância do ponto P(x₀, y₀) à reta ax + by + c = 0 é medida pela perpendicular:
A reta precisa estar na forma geral.
Exemplo. Distância de P(1, 2) à reta 3x + 4y − 1 = 0:
d = |3 + 8 − 1| ÷ √(9 + 16) = 10 ÷ 5 = 2
Aplicações:
- calcular a altura de um triângulo relativa a um lado;
- verificar se uma reta é tangente a uma circunferência (seção 8.6);
- calcular a distância entre retas paralelas, tomando um ponto qualquer de uma delas.
7.4 Mediatriz de um segmento
A mediatriz de AB é a reta perpendicular a AB que passa pelo seu ponto médio. Todos os seus pontos são equidistantes de A e de B.
Exemplo. Mediatriz de A(1, 1) e B(5, 3):
- Ponto médio: M(3, 2).
- Coeficiente angular de AB: 2/4 = 1/2. O da mediatriz é −2.
- y − 2 = −2(x − 3), logo y = −2x + 8.
O ponto equidistante de três pontos não alinhados, o circuncentro, é a interseção de duas mediatrizes, como estudado na Geometria Plana, Parte 1.
8. Circunferência
8.1 Equação reduzida
A circunferência de centro C(a, b) e raio r é o conjunto dos pontos P(x, y) cuja distância a C é r. Elevando a fórmula da distância ao quadrado:
Exemplo. Circunferência de centro (2, −3) e raio 4:
(x − 2)² + (y + 3)² = 16
Atenção aos sinais. O centro aparece com sinal trocado dentro dos parênteses. Em (y + 3)², a ordenada do centro é −3.
8.2 Equação geral
Desenvolvendo a equação reduzida, obtém-se a forma geral:
Exemplo. Desenvolvendo (x − 2)² + (y + 3)² = 16:
x² − 4x + 4 + y² + 6y + 9 = 16
x² + y² − 4x + 6y − 3 = 0
8.3 Da forma geral para o centro e o raio
Pelo completamento de quadrados. Para x² + y² − 6x + 4y − 12 = 0:
- Agrupe: (x² − 6x) + (y² + 4y) = 12.
- Complete os quadrados: (x² − 6x + 9) + (y² + 4y + 4) = 12 + 9 + 4.
- (x − 3)² + (y + 2)² = 25.
- Centro C(3, −2) e raio r = 5.
Pelo atalho. Na equação x² + y² + Dx + Ey + F = 0:
No exemplo: a = 3, b = −2 e r² = 9 + 4 + 12 = 25.
Condições para que a equação represente uma circunferência:
- os coeficientes de x² e de y² são iguais (e, depois de dividir, iguais a 1);
- não há termo em xy;
- r² > 0.
Se r² = 0, a equação representa apenas um ponto. Se r² < 0, não representa nenhum ponto.
8.4 Circunferência a partir do diâmetro
Se A(1, 2) e B(7, 10) são as extremidades de um diâmetro:
- O centro é o ponto médio: (4, 6).
- O raio é metade de AB: AB = √(36 + 64) = 10, logo r = 5.
- (x − 4)² + (y − 6)² = 25.
8.5 Posição de um ponto em relação à circunferência
Substitua as coordenadas do ponto na expressão (x − a)² + (y − b)² e compare com r²:
| Resultado | Posição do ponto |
|---|---|
| menor que r² | interior |
| igual a r² | sobre a circunferência |
| maior que r² | exterior |
Exemplo. Para a circunferência (x − 3)² + (y + 2)² = 25:
- P(6, 2): 9 + 16 = 25. O ponto está sobre a circunferência.
- Q(4, 0): 1 + 4 = 5 < 25. O ponto é interior.
8.6 Posição de uma reta em relação à circunferência
Compare a distância do centro à reta com o raio, como na Geometria Plana, Parte 2:
| Distância | Reta |
|---|---|
| d < r | secante |
| d = r | tangente |
| d > r | exterior |
Exemplo. A circunferência x² + y² = 25 tem centro na origem e raio 5. A distância do centro à reta 3x + 4y − 25 = 0 é:
d = |0 + 0 − 25| ÷ 5 = 5
A reta é tangente. O ponto de tangência é (3, 4).
8.7 Aplicação: área de cobertura
Uma antena localizada no ponto (2, 3) de um mapa, com escala em quilômetros, tem alcance de 5 km. Quais localidades são atendidas?
A região atendida é o círculo (x − 2)² + (y − 3)² ≤ 25.
- O ponto (6, 6) está a √(16 + 9) = 5 km: na borda, é atendido.
- O ponto (6, 7) está a √(16 + 16) ≈ 5,66 km: fora do alcance.
- O ponto (2, −1) está a 4 km: atendido.
9. Distinções importantes
| Conceito | Não confundir com | Diferença |
|---|---|---|
| Distância em linha reta | Distância pelas ruas | √(Δx² + Δy²) versus |Δx| + |Δy| |
| Ponto médio | Baricentro | Média de dois pontos ou de três vértices |
| Coeficiente angular (m) | Coeficiente linear (n) | m é a inclinação; n é o corte no eixo y |
| Retas paralelas | Retas perpendiculares | m₁ = m₂ versus m₁ · m₂ = −1 |
| −1/m | −m ou 1/m | A perpendicular exige inverter e trocar o sinal |
| Reta vertical x = k | Reta horizontal y = k | A vertical não tem coeficiente angular |
| Centro (a, b) | Sinais na equação | Em (x − a)², o centro aparece com sinal trocado |
| r² | r | A equação traz r²; o raio é a raiz |
| Área D/2 | Área D | É preciso dividir por 2 e tomar o valor absoluto |
| Ponto na circunferência | Ponto no círculo | Sobre a linha (= r²) ou na região (≤ r²) |
10. Erros recorrentes e como evitá-los
Confundir distância em linha reta com distância pelas ruas. Controle: verifique se o deslocamento pode atravessar quarteirões.
Esquecer a raiz na fórmula da distância. Controle: a distância tem a mesma unidade das coordenadas, e não unidade ao quadrado.
Inverter a ordem no coeficiente angular. Calcular Δx/Δy. Controle: é sempre a variação vertical dividida pela horizontal.
Para a perpendicular, só trocar o sinal ou só inverter. Controle: confira se m₁ · m₂ = −1.
Ler o centro da circunferência com o sinal errado. Controle: em (x − 3)² + (y + 2)² = 25, o centro é (3, −2).
Usar r² como raio. Controle: extraia a raiz do segundo membro.
Aplicar a distância ponto-reta com a reta na forma reduzida. Controle: passe a reta para a forma geral antes.
Listar os vértices fora de ordem na fórmula do cadarço. Controle: percorra o contorno em um único sentido.
Esquecer de dividir por 2 na área por coordenadas. Controle: teste em um triângulo simples, de base e altura conhecidas.
Verificação geral. Substitua os pontos dados na equação obtida. Eles devem satisfazê-la.
11. Questões comentadas (autorais, padrão ENEM)
Questão 1 (H6, nível fácil)
No mapa quadriculado de um bairro, cada unidade corresponde a 1 km. Uma escola está no ponto (1, 2), e um hospital, no ponto (5, 5). A distância em linha reta entre a escola e o hospital é:
A) 3 km
B) 4 km
C) 5 km
D) 7 km
E) 25 km
Gabarito: C
Resolução.
d = √[(5 − 1)² + (5 − 2)²] = √(16 + 9) = √25 = 5 km
Análise dos distratores.
- D: é a distância percorrida pelas ruas (4 + 3).
- E: é o quadrado da distância, sem extrair a raiz.
- A e B: são os catetos isolados.
Questão 2 (H8, nível médio)
Uma rodovia retilínea coincide com o eixo x de um sistema de coordenadas cuja unidade é o quilômetro. Duas cidades estão nos pontos A(1, 3) e B(5, 1). Um posto de saúde será construído às margens da rodovia, à mesma distância das duas cidades. O posto deve ficar no ponto:
A) (2, 0)
B) (3, 0)
C) (3, 2)
D) (0, 2)
E) (4, 0)
Gabarito: A
Resolução. Com P(x, 0):
(x − 1)² + 9 = (x − 5)² + 1
8x = 16
x = 2
Análise dos distratores.
- C: é o ponto médio de AB, que é equidistante das duas cidades, mas não está na rodovia.
- B: toma a abscissa do ponto médio, sem verificar a equidistância. Na verdade, P(3, 0) está a √13 de A e a √5 de B.
Questão 3 (H19, nível médio)
A equação da reta que passa pelos pontos A(1, 2) e B(3, 8) é:
A) y = 3x + 1
B) y = 3x − 1
C) y = x/3 + 5/3
D) y = −3x + 5
E) y = 6x − 4
Gabarito: B
Resolução.
- m = (8 − 2) ÷ (3 − 1) = 3.
- y − 2 = 3(x − 1), logo y = 3x − 1.
Análise dos distratores.
- C: calcula Δx/Δy, invertendo o coeficiente angular.
- A: usa o coeficiente angular correto, mas erra o sinal do coeficiente linear.
- D: erra o sinal do coeficiente angular.
- E: não divide Δy por Δx.
Questão 4 (H21, nível médio)
No mapa de uma cidade, uma avenida é representada pela reta y = 2x + 1. Uma nova rua será construída perpendicular à avenida, passando pelo ponto (2, 3). A equação da nova rua é:
A) y = 2x − 1
B) y = −2x + 7
C) y = x/2 + 2
D) y = −x/2 + 4
E) y = −x/2 + 3
Gabarito: D
Resolução.
- O coeficiente angular da perpendicular é −1/2.
- y − 3 = −(1/2)(x − 2), logo y = −x/2 + 4.
Análise dos distratores.
- A: dá uma reta paralela à avenida.
- B: apenas troca o sinal do coeficiente angular.
- C: apenas inverte o coeficiente, sem trocar o sinal.
- E: usa o coeficiente correto, mas erra o cálculo do coeficiente linear.
Questão 5 (H19, nível médio)
A circunferência de equação x² + y² − 6x + 4y − 12 = 0 tem centro e raio, respectivamente:
A) C(−3, 2) e r = 5
B) C(3, −2) e r = 5
C) C(3, −2) e r = √12
D) C(6, −4) e r = 12
E) C(3, −2) e r = 25
Gabarito: B
Resolução. Completando quadrados:
(x − 3)² + (y + 2)² = 12 + 9 + 4 = 25
O centro é (3, −2), e o raio, 5.
Análise dos distratores.
- A: lê o centro com os sinais dos coeficientes, sem trocá-los.
- C: usa o termo independente como r², esquecendo de somar os quadrados completados.
- D: toma os coeficientes de x e de y, sem dividir por 2.
- E: dá r² no lugar de r.
Questão 6 (H6, nível médio)
Em um mapa com escala em quilômetros, uma antena está no ponto (2, 3) e atende todas as localidades a até 5 km de distância. Das localidades abaixo, a única que não é atendida pela antena é a situada no ponto:
A) (2, −1)
B) (5, 7)
C) (−1, −1)
D) (6, 7)
E) (6, 6)
Gabarito: D
Resolução. Calculando as distâncias até a antena:
| Ponto | Distância | Situação |
|---|---|---|
| (2, −1) | 4 km | atendido |
| (5, 7) | √(9 + 16) = 5 km | atendido (na borda) |
| (−1, −1) | √(9 + 16) = 5 km | atendido (na borda) |
| (6, 7) | √(16 + 16) ≈ 5,66 km | não atendido |
| (6, 6) | √(16 + 9) = 5 km | atendido (na borda) |
Análise dos distratores. As alternativas B, C e E estão exatamente sobre a borda da região atendida. Elas atraem quem exclui os pontos com distância igual a 5 km, quando o enunciado diz "até 5 km".
Questão 7 (H8, nível difícil)
A planta de um terreno foi desenhada em um sistema de coordenadas no qual cada unidade corresponde a 10 m. Os vértices do terreno, na ordem do contorno, são (0, 0), (6, 0), (8, 5) e (2, 6). A área real do terreno é:
A) 34 m²
B) 340 m²
C) 3.400 m²
D) 6.800 m²
E) 34.000 m²
Gabarito: C
Resolução.
- Pela fórmula do cadarço, a soma dos produtos cruzados é 0 + 30 + 38 + 0 = 68. A área no desenho é 34 unidades quadradas.
- Cada unidade quadrada corresponde a 10 m × 10 m = 100 m².
- Área real: 34 × 100 = 3.400 m².
Análise dos distratores.
- B: aplica a escala linear (×10) à área, quando a escala de áreas é o quadrado (×100).
- D: esquece de dividir por 2.
- A: não aplica a escala.
12. Perguntas frequentes
De onde vem a fórmula da distância entre dois pontos?
Do teorema de Pitágoras. As diferenças de x e de y são os catetos de um triângulo retângulo cuja hipotenusa é o segmento.
Qual a diferença entre distância em linha reta e distância pelas ruas?
A primeira é a hipotenusa, √(Δx² + Δy²). A segunda é a soma dos catetos, |Δx| + |Δy|, porque o deslocamento é feito ao longo de ruas perpendiculares.
O que o coeficiente angular representa?
A inclinação da reta: quanto y varia quando x aumenta uma unidade. É a tangente do ângulo que a reta forma com o eixo x.
Como saber se duas retas são perpendiculares?
Multiplique os coeficientes angulares. Se o produto for −1, elas são perpendiculares.
Por que a reta vertical não tem coeficiente angular?
Porque Δx = 0, e o coeficiente seria uma divisão por zero.
Como verificar se três pontos estão alinhados?
Compare os coeficientes angulares dos segmentos AB e BC, ou verifique se a área do triângulo que eles formariam é zero.
Como encontrar o centro e o raio a partir da equação geral da circunferência?
Complete os quadrados, ou use a = −D/2, b = −E/2 e r² = a² + b² − F.
Toda equação do tipo x² + y² + Dx + Ey + F = 0 é uma circunferência?
Não. É preciso que r² = a² + b² − F seja positivo. Se for zero, a equação representa um ponto; se for negativo, nenhum ponto.
Como saber se uma reta é tangente a uma circunferência?
Calcule a distância do centro à reta. Se for igual ao raio, a reta é tangente.
14. Síntese
A geometria analítica traduz figuras em equações por meio de coordenadas. No plano cartesiano, cada ponto é um par ordenado, e reflexões e translações alteram as coordenadas de forma previsível.
A distância entre dois pontos é √(Δx² + Δy²), consequência do teorema de Pitágoras. Em percursos pelas ruas de uma quadrícula, a distância é |Δx| + |Δy|. O ponto médio é a média das coordenadas, e o baricentro é a média dos três vértices. A área de polígonos pode ser obtida pelas coordenadas, e três pontos estão alinhados quando formam um triângulo de área zero, ou quando têm a mesma inclinação dois a dois.
O coeficiente angular, m = Δy/Δx = tg α, mede a inclinação da reta. A equação da reta pode ser escrita nas formas ponto-inclinação, reduzida (y = mx + n), geral (ax + by + c = 0) ou segmentária. Retas paralelas têm coeficientes angulares iguais, e retas perpendiculares têm produto −1. A distância de um ponto a uma reta é |ax₀ + by₀ + c|/√(a² + b²).
A circunferência de centro (a, b) e raio r tem equação (x − a)² + (y − b)² = r². A forma geral se converte na reduzida por completamento de quadrados. A posição de um ponto se decide comparando sua distância ao centro com o raio, e a de uma reta, comparando a distância do centro à reta com o raio.
| Situação | Ferramenta |
|---|---|
| Distância em linha reta | √[(x₂ − x₁)² + (y₂ − y₁)²] |
| Distância pelas ruas | |Δx| + |Δy| |
| Ponto médio | média das coordenadas |
| Baricentro | média dos três vértices |
| Área do triângulo | |D|/2 |
| Área de polígono | fórmula do cadarço |
| Alinhamento | inclinações iguais ou D = 0 |
| Coeficiente angular | Δy/Δx = tg α |
| Reta por um ponto | y − y₀ = m(x − x₀) |
| Paralelas | m₁ = m₂ |
| Perpendiculares | m₁ · m₂ = −1 |
| Distância de ponto a reta | |ax₀ + by₀ + c|/√(a² + b²) |
| Circunferência | (x − a)² + (y − b)² = r² |
| Centro e raio da forma geral | completar quadrados |
| Ponto e circunferência | comparar com r² |
| Reta e circunferência | comparar a distância ao centro com r |
15. Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| Plano cartesiano | Plano com dois eixos perpendiculares que permitem localizar pontos por coordenadas |
| Abscissa | Coordenada x de um ponto |
| Ordenada | Coordenada y de um ponto |
| Quadrante | Cada uma das quatro regiões em que os eixos dividem o plano |
| Ponto médio | Ponto que divide um segmento em duas partes iguais |
| Baricentro | Encontro das medianas de um triângulo |
| Coeficiente angular | Razão Δy/Δx; inclinação da reta |
| Coeficiente linear | Ordenada do ponto em que a reta corta o eixo y |
| Equação reduzida da reta | y = mx + n |
| Equação geral da reta | ax + by + c = 0 |
| Retas paralelas | Retas com o mesmo coeficiente angular |
| Retas perpendiculares | Retas cujos coeficientes angulares têm produto −1 |
| Mediatriz | Reta perpendicular a um segmento pelo seu ponto médio |
| Equação reduzida da circunferência | (x − a)² + (y − b)² = r² |
| Completamento de quadrados | Técnica para escrever uma expressão quadrática como quadrado de um binômio mais uma constante |
| Reta tangente | Reta cuja distância ao centro da circunferência é igual ao raio |
13. Exercícios de fixação resolvidos
Tente resolver antes de conferir a resposta.
Exercício 1
AutoralCalcule a distância entre (−2, 1) e (4, 9).
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Resposta
√(36 + 64) = 10.
Exercício 2
AutoralCalcule o ponto médio entre (−2, 1) e (4, 9).
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Resposta
(1, 5).
Exercício 3
AutoralOs pontos (0, 1), (2, 5) e (4, 9) estão alinhados?
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Resposta
Os coeficientes angulares dos segmentos são 4/2 = 2 e 4/2 = 2. Sim, estão alinhados.
Exercício 4
AutoralCalcule o coeficiente angular da reta que passa por (−1, 4) e (3, −4).
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Resposta
−8 ÷ 4 = −2.
Exercício 5
AutoralDetermine a equação da reta que passa por (2, 5) com coeficiente angular −3.
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Resposta
y − 5 = −3(x − 2), logo y = −3x + 11.
Exercício 6
AutoralEscreva a forma reduzida de 4x − 2y + 6 = 0.
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Resposta
2y = 4x + 6, logo y = 2x + 3.
Exercício 7
AutoralDetermine a reta paralela a y = −x + 2 que passa por (4, 1).
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Resposta
y − 1 = −(x − 4), logo y = −x + 5.
Exercício 8
AutoralCalcule a distância do ponto (2, 1) à reta 4x + 3y + 9 = 0.
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Resposta
|8 + 3 + 9| ÷ 5 = 4.
Exercício 9
AutoralEscreva a equação da circunferência de centro (−1, 4) e raio 3.
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Resposta
(x + 1)² + (y − 4)² = 9.
Exercício 10
AutoralDetermine o centro e o raio de x² + y² + 2x − 8y + 8 = 0.
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Resposta
(x + 1)² + (y − 4)² = −8 + 1 + 16 = 9. Centro (−1, 4) e raio 3.
Referências
- Brasil. INEP. Matriz de Referência do ENEM. Matemática e suas Tecnologias: competências de área e habilidades.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Matemática e suas Tecnologias no Ensino Médio.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Lima, E. L.; Carvalho, P. C. P.; Wagner, E.; Morgado, A. C. A Matemática do Ensino Médio. Rio de Janeiro: SBM (Coleção do Professor de Matemática).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Iezzi, G. et al. Fundamentos de Matemática Elementar, v. 7: Geometria Analítica. São Paulo: Atual.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Figuras da Biblioteca ASSAAD
Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.



