Uma notícia sobre o aumento da temperatura média do planeta, um desabafo em um diário, um anúncio que pede "compre agora", um "alô, tá me ouvindo?" ao telefone, o verbete de dicionário que explica o que é um "verbo" e um poema que brinca com o som das palavras usam a mesma língua. Mas cada um faz a linguagem trabalhar de um jeito diferente, porque cada um tem uma finalidade diferente: informar, expressar sentimentos, convencer, testar o contato, explicar a própria língua ou criar beleza com as palavras.
O linguista russo Roman Jakobson propôs, em 1960, um modelo que relaciona essas finalidades aos elementos da comunicação: cada mensagem pode se concentrar em um desses elementos, e essa ênfase define uma função da linguagem. Este artigo apresenta primeiro os elementos da comunicação, o contexto comunicativo e o ruído. Em seguida, estuda as seis funções, com suas marcas linguísticas e seus gêneros típicos. Por fim, mostra como as funções se combinam nos textos reais e como identificar a função predominante, que é o que as provas costumam pedir.
1. A comunicação e seus elementos
1.1 Os seis elementos
| Elemento | O que é | Exemplo: um aluno envia a um colega a mensagem "A prova de Química foi adiada para sexta" |
|---|---|---|
| Emissor (remetente, locutor) | Quem produz e envia a mensagem | O aluno que escreve |
| Receptor (destinatário, interlocutor) | Quem recebe e interpreta a mensagem | O colega que lê |
| Mensagem | O texto produzido, a forma concreta do que é comunicado | A frase enviada |
| Canal | O meio físico ou técnico pelo qual a mensagem circula | O aplicativo de mensagens, a rede de internet, a tela do celular |
| Código | O sistema de sinais usado para produzir a mensagem, conhecido pelos dois | A língua portuguesa escrita |
| Referente (contexto, no modelo de Jakobson) | O assunto, aquilo de que se fala | O adiamento da prova de Química |
O código pode ser verbal, formado por palavras, faladas ou escritas; não verbal, formado por imagens, gestos, cores, sons ou símbolos, como as placas de trânsito, o semáforo, o código Morse e os emojis; ou misto, que combina palavras e imagens, como nas histórias em quadrinhos, nas charges e na publicidade. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma língua completa, com gramática própria, reconhecida oficialmente no Brasil desde 2002 como meio legal de comunicação e expressão.
1.2 Contexto comunicativo
O contexto comunicativo é a situação em que a comunicação ocorre: quem fala com quem, onde, quando, com que finalidade e com que grau de intimidade. O contexto determina as escolhas de linguagem e a interpretação da mensagem.
| Situação | Adequação da linguagem |
|---|---|
| Conversa com amigos | Registro informal, gírias, frases curtas |
| Entrevista de emprego | Registro formal, vocabulário cuidadoso |
| Requerimento a um órgão público | Linguagem formal, impessoal, com fórmulas próprias |
| Mensagem para um grupo de família | Registro informal, afetivo |
A mesma frase pode ter sentidos diferentes em contextos diferentes: "Que bonito, hein!" pode ser um elogio sincero ou uma ironia, conforme a situação.
1.3 Ruído na comunicação
Ruído é qualquer interferência que prejudica a transmissão ou a compreensão da mensagem. O conceito vem da teoria matemática da comunicação, formulada por Claude Shannon e Warren Weaver em 1949, e foi ampliado para as situações do cotidiano.
| Tipo de ruído | Exemplo |
|---|---|
| Físico | Barulho de trânsito que impede ouvir uma conversa |
| Técnico | Falha no sinal do celular; áudio cortado; letra ilegível |
| Linguístico | Vocabulário desconhecido pelo receptor; frase ambígua; erro de digitação que muda o sentido |
| Cultural ou contextual | Referência que o receptor não conhece; gíria de um grupo usada com quem não é do grupo |
| Psicológico | Falta de atenção, cansaço, preconceito em relação ao emissor |
Para reduzir o ruído, usam-se a redundância, repetindo ou reformulando a informação importante; a clareza, com vocabulário e registro adequados ao receptor; a verificação, perguntando se a mensagem foi entendida; e a troca de canal. A resposta do receptor, que permite ao emissor saber se foi compreendido, é chamada de retroalimentação (feedback); não faz parte do esquema original de Jakobson, mas é importante na comunicação real.
2. As seis funções da linguagem
2.1 O princípio de Jakobson
Jakobson partiu de um modelo anterior, do psicólogo alemão Karl Bühler (1934), que descrevia três funções: representar o mundo, expressar o emissor e apelar ao receptor. Jakobson o ampliou, associando uma função a cada um dos seis elementos da comunicação.
2.2 Função referencial (denotativa)
Foco no referente: o objetivo é informar sobre um assunto de forma objetiva. As marcas são a linguagem denotativa; a terceira pessoa e as construções impessoais, como "observou-se" e "estima-se"; o predomínio de frases declarativas; a presença de dados, datas, números e fontes; e pouca ou nenhuma marca de opinião ou sentimento do emissor. Gêneros típicos: notícias, reportagens, textos científicos e didáticos, verbetes de enciclopédia, relatórios, atas e boletins meteorológicos.
A notícia costuma começar pelo lide, um parágrafo inicial que responde às perguntas principais sobre o fato: o quê, quem, quando, onde, como e por quê.
2.3 Função emotiva (expressiva)
Foco no emissor: o objetivo é expressar sentimentos, emoções, opiniões e impressões de quem fala ou escreve. As marcas são a primeira pessoa; as interjeições (ah!, oh!, nossa!); as frases exclamativas e as reticências; adjetivos e advérbios de avaliação pessoal; verbos de opinião e sentimento (acho, sinto, adoro); e o sentido conotativo frequente. Gêneros típicos: diários, cartas pessoais, desabafos, depoimentos, poemas líricos, relatos pessoais e postagens pessoais em redes sociais.
2.4 Função conativa (apelativa)
Foco no receptor: o objetivo é influenciar o comportamento do destinatário, levando-o a agir, pensar ou sentir de determinada forma. As marcas são os verbos no imperativo (compre, venha, não perca); o vocativo ("Você, estudante…"); a segunda pessoa ou os pronomes de tratamento que a substituem; as perguntas dirigidas ao receptor; e promessas e argumentos voltados ao interesse dele. Gêneros típicos: propagandas, campanhas de conscientização, discursos políticos, sermões, manuais de instrução e receitas, horóscopos e cartas de solicitação.
2.5 Função fática
Foco no canal: o objetivo é estabelecer, testar, manter ou encerrar o contato. O que importa não é o conteúdo, mas garantir que a comunicação esteja funcionando. Marcas: cumprimentos e despedidas ("Oi", "Bom dia", "Tchau"); testes de canal ("Alô?", "Tá me ouvindo?", "Testando, um, dois, três"); verificações de atenção ("Entendeu?", "Né?", "Certo?"); e expressões de manutenção da conversa ("Pois é", "Então…", "Sei"). Situações típicas: telefonemas, conversas informais, início e fim de mensagens, apresentações orais e conversas sobre o tempo com desconhecidos, como "Que calor, hein?".
2.6 Função metalinguística
Foco no código: o texto usa a linguagem para falar da própria linguagem. Marcas: definições e explicações de palavras, expressões e regras; termos que se referem à linguagem (palavra, verbo, frase, poema, verso); e comentários sobre o próprio texto ("Neste capítulo…", "Em outras palavras…"). Gêneros e situações típicas: dicionários, gramáticas, aulas de língua, poemas que falam do fazer poético, filmes sobre cinema, pinturas que representam o ato de pintar.
A metalinguagem não é exclusiva da língua verbal: um filme sobre a produção de um filme, uma música sobre o ato de compor e os making of também são metalinguísticos.
2.7 Função poética
Foco na mensagem: o texto chama a atenção para sua própria forma: a escolha das palavras, o ritmo, a sonoridade, a disposição no espaço, os duplos sentidos. O como se diz ganha tanta importância quanto o quê se diz. Marcas: ritmo, métrica e rimas; sonoridade, com aliterações, assonâncias e onomatopeias; figuras de linguagem em geral; ambiguidade intencional e jogos de palavras; e escolhas incomuns na ordem das palavras e na disposição do texto. Gêneros e situações típicas: poemas, letras de música, prosa literária, slogans publicitários, trocadilhos, provérbios, títulos criativos e textos de humor.
2.8 Quadro-resumo
| Função | Foco | Objetivo | Marcas principais | Gêneros típicos |
|---|---|---|---|---|
| Referencial | Referente | Informar | 3ª pessoa, denotação, dados | Notícia, verbete, texto científico |
| Emotiva | Emissor | Expressar | 1ª pessoa, interjeições, exclamações | Diário, carta pessoal, desabafo |
| Conativa | Receptor | Convencer, orientar | Imperativo, vocativo, 2ª pessoa | Propaganda, campanha, manual |
| Fática | Canal | Manter o contato | Cumprimentos, "alô?", "entendeu?" | Telefonema, conversa informal |
| Metalinguística | Código | Explicar a linguagem | Definições, termos sobre a língua | Dicionário, gramática, metapoema |
| Poética | Mensagem | Explorar a forma | Ritmo, rima, sonoridade, figuras | Poema, slogan, provérbio |
3. Combinação e predominância
3.1 Um tema, várias funções
| Texto | Função predominante | Por quê |
|---|---|---|
| "Choveu 120 mm em 24 horas, segundo a Defesa Civil." | Referencial | Informa com dados e fonte |
| "Que noite de pavor! Eu não conseguia dormir…" | Emotiva | Expressa o sentimento do emissor |
| "Não enfrente a enxurrada! Procure um local seguro." | Conativa | Orienta o comportamento do receptor |
| "Alô? A ligação caiu por causa da chuva?" | Fática | Testa o canal |
| "'Enxurrada' é o volume de água que escorre com força após chuvas intensas." | Metalinguística | Explica o sentido de uma palavra |
| "Chove, chove, e a cidade chora com a chuva." | Poética | Chama a atenção para o som e a forma |
3.2 Como identificar a função predominante
4. Exemplos resolvidos
5. Erros conceituais frequentes
| Erro | Por que está errado | Forma correta |
|---|---|---|
| Cada texto tem uma única função | As funções se combinam | Identificar a predominante |
| Função poética só existe na poesia | Aparece em slogans, provérbios e manchetes | Ocorre sempre que a forma é o centro de atenção |
| Todo texto em primeira pessoa é emotivo | O foco pode ser outro | Analisar a finalidade |
| Todo texto com imperativo é conativo | Um poema com imperativos pode ser predominantemente poético | A finalidade decide |
| Função fática é "falar sobre o canal" | É usar a linguagem para testar ou manter o contato | "Alô?", "Entendeu?" |
| Metalinguagem é só dicionário | É qualquer uso do código para falar de si mesmo | Poema sobre poesia, filme sobre cinema |
| Canal e código são a mesma coisa | Canal é o meio; código é o sistema de sinais | Celular × língua portuguesa |
| Referente é o receptor | O referente é o assunto | "De que se fala?" |
| Texto referencial é totalmente neutro | Envolve escolhas de fatos, palavras e fontes | A objetividade é relativa |
| Ruído é só barulho | Pode ser técnico, linguístico, cultural ou psicológico | Qualquer interferência na comunicação |
| Função emotiva exige sentimentos fortes | Opiniões e avaliações pessoais também a caracterizam | Foco no emissor |
6. Distinções importantes
Emissor e receptor. O emissor produz a mensagem; o receptor a interpreta.
Canal e código. O canal é o meio físico ou técnico, como a voz, o papel ou a internet; o código é o sistema de sinais, como a língua portuguesa ou a Libras.
Referente e contexto comunicativo. O referente é o assunto; o contexto comunicativo é a situação em que a comunicação ocorre.
Função referencial e emotiva. A referencial tem foco no assunto, é objetiva e usa a terceira pessoa; a emotiva tem foco no emissor, é subjetiva e usa a primeira pessoa.
Função emotiva e conativa. A emotiva expressa o que o emissor sente; a conativa procura influenciar o que o receptor faz ou pensa.
Função fática e conativa. A fática quer manter o contato ("Entendeu?"); a conativa quer mudar o comportamento ("Entenda de uma vez!").
Função metalinguística e poética. A metalinguística usa o código para falar do código; a poética chama a atenção para a forma da mensagem. Um poema sobre poesia combina as duas.
Função poética e figuras de linguagem. As figuras são recursos que frequentemente produzem a função poética; a função poética é a ênfase na forma, que também pode ocorrer por ritmo, disposição gráfica ou escolha vocabular.
Ruído e ambiguidade intencional. O ruído prejudica a compreensão sem intenção; a ambiguidade intencional é um recurso expressivo da função poética e do humor.
7. Perguntas frequentes
Quem criou a teoria das funções da linguagem?
O linguista russo Roman Jakobson, no ensaio "Linguística e poética", apresentado em 1958 e publicado em 1960. Ele partiu do modelo do psicólogo alemão Karl Bühler, de 1934, que previa três funções, e acrescentou outras três, associando uma função a cada elemento da comunicação.
Um e-mail de trabalho tem qual função?
Depende da finalidade. Um e-mail que informa uma reunião tem função referencial predominante; um que pede uma providência tem função conativa. Os cumprimentos iniciais e finais ("Olá", "Atenciosamente") têm função fática.
A função fática é "inútil", já que não informa nada?
Não. Ela é essencial para que a comunicação aconteça: garante que o canal funciona, que o receptor está atento e que a relação entre os interlocutores se mantém.
Letras de música têm sempre função poética?
Em geral, a função poética é muito presente, pelo ritmo, pela rima e pelo trabalho sonoro. Mas muitas letras também têm função emotiva forte, com sentimentos em primeira pessoa, ou conativa, com apelos ao ouvinte. A predominante depende da letra.
O que é um metapoema?
É um poema que tem como tema o próprio fazer poético: a escrita, a inspiração, o trabalho com as palavras. "Profissão de fé" e "A um poeta", de Olavo Bilac, são exemplos.
Imagens também têm funções da linguagem?
Sim. Uma placa de "pare" tem função conativa; um infográfico, referencial; uma pintura que representa um pintor trabalhando é metalinguística; uma fotografia artística cuja composição chama a atenção para si mesma tem função poética.
Como as funções aparecem nas provas?
Em geral, a prova apresenta um texto, como um anúncio, uma tirinha, um trecho literário ou uma notícia, e pede a função predominante, ou pede que se relacione uma marca linguística a uma função. A estratégia é identificar a finalidade do texto e confirmar com as marcas.
9. Síntese
Toda comunicação envolve seis elementos: o emissor produz uma mensagem, por meio de um código, que circula por um canal até o receptor e trata de um referente. O contexto comunicativo orienta as escolhas de linguagem, e o ruído prejudica a compreensão.
Roman Jakobson associou a cada elemento uma função, definida pelo elemento que recebe maior ênfase: a referencial informa objetivamente, com foco no referente; a emotiva expressa sentimentos e opiniões, com foco no emissor; a conativa procura influenciar, com foco no receptor; a fática abre, testa, mantém e encerra o contato, com foco no canal; a metalinguística usa a linguagem para falar de si mesma, com foco no código; e a poética chama a atenção para a forma, com foco na mensagem.
Os textos reais combinam funções, e uma delas predomina, conforme a finalidade principal. Identificá-la exige analisar o objetivo do texto, o elemento em destaque, as marcas linguísticas e o gênero: marcas isoladas não bastam, e a finalidade decide.
10. Glossário
| Termo | Significado |
|---|---|
| Canal | Meio físico ou técnico pelo qual a mensagem circula |
| Código | Sistema de sinais compartilhado usado para produzir a mensagem |
| Contexto comunicativo | Situação em que a comunicação ocorre |
| Decodificação | Interpretação da mensagem pelo receptor |
| Emissor | Quem produz e envia a mensagem |
| Imperativo | Modo verbal que expressa ordem, pedido ou conselho |
| Interjeição | Palavra que expressa emoção: ah!, oh!, nossa! |
| Lide | Parágrafo inicial da notícia, com as informações principais |
| Mensagem | Texto produzido, forma concreta do que é comunicado |
| Metapoema | Poema que tem como tema o próprio fazer poético |
| Receptor | Quem recebe e interpreta a mensagem |
| Redundância | Repetição de informação que ajuda a vencer o ruído |
| Referente | Assunto da mensagem |
| Retroalimentação (feedback) | Resposta do receptor que indica ao emissor se a mensagem foi compreendida |
| Ruído | Interferência que prejudica a transmissão ou a compreensão da mensagem |
| Vocativo | Termo usado para chamar ou interpelar o receptor |
8. Exercícios de fixação
Questões em ordem crescente de integração. Responda antes de abrir a resposta.
Exercício 1
AutoralEm uma ligação telefônica em português, qual é o canal e qual é o código?
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Resposta
O canal é o telefone, com a rede de telefonia e as ondas sonoras da voz. O código é a língua portuguesa falada.
Exercício 2
AutoralUm turista recebe uma placa escrita em japonês e não entende. Que elemento da comunicação falhou?
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Resposta
O código, que não é compartilhado entre emissor e receptor: um ruído linguístico.
Exercício 3
AutoralDiferencie referente e contexto comunicativo.
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Resposta
O referente é o assunto da mensagem; o contexto comunicativo é a situação em que ela ocorre.
Exercício 4
AutoralCite dois tipos de ruído e um exemplo de cada.
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Resposta
Dois entre: físico (barulho), técnico (sinal fraco), linguístico (palavra desconhecida), cultural (referência não compartilhada) e psicológico (distração).
Exercício 5
AutoralIdentifique a função predominante: "O Brasil tem 27 unidades federativas: 26 estados e o Distrito Federal."
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Resposta
Referencial: informação objetiva, na terceira pessoa.
Exercício 6
AutoralIdentifique a função predominante: "Que dia horrível! Nada deu certo pra mim hoje…"
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Resposta
Emotiva: primeira pessoa, exclamação, reticências e avaliação pessoal.
Exercício 7
AutoralIdentifique a função predominante: "Doe sangue. Salve vidas."
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Resposta
Conativa: imperativos que procuram levar o receptor a agir.
Exercício 8
AutoralIdentifique a função predominante: "— Tá me ouvindo? — Tô, pode falar."
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Resposta
Fática: testa e confirma o contato.
Exercício 9
AutoralIdentifique a função predominante: "'Saudade' é uma palavra considerada de difícil tradução para outras línguas."
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Resposta
Metalinguística: a língua é usada para falar de uma palavra da própria língua.
Exercício 10
AutoralIdentifique a função predominante e o recurso: "Quem ri por último ri melhor."
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Resposta
Poética: o provérbio chama a atenção para sua forma, com a repetição de "ri" e o ritmo regular, que o tornam memorável.
Exercício 11
AutoralQue marcas linguísticas caracterizam a função conativa?
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Resposta
Imperativo, vocativo, segunda pessoa ou pronomes de tratamento (você) e perguntas dirigidas ao receptor.
Exercício 12
AutoralQue marcas caracterizam a função emotiva?
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Resposta
Primeira pessoa, interjeições, exclamações, reticências e palavras de avaliação pessoal.
Exercício 13
AutoralPor que se diz que a objetividade da função referencial é relativa?
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Resposta
Porque todo texto informativo resulta de escolhas: que fatos incluir, que fontes ouvir, que palavras usar e o que destacar.
Exercício 14
AutoralUm slogan fictício diz: "Fresquinho de manhã, gostoso o dia inteiro. Padaria Aurora: passe aqui!" Quais funções estão presentes, e qual predomina?
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Resposta
Poética, no ritmo e no paralelismo; referencial, no nome e no produto; conativa, no imperativo "passe aqui". Predomina a conativa.
Exercício 15
AutoralPor que um poema que ensina a escrever poemas é metalinguístico?
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Resposta
Porque usa a linguagem poética para falar da própria poesia: o código se volta para si mesmo.
Exercício 16
AutoralUma pessoa encontra um vizinho no elevador e diz: "Que frio, hein?". Qual é a função predominante e por quê?
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Resposta
Fática: o objetivo principal não é informar sobre o tempo, mas estabelecer e manter o contato social.
Exercício 17
AutoralUm manual diz: "Pressione o botão por cinco segundos até a luz ficar verde." Que funções estão presentes?
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Resposta
Conativa, pelo imperativo que orienta a ação, e referencial, pela informação precisa sobre o procedimento. Em provas, os manuais costumam ser associados à função conativa.
Exercício 18
AutoralEm um filme, os personagens discutem como o próprio filme deveria terminar. Que função predomina nesse recurso?
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Resposta
Metalinguística: a obra fala da própria construção.
Exercício 19
AutoralUm diário escrito em primeira pessoa registra apenas: "Hoje, às 8h, fui ao médico. Às 10h, voltei para casa." Que função predomina? Justifique.
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Resposta
Referencial. Apesar da primeira pessoa, o texto apenas informa fatos, sem expressão de sentimentos ou avaliações.
Exercício 20
AutoralExplique por que um anúncio pode usar a função poética mesmo tendo função conativa predominante.
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Resposta
Porque a forma memorável, com rima, ritmo e trocadilhos, ajuda a fixar a mensagem e torna o anúncio mais atraente: a função poética fica a serviço da persuasão.
Referências
- Jakobson, R. "Linguística e poética". In: Linguística e comunicação. Trad. Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix. Original: "Linguistics and Poetics", em Style in Language, org. T. A. Sebeok, 1960.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Bühler, K. Sprachtheorie. Jena: Fischer, 1934.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Shannon, C. E.; Weaver, W. The Mathematical Theory of Communication. Urbana: University of Illinois Press, 1949.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Chalhub, S. Funções da linguagem. São Paulo: Ática (Série Princípios). A edição deve ser confirmada.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Fiorin, J. L.; Savioli, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática. A edição deve ser confirmada.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Brasil. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 (reconhecimento da Libras).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Dias, G. "Canção do exílio" (1843), em Primeiros cantos (1847).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Alves, C. "O navio negreiro" (1869), em Os escravos (1883).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Assis, M. de. Memórias póstumas de Brás Cubas (1881).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Bilac, O. "Profissão de fé", em Poesias (1888); "A um poeta", em Tarde (1919).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Figuras da Biblioteca ASSAAD
Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.



