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Expansão marítima europeia: motivações, navegações, povos da América, conquista e chegada ao Brasil

Motivações, navegações portuguesas e espanholas, povos pré-colombianos, conquista, Tordesilhas e chegada ao Brasil.

Entre o início do século XV e o início do século XVI, navegadores europeus contornaram a África, chegaram à Índia pelo mar, alcançaram a América e deram a primeira volta ao mundo. Esse processo, a expansão marítima, ligou pela primeira vez, de forma permanente, a Europa, a África, a Ásia e a América. Para as sociedades que viviam na América, foi também o início da conquista, com guerras, epidemias, exploração do trabalho e destruição de impérios inteiros.

Este artigo começa pelas condições que levaram a Europa a se lançar ao oceano e pelo pioneirismo português. Em seguida, apresenta as sociedades americanas que os europeus encontraram, acompanha as navegações espanholas e a conquista do México e do Peru, trata da divisão do mundo pelo Tratado de Tordesilhas e das disputas entre as potências e termina com a chegada da esquadra de Cabral, os primeiros contatos com os povos indígenas e as três primeiras décadas da presença portuguesa no território que viria a ser o Brasil.

1. Contexto europeu

1.1 Da crise do século XIV à busca de riquezas

No século XIV, a Europa enfrentou fomes, causadas por colheitas ruins; a Peste Negra (1347–1351), que matou uma parcela enorme da população; guerras, como a Guerra dos Cem Anos; e revoltas camponesas. No século XV, a população e a economia voltaram a crescer, e aumentou a busca por novos mercados, produtos e fontes de riqueza. A expansão marítima foi uma das respostas a essa busca.

1.2 Motivações econômicas

Especiarias. Pimenta, cravo, canela, noz-moscada e gengibre eram muito valorizados na Europa para temperar e conservar alimentos e para produzir remédios e perfumes. Vinham da Ásia e chegavam à Europa por uma longa cadeia de intermediários: comerciantes asiáticos e árabes as levavam até os portos do Mediterrâneo oriental, e as cidades italianas de Veneza e Gênova controlavam a distribuição na Europa. Cada intermediário acrescentava lucro, e chegar diretamente às regiões produtoras traria lucros enormes.

Metais preciosos. A Europa tinha poucas minas de ouro e prata, e o crescimento do comércio exigia mais moedas. A busca de ouro na África e, depois, na América foi uma motivação central. A ideia de que a riqueza de um país dependia da quantidade de metais preciosos acumulados, o metalismo, fazia parte das práticas econômicas que mais tarde seriam agrupadas sob o nome de mercantilismo.

1.3 Motivações religiosas

A Península Ibérica viveu durante séculos a Reconquista, a guerra dos reinos cristãos contra os reinos muçulmanos que ocupavam a região desde o século VIII, encerrada em 1492 com a tomada de Granada. O espírito de cruzada foi transferido para a expansão: combater os muçulmanos e expandir o cristianismo, converter os povos encontrados, objetivo que justificava a conquista aos olhos dos europeus e da Igreja, e encontrar o reino lendário de Preste João, um soberano cristão que seria um possível aliado. As motivações religiosas eram sinceras para muitos participantes, mas também serviram para legitimar a conquista e a exploração.

1.4 Motivações políticas: os Estados Nacionais

A expansão exigia grandes investimentos, com navios, tripulações, armas e mantimentos, e só podia ser organizada por Estados centralizados. Surgiu uma aliança de interesses: a burguesia mercantil fornecia capital e se beneficiava do comércio; a monarquia oferecia organização, proteção e monopólios; a nobreza e o clero encontravam oportunidades de cargos, terras e missões.

1.5 Avanços tecnológicos

Instrumento ou técnicaFunçãoOrigem
BússolaIndicar a direção norte, mesmo com céu encobertoChinesa; chegou à Europa pelo contato com o mundo islâmico
Astrolábio e quadranteMedir a altura dos astros para calcular a latitudeAperfeiçoados a partir de instrumentos gregos e árabes
CaravelaNavio leve e manobrável, com velas latinas triangularesDesenvolvida pelos ibéricos a partir de embarcações mediterrâneas e árabes
NauNavio maior, com mais capacidade de cargaUsada nas rotas comerciais de longa distância
CartografiaCartas náuticas cada vez mais precisasTradição dos portulanos mediterrâneos, ampliada pelos ibéricos

As velas latinas permitiam navegar com ventos laterais e avançar em zigue-zague contra o vento, na manobra chamada de bolina, essencial para voltar da costa africana. A imprensa de tipos móveis, desenvolvida por Gutenberg por volta de 1450, ajudou a difundir mapas, relatos de viagem e conhecimentos náuticos.

1.6 O "mar tenebroso"

O Atlântico era chamado de mar tenebroso, e relatos medievais falavam de monstros marinhos, águas ferventes perto do Equador e abismos no fim do mundo. A ideia de que os europeus da época acreditavam que a Terra era plana, porém, é um mito: os estudiosos sabiam, desde a Antiguidade, que a Terra é esférica. O medo vinha do desconhecido e dos riscos reais das longas viagens. A passagem do Cabo Bojador, na costa africana, por Gil Eanes, em 1434, foi um marco simbólico.

2. O pioneirismo português

Portugal foi o primeiro reino europeu a organizar a expansão de forma sistemática. A Revolução de Avis (1383–1385) levou ao trono uma dinastia apoiada pela burguesia mercantil, e o reino tinha fronteiras definidas e paz interna; sua posição geográfica, voltada para o Atlântico, a experiência marítima, uma burguesia mercantil interessada no comércio ultramarino e o conhecimento acumulado de navegadores, cartógrafos e cosmógrafos de várias origens completam a explicação.

2.1 A "Escola de Sagres" (noção)

O infante D. Henrique (1394–1460), filho do rei D. João I, organizou e financiou muitas das primeiras expedições portuguesas, e a tradição afirma que ele fundou em Sagres uma "escola" de navegação.

2.2 A rota africana: o périplo africano

Os portugueses avançaram progressivamente pela costa da África, estabelecendo feitorias, entrepostos comerciais fortificados, e ocupando ilhas atlânticas.

AnoAcontecimento
1415Conquista de Ceuta, no norte da África, marco inicial da expansão
1419–1432Ocupação dos arquipélagos da Madeira e dos Açores
1434Gil Eanes ultrapassa o Cabo Bojador
1444Primeiros leilões públicos de africanos escravizados em Lagos, Portugal
Década de 1450Chegada às ilhas de Cabo Verde
1482Construção do forte de São Jorge da Mina, no Golfo da Guiné, centro do comércio de ouro
1488Bartolomeu Dias contorna o extremo sul da África, o Cabo das Tormentas, rebatizado de Cabo da Boa Esperança
1498Vasco da Gama chega a Calicute, na Índia, abrindo a rota marítima para o Oriente

As ilhas atlânticas, como a Madeira e São Tomé, tornaram-se áreas de produção de açúcar com trabalho escravizado, modelo levado depois ao Brasil. Com a chegada de Vasco da Gama à Índia, Portugal passou a ter acesso direto às especiarias, e Lisboa tornou-se um dos principais centros de comércio da Europa.

3. Os povos da América antes da chegada dos europeus

Quando os europeus chegaram, a América era habitada havia milhares de anos por milhões de pessoas, em sociedades muito diversas: grupos caçadores-coletores, aldeias agrícolas, como as de muitos povos do território que viria a ser o Brasil, e grandes Estados, com cidades, templos e exércitos. Essas sociedades são chamadas de pré-colombianas, porque existiam antes da chegada de Colombo.

3.1 Maias

Os maias viviam no sul do México, na península de Yucatán, na Guatemala, em Belize e em partes de Honduras e El Salvador. Não formaram um império unificado: viviam em cidades-estado independentes, como Tikal, Palenque, Copán e Calakmul, cada uma governada por um rei considerado sagrado, que ora se aliavam, ora guerreavam. O período de maior desenvolvimento, o Clássico, foi entre cerca de 250 e 900 d.C. A base da alimentação e da religião era o milho. Os maias desenvolveram uma escrita hieroglífica, com sinais que representavam palavras e sílabas, registrada em monumentos, cerâmicas e códices; usavam numeração de base 20 com o zero; e observavam com precisão os movimentos do Sol, da Lua e de Vênus, combinando um calendário de 365 dias com um calendário ritual de 260 dias.

3.2 Astecas (mexicas)

Os mexicas viviam no Vale do México. Sua capital, Tenochtitlán, foi fundada por volta de 1325 em uma ilha do lago Texcoco, onde hoje está a Cidade do México; era ligada à terra firme por calçadas, tinha canais, templos e mercados, e estava entre as maiores cidades do mundo em sua época. Para ampliar a área cultivável, os mexicas construíram as chinampas, canteiros artificiais sobre o lago.

Por meio de guerras e da Tríplice Aliança com outras duas cidades, dominaram muitos povos vizinhos, dos quais cobravam tributos em alimentos, tecidos, metais e pessoas, domínio que gerava ressentimento e seria importante na conquista espanhola. A sociedade era hierarquizada: o tlatoani, governante supremo; os nobres e os sacerdotes; os guerreiros, que podiam ascender pelo desempenho em combate; os comerciantes; os camponeses e artesãos, a maioria da população; e os escravizados. A religião era politeísta, com deuses como Huitzilopochtli, do Sol e da guerra, Tlaloc, da chuva, e Quetzalcóatl, a "serpente emplumada". Na concepção religiosa mexica, o Sol e o universo precisavam ser alimentados com sangue humano, e por isso praticavam sacrifícios humanos, em geral de prisioneiros de guerra.

3.3 Incas

O Império Inca ocupava a Cordilheira dos Andes, em partes dos atuais Peru, Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Colômbia, e no início do século XVI era o maior império da América. Os incas o chamavam de Tawantinsuyu, "as quatro partes juntas"; "Inca" era, originalmente, o título do governante. A capital era Cusco, e o imperador, o Sapa Inca, era considerado filho do deus Sol, Inti; a grande expansão ocorreu no século XV.

Uma rede de caminhos com dezenas de milhares de quilômetros, o Qhapaq Ñan, com pontes suspensas e postos de descanso, ligava todo o império, e mensageiros corredores, os chasquis, transmitiam mensagens rapidamente; o sistema foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2014. Os quipus, conjuntos de cordas coloridas com nós, registravam informações numéricas, como censos, tributos e estoques, em sistema decimal. A agricultura se fazia em terraços nas encostas, com batata, milho e quinoa, e com criação de lhamas e alpacas. A base social era o ayllu, comunidade ligada por parentesco, e o Estado exigia trabalho temporário e rotativo das comunidades, a mita, em obras públicas, agricultura e exército. As construções de pedra encaixadas sem argamassa, como as de Cusco e de Machu Picchu, são marcas da arquitetura inca.

3.4 Quadro comparativo

MaiasAstecas (mexicas)Incas
RegiãoPenínsula de Yucatán e América CentralVale do MéxicoCordilheira dos Andes
Organização políticaCidades-estado independentesImpério tributário, com capital em TenochtitlánImpério centralizado, com capital em Cusco
GovernanteReis de cada cidadeTlatoaniSapa Inca, filho do Sol
DestaquesEscrita, matemática com zero, astronomia, calendáriosChinampas, grande cidade lacustre, sistema tributárioEstradas, quipus, terraços, mita
Situação em 1500Cidades menores, fragmentadasImpério no augeImpério no auge, com crise sucessória iminente
Barras de tempo: maias do período Clássico, de cerca de 250 a 900 depois de Cristo; maias do pós-Clássico, até o século XVI; mexicas, da fundação de Tenochtitlán, por volta de 1325, até sua queda em 1521; Império Inca, da grande expansão, por volta de 1438, até a captura de Atahualpa em 1532 e 1533. Uma linha vertical marca a chegada de Colombo em 1492.
Figura 1. Períodos aproximados das sociedades estudadas, em escala de anos. As três não foram contemporâneas em todo o tempo: o auge das cidades maias clássicas ocorreu séculos antes da formação dos impérios mexica e inca, que estavam no auge quando os espanhóis chegaram.

4. Navegações espanholas e a conquista da América

4.1 Colombo e o "Novo Mundo"

Cristóvão Colombo, navegador genovês, propôs chegar às Índias navegando para oeste, através do Atlântico. Sabia que a Terra era esférica, mas subestimou sua circunferência e desconhecia a existência da América entre a Europa e a Ásia. Depois de ter o projeto recusado por Portugal, que já investia na rota africana, obteve o apoio dos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1492, logo após a conquista de Granada.

Com três embarcações, a Santa María, a Pinta e a Niña, partiu em agosto de 1492 e chegou em 12 de outubro de 1492 a uma ilha das Bahamas, chamada pelos habitantes de Guanahani e por ele de San Salvador. Colombo fez quatro viagens à América, entre 1492 e 1504, e morreu em 1506 acreditando ter chegado à Ásia. O nome América vem de Américo Vespúcio, navegador florentino cujos relatos defendiam que as terras formavam um continente desconhecido; o nome aparece em um mapa de Martin Waldseemüller, em 1507.

4.2 A primeira volta ao mundo

Fernão de Magalhães, navegador português a serviço da Espanha, partiu em 1519 para chegar às ilhas das especiarias navegando para oeste. Atravessou o estreito no sul da América que hoje leva seu nome e cruzou o Oceano Pacífico. Morreu nas Filipinas, em 1521, em um combate com a população local. A viagem foi concluída por Juan Sebastián Elcano, que chegou à Espanha em 1522 com um único navio e poucos sobreviventes, completando a primeira circum-navegação e comprovando, na prática, que era possível dar a volta ao mundo pelos oceanos.

4.3 A conquista dos mexicas

Em 1519, Hernán Cortés desembarcou no México com algumas centenas de soldados. O imperador mexica era Moctezuma II. Cortés contou com aliados indígenas, como os tlaxcaltecas e outros povos submetidos aos mexicas, que viram nos espanhóis uma oportunidade de se libertar dos tributos, e com a intérprete Malinche, uma mulher indígena que falava náuatle e maia e depois aprendeu o espanhol, e que teve papel decisivo na comunicação e nas negociações. Depois de um período de convivência tensa e de confrontos, com a morte de Moctezuma e a expulsão temporária dos espanhóis, Tenochtitlán foi sitiada e caiu em 1521. Uma epidemia de varíola, trazida pelos europeus, havia matado grande parte da população da cidade antes do cerco final.

4.4 A conquista dos incas

Em 1532, Francisco Pizarro chegou ao Império Inca com menos de duzentos homens. O império acabava de sair de uma guerra civil entre dois irmãos, Atahualpa e Huáscar, que disputavam o trono, e epidemias trazidas pelos europeus já haviam atingido a região, possivelmente matando o imperador anterior. Em Cajamarca, Pizarro capturou Atahualpa, que ofereceu uma sala cheia de ouro e prata como resgate; o resgate foi pago, mas Atahualpa foi executado em 1533. Os espanhóis tomaram Cusco, e a resistência inca continuou por décadas, até a captura e a execução de Túpac Amaru em 1572.

4.5 Fatores da conquista

4.6 Consequências demográficas e a exploração colonial

O colapso demográfico foi uma das maiores catástrofes da história humana. As estimativas da população americana antes de 1492 variam muito, de cerca de 40 milhões a mais de 100 milhões de pessoas, e há consenso de que ela diminuiu drasticamente no século seguinte, sobretudo por epidemias, mas também por guerras, violência, trabalho forçado e fome.

Os espanhóis organizaram a exploração do trabalho indígena por meio da encomienda, em que colonos recebiam grupos de indígenas que deviam pagar tributos e trabalhar em troca de "proteção" e catequização, e da mita colonial, que adaptou a mita inca e obrigou comunidades a enviar trabalhadores às minas, como as de Potosí, na atual Bolívia, descobertas em 1545 e de onde saíram enormes quantidades de prata. O frei dominicano Bartolomé de las Casas denunciou a violência contra os indígenas na obra Brevíssima relação da destruição das Índias (1552).

4.7 O intercâmbio colombiano

A ligação entre a América e o restante do mundo provocou uma troca de plantas, animais, doenças e pessoas, chamada pelo historiador Alfred Crosby de intercâmbio colombiano.

Da América para o mundoDo mundo para a América
Milho, batata, mandioca, tomate, cacau, amendoim, abacaxi, tabaco, borrachaTrigo, arroz, cana-de-açúcar, café, frutas cítricas
Peru (ave)Cavalo, boi, porco, carneiro, galinha
Varíola, sarampo, gripe, malária, febre amarela
Milhões de africanos escravizados, trazidos à força

A batata e o milho se tornaram alimentos básicos em muitas partes da Europa, da Ásia e da África, e a cana-de-açúcar e o café transformaram a economia de grandes regiões americanas.

5. Tratados de divisão e disputas entre as potências

5.1 A Bula Inter Coetera (1493)

Após a primeira viagem de Colombo, a Espanha recorreu ao papa Alexandre VI, de origem espanhola, que publicou em 1493 a Bula Inter Coetera: uma linha imaginária passaria a 100 léguas a oeste das ilhas dos Açores e de Cabo Verde; as terras a oeste caberiam à Espanha, e as a leste, a Portugal. Portugal protestou, porque a linha deixava pouco espaço no Atlântico para sua rota africana.

5.2 O Tratado de Tordesilhas (1494)

Depois de negociações diretas, Portugal e Espanha assinaram, em 1494, o Tratado de Tordesilhas. A linha passou a 370 léguas a oeste de Cabo Verde: as terras a leste seriam de Portugal, e as a oeste, da Espanha.

5.3 Os limites da linha e a contestação

Como a longitude não podia ser medida com precisão, a linha nunca foi demarcada no terreno. Na América do Sul, costuma ser representada passando aproximadamente por Belém (PA) e Laguna (SC). Ao longo do período colonial, a ocupação portuguesa ultrapassou a linha para oeste, com bandeirantes, missões e pecuária, e os limites foram redefinidos pelo Tratado de Madri (1750), baseado no princípio do uti possidetis: a terra pertence a quem efetivamente a ocupa.

Contorno esquemático da América do Sul com uma linha vertical passando aproximadamente por Belém e Laguna, que representa o Tratado de Tordesilhas; as terras a leste cabiam a Portugal e as a oeste, à Espanha. Mais a leste, no oceano, uma linha tracejada indica a posição aproximada da linha da Bula Inter Coetera.
Figura 2. Esquema das linhas de divisão, com contorno simplificado da América do Sul traçado a partir de coordenadas aproximadas. A linha de Tordesilhas é uma reconstrução aproximada: como a longitude não era medida com precisão, ela nunca foi demarcada no terreno. Os limites do Tratado de Madri (1750), próximos aos do Brasil atual, não estão representados.

Contestação das outras potências. França, Inglaterra e Holanda não aceitaram a divisão do mundo entre os reinos ibéricos. É famosa a frase atribuída ao rei Francisco I da França, segundo a qual ele gostaria de ver a cláusula do testamento de Adão que o excluía da partilha do mundo. Essas potências praticaram o corso e a pirataria contra navios ibéricos, comerciaram diretamente com povos indígenas e, mais tarde, fundaram colônias na América.

6. A chegada ao Brasil e o período pré-colonial

6.1 A esquadra de Cabral

Em março de 1500, partiu de Lisboa uma grande esquadra, com cerca de treze navios e mais de mil homens, comandada por Pedro Álvares Cabral. O destino oficial era a Índia, para estabelecer relações comerciais em Calicute. No caminho, a esquadra se afastou da costa africana para o oeste, como recomendava a técnica de navegação para aproveitar os ventos do Atlântico Sul, e em 22 de abril de 1500 avistou um monte, chamado de Monte Pascoal, no atual sul da Bahia. A terra foi chamada inicialmente de Ilha de Vera Cruz e depois de Terra de Santa Cruz; o nome Brasil se consolidou mais tarde, associado ao pau-brasil.

6.2 A Carta de Pero Vaz de Caminha

Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra, escreveu ao rei D. Manuel I uma carta datada de 1º de maio de 1500, considerada o primeiro documento escrito sobre a terra que viria a ser o Brasil. Descreve a paisagem, a abundância de água e a fertilidade da terra, e os indígenas: sua aparência, a nudez, a pintura corporal, os adornos e o comportamento. Registra os primeiros contatos, as trocas de objetos, a curiosidade mútua e as dificuldades de comunicação, e conclui que o maior benefício que a terra poderia oferecer seria salvar aquela gente, pela conversão ao cristianismo. Sobre o ouro, Caminha escreve que ainda não tinham encontrado metais, mas que a terra parecia boa para quem a quisesse aproveitar.

6.3 Os povos indígenas do litoral

O território era habitado por centenas de povos, com línguas, costumes e formas de organização diversas. No litoral, predominavam povos de língua tupi-guarani, como os tupinambás e os tupiniquins. Os grupos chamados pelos tupis de tapuias eram povos de outras famílias linguísticas, principalmente do tronco macro-jê; o termo era usado de forma genérica e depreciativa e não designava um povo específico.

Esses povos viviam em aldeias e praticavam a agricultura de coivara, com derrubada e queima da mata, cultivando mandioca, milho, feijão, abóbora e batata-doce, além da caça, da pesca e da coleta. Na divisão do trabalho, os homens caçavam, pescavam, guerreavam e derrubavam a mata; as mulheres plantavam, colhiam, preparavam os alimentos e fabricavam utensílios. As terras e os recursos eram de uso coletivo. A guerra entre grupos tinha grande importância social e religiosa e era ligada à honra e à vingança; entre alguns povos tupis, envolvia a antropofagia ritual de prisioneiros, uma prática cerimonial com significado religioso e social, e não uma forma de alimentação. O pajé era o líder espiritual e curador.

6.4 O período pré-colonial (1500–1530)

Nas três primeiras décadas, Portugal não ocupou efetivamente a terra: o comércio com as Índias era muito mais lucrativo, e não se haviam encontrado metais preciosos. A principal atividade econômica foi a extração do pau-brasil, árvore da Mata Atlântica de cuja madeira se extraía um corante vermelho usado para tingir tecidos na Europa. A extração era um monopólio da Coroa, que concedia o direito a comerciantes, como Fernão de Noronha, em troca de pagamentos e da obrigação de explorar a costa. O trabalho de corte e transporte era feito por indígenas, por meio do escambo: troca de trabalho por objetos como machados de metal, facas, espelhos, tecidos e contas. Os portugueses instalaram feitorias no litoral, entrepostos simples onde a madeira era armazenada.

Linha do tempo das navegações de 1415 a 1530: Ceuta em 1415, Cabo Bojador em 1434, Bartolomeu Dias no Cabo da Boa Esperança em 1488, Colombo em 1492, Tordesilhas em 1494, Vasco da Gama na Índia em 1498, Cabral no Brasil em 1500, a primeira volta ao mundo concluída em 1522 e a expedição de Martim Afonso em 1530.
Figura 3. Marcos da expansão marítima, em escala de anos. O avanço português pela costa africana levou mais de oito décadas; a viagem de Colombo, a de Vasco da Gama e a chegada de Cabral ocorreram em menos de uma década.

A partir de 1530, a presença de corsários franceses, que também comerciavam pau-brasil com os indígenas, e a queda dos lucros do comércio com o Oriente levaram Portugal a iniciar a colonização efetiva, com a expedição de Martim Afonso de Sousa (1530–1533), que fundou São Vicente em 1532, e o sistema de capitanias hereditárias a partir de 1534. Esse período pertence ao estudo da colonização do Brasil.

7. Exemplos resolvidos

8. Erros conceituais frequentes

ErroPor que está erradoForma correta
Os europeus achavam que a Terra era planaOs estudiosos sabiam que era esférica desde a AntiguidadeO medo era do desconhecido e dos riscos reais
A expansão começou por causa da tomada de Constantinopla (1453)Portugal começou em 14151453 reforçou o interesse por novas rotas
Colombo sabia que tinha chegado a um novo continenteMorreu acreditando ter chegado à ÁsiaA ideia de novo continente veio depois, com Vespúcio
Sagres foi uma escola formal de navegaçãoNão há evidências de uma instituição de ensinoFoi um centro de patrocínio e reunião de conhecimentos
Os espanhóis venceram só pela superioridade militarEpidemias, alianças e divisões internas foram decisivasA conquista combinou vários fatores
Os maias foram destruídos pelos espanhóis como os mexicasAs cidades clássicas foram abandonadas séculos antesOs povos maias continuam existindo
Astecas, maias e incas eram "atrasados"Tinham escrita, matemática, arquitetura e administração complexasEram sociedades diferentes, e não inferiores
O Tratado de Tordesilhas definiu as fronteiras atuais do BrasilA ocupação ultrapassou a linhaOs limites foram redefinidos em 1750 e depois
O Brasil "estava vazio" em 1500Viviam aqui milhões de pessoasHavia centenas de povos
"Tapuia" era o nome de um povoEra um termo genérico usado pelos tupisDesignava povos de outras línguas, sobretudo macro-jê
A antropofagia indígena era uma forma de alimentaçãoEra um ritual ligado à guerra e à religiãoTinha significado social e religioso
No período pré-colonial não houve impacto sobre os indígenasHouve contato, escambo, doenças e conflitosO impacto começou em 1500

9. Distinções importantes

Motivos e condições da expansão. Os motivos são por que os europeus queriam expandir-se: especiarias, metais, religião. As condições são o que tornou a expansão possível: Estados centralizados, capital mercantil, técnicas de navegação.

Périplo africano e rota do oeste. O périplo foi a estratégia portuguesa de contornar a África para chegar à Índia; a rota do oeste foi a proposta de Colombo, apoiada pela Espanha, de atravessar o Atlântico.

Feitoria e colônia. A feitoria era um entreposto comercial, às vezes fortificado, sem ocupação ampla do território; a colônia envolve ocupação, povoamento e exploração sistemática.

Maias, astecas e incas. Os maias formavam cidades-estado independentes; os mexicas, um império tributário no Vale do México; os incas, um império centralizado nos Andes.

Bula Inter Coetera e Tratado de Tordesilhas. A bula (1493) foi uma decisão do papa, com linha a 100 léguas; o tratado (1494) foi um acordo entre Portugal e Espanha, com linha a 370 léguas de Cabo Verde.

Descobrimento, chegada e conquista. "Descobrimento" é o termo tradicional, criticado por ignorar os habitantes; "chegada" ou "encontro" descreve o primeiro contato; "conquista" designa a dominação militar e política.

Encomienda e mita. A encomienda era a concessão de grupos indígenas a um colono, com tributos e trabalho; a mita era o trabalho obrigatório e rotativo, praticado pelos incas e adaptado pelos espanhóis, sobretudo nas minas.

Escambo e comércio monetário. O escambo é a troca direta de trabalho ou mercadorias por objetos, sem moeda.

Tupis e tapuias. Os tupis eram povos da família tupi-guarani, predominantes no litoral; tapuia era o termo genérico usado pelos tupis para povos de outras línguas.

10. Perguntas frequentes

Por que Portugal recusou o projeto de Colombo?

Portugal já investia na rota africana e estava próximo de chegar à Índia contornando a África. Além disso, os especialistas portugueses consideraram que Colombo subestimava a distância até a Ásia, o que estava correto: sem a América no caminho, a viagem seria longa demais para os navios da época.

Por que o Brasil se chama Brasil?

O nome vem do pau-brasil, árvore cuja madeira produzia um corante vermelho, a cor de brasa. O nome se consolidou ao longo do século XVI, substituindo "Terra de Santa Cruz".

Os povos indígenas resistiram à conquista?

Sim, de muitas formas: guerras, fugas, alianças estratégicas, revoltas e preservação de línguas, crenças e práticas culturais. A resistência inca durou até 1572, e no Brasil houve conflitos e resistências durante todo o período colonial e depois dele.

O que foi o "mar tenebroso"?

Nome dado ao Oceano Atlântico na Idade Média, associado a lendas sobre monstros e perigos. O medo tinha base real: as viagens eram longas e perigosas, com tempestades, naufrágios, fome e doenças como o escorbuto.

Por que a varíola foi tão devastadora na América?

Os povos americanos nunca tinham tido contato com a varíola, o sarampo e outras doenças europeias e não tinham imunidade a elas. Na Europa, essas doenças circulavam havia séculos, e parte da população já era resistente.

O que é o intercâmbio colombiano?

É a troca de plantas, animais, doenças e pessoas entre a América e os outros continentes, a partir de 1492. Batata, milho e tomate se espalharam pelo mundo; cavalos, bois, cana-de-açúcar e doenças chegaram à América; e milhões de africanos foram trazidos à força como escravizados.

Por que a chegada de Cabral ao Brasil foi registrada, e a de navegadores anteriores não?

Há relatos de viagens espanholas que teriam passado pelo litoral norte da América do Sul antes de Cabral, no início de 1500, como a de Vicente Yáñez Pinzón. Alguns historiadores as consideram as primeiras chegadas europeias à região, mas elas não levaram à ocupação, e a de Cabral foi a que, pelo Tratado de Tordesilhas, deu a Portugal a reivindicação sobre a terra.

12. Síntese

A expansão marítima europeia resultou da combinação de motivações econômicas, como as especiarias e os metais preciosos, religiosas, como a expansão do cristianismo e o espírito da Reconquista, e políticas, como o fortalecimento das monarquias, e foi possível graças a Estados centralizados, capital mercantil e técnicas de navegação como a caravela, a bússola, o astrolábio e a cartografia. Portugal foi pioneiro: a partir de Ceuta (1415), avançou pela costa africana, estabeleceu feitorias, ocupou ilhas atlânticas e iniciou o tráfico de escravizados, até que Bartolomeu Dias contornou a África (1488) e Vasco da Gama chegou à Índia (1498).

Na América viviam milhões de pessoas, em sociedades diversas. Os maias formaram cidades-estado com escrita e astronomia avançadas; os mexicas, um império tributário com capital em Tenochtitlán; os incas, um império centralizado nos Andes, com estradas, quipus e o sistema da mita.

A Espanha apoiou Colombo, que chegou à América em 1492, e financiou a primeira volta ao mundo (1519–1522). Cortés conquistou os mexicas (1521), e Pizarro, os incas (1532–1533), por uma combinação de epidemias, alianças indígenas, divisões internas e superioridade militar pontual. O resultado foi um colapso demográfico e a exploração do trabalho indígena pela encomienda e pela mita, e o intercâmbio colombiano transformou a alimentação, a economia e a população de vários continentes.

A Bula Inter Coetera (1493) e o Tratado de Tordesilhas (1494) dividiram o mundo entre Portugal e Espanha, mas a linha nunca foi demarcada e foi contestada pelas outras potências. Em 1500, a esquadra de Cabral chegou ao Brasil, e a Carta de Caminha registrou o olhar português sobre a terra e os povos indígenas. No período pré-colonial (1500–1530), Portugal explorou o pau-brasil por meio do escambo com os indígenas, sem colonização efetiva, e a presença francesa levou à colonização a partir de 1530.

13. Glossário

TermoSignificado
AstrolábioInstrumento para medir a altura dos astros e calcular a latitude
BolinaManobra de navegar contra o vento em zigue-zague
CaravelaEmbarcação leve e manobrável, com velas latinas
ChinampaCanteiro agrícola artificial construído pelos mexicas sobre lagos
EncomiendaSistema colonial espanhol de concessão de indígenas a colonos, com tributos e trabalho
EscamboTroca direta, sem uso de moeda
FeitoriaEntreposto comercial, às vezes fortificado
Intercâmbio colombianoTroca de plantas, animais, doenças e pessoas entre a América e os outros continentes após 1492
LongitudePosição leste-oeste; não podia ser medida com precisão na época
MercantilismoConjunto de práticas econômicas dos Estados modernos, incluindo o metalismo
MetalismoIdeia de que a riqueza depende da acumulação de metais preciosos
MitaTrabalho obrigatório e rotativo, praticado pelos incas e adaptado pelos espanhóis
Pau-brasilÁrvore da Mata Atlântica cuja madeira produzia corante vermelho
Périplo africanoNavegação portuguesa ao redor da costa da África
QuipuSistema inca de cordas com nós para registro numérico
ReconquistaGuerra dos reinos cristãos ibéricos contra os muçulmanos, encerrada em 1492
TawantinsuyuNome dado pelos incas ao seu império
Uti possidetisPrincípio segundo o qual a terra pertence a quem a ocupa

11. Exercícios de fixação

Questões em ordem crescente de integração. Responda antes de abrir a resposta.

Exercício 1

Autoral

Qual acontecimento marca o início da expansão marítima portuguesa?

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Resposta

A conquista de Ceuta, em 1415.

Exercício 2

Autoral

Por que as especiarias eram tão valorizadas?

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Resposta

Eram usadas para temperar e conservar alimentos e na produção de remédios e perfumes, e seu preço era alto por causa dos muitos intermediários até a Europa.

Exercício 3

Autoral

Qual era a função do astrolábio?

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Resposta

Medir a altura dos astros para calcular a latitude do navio.

Exercício 4

Autoral

Por que a caravela foi importante para a navegação atlântica?

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Resposta

Era leve e manobrável, e suas velas latinas permitiam navegar com ventos laterais e contra o vento, em zigue-zague, o que era essencial para voltar da costa africana.

Exercício 5

Autoral

Cite três fatores que explicam o pioneirismo português.

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Resposta

Três entre: centralização política precoce, posição geográfica voltada para o Atlântico, burguesia mercantil interessada no comércio, experiência marítima e conhecimentos náuticos acumulados.

Exercício 6

Autoral

O que foi o périplo africano?

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Resposta

O avanço progressivo dos portugueses pela costa da África, entre 1415 e 1498, até contornar o continente e chegar à Índia.

Exercício 7

Autoral

Qual foi a importância da viagem de Vasco da Gama (1498)?

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Resposta

Abriu a rota marítima para a Índia, permitindo a Portugal acesso direto às especiarias, sem os intermediários do Mediterrâneo.

Exercício 8

Autoral

Cite uma característica de cada sociedade: maias, mexicas e incas.

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Resposta

Por exemplo: maias, escrita hieroglífica e matemática com zero; mexicas, a cidade de Tenochtitlán e as chinampas; incas, as estradas e os quipus.

Exercício 9

Autoral

O que eram os quipus?

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Resposta

Cordas com nós usadas pelos incas para registrar informações numéricas, como censos, tributos e estoques.

Exercício 10

Autoral

Por que Colombo morreu acreditando ter chegado à Ásia?

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Resposta

Porque subestimava o tamanho da Terra e desconhecia a existência da América entre a Europa e a Ásia.

Exercício 11

Autoral

Qual foi a importância da viagem de Magalhães e Elcano?

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Resposta

Foi a primeira circum-navegação, concluída em 1522, e comprovou na prática que era possível dar a volta ao mundo pelos oceanos.

Exercício 12

Autoral

Qual foi o papel dos tlaxcaltecas na conquista de Tenochtitlán?

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Resposta

Foram aliados indígenas de Cortés, inimigos dos mexicas, e forneceram milhares de guerreiros e apoio decisivo.

Exercício 13

Autoral

Qual foi o impacto das epidemias na conquista da América?

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Resposta

Mataram grande parte da população indígena, desorganizaram as sociedades e enfraqueceram a resistência, em alguns casos antes mesmo das batalhas decisivas.

Exercício 14

Autoral

Diferencie a Bula Inter Coetera do Tratado de Tordesilhas.

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Resposta

A bula (1493) foi uma decisão do papa, com linha a 100 léguas a oeste dos Açores e de Cabo Verde. O tratado (1494) foi um acordo entre Portugal e Espanha, com linha a 370 léguas a oeste de Cabo Verde.

Exercício 15

Autoral

Por que a França contestou o Tratado de Tordesilhas?

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Resposta

Porque o tratado dividia o mundo apenas entre Portugal e Espanha, excluindo as outras potências, que também queriam participar do comércio e da colonização.

Exercício 16

Autoral

O que era o escambo no período pré-colonial?

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Resposta

A troca do trabalho indígena de corte e transporte do pau-brasil por objetos, como machados, facas, tecidos e espelhos, sem uso de moeda.

Exercício 17

Autoral

Por que Portugal não colonizou o Brasil imediatamente após 1500?

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Resposta

Porque o comércio com as Índias era muito mais lucrativo, e não se encontraram metais preciosos no início.

Exercício 18

Autoral

O que levou Portugal a iniciar a colonização efetiva a partir de 1530?

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Resposta

A presença de franceses no litoral, que ameaçava a posse da terra, e a queda dos lucros do comércio oriental.

Exercício 19

Autoral

Por que a Carta de Caminha deve ser lida com senso crítico?

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Resposta

Porque foi escrita por um funcionário português, com os interesses da Coroa e a visão de um europeu cristão, e não apresenta a perspectiva dos indígenas.

Exercício 20

Autoral

Explique por que muitos historiadores criticam o termo "descobrimento".

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Resposta

Porque a terra já era habitada por milhões de pessoas. O termo adota apenas o ponto de vista europeu, e muitos preferem "chegada dos portugueses" ou "encontro".

Referências

  1. Caminha, P. V. de. Carta a El-Rei D. Manuel, 1º de maio de 1500. Original no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  2. Las Casas, B. de. Brevíssima relação da destruição das Índias (1552).

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  3. Tratado de Tordesilhas (1494). Original no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e no Arquivo Geral das Índias, Sevilha.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  4. Crosby, A. W. The Columbian Exchange: Biological and Cultural Consequences of 1492. Westport: Greenwood, 1972.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  5. León-Portilla, M. A conquista da América Latina vista pelos índios: relatos astecas, maias e incas. Petrópolis: Vozes. Original: Visión de los vencidos, 1959.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  6. Restall, M. Sete mitos da conquista espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  7. Fausto, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  8. IBGE. Censo Demográfico 2022: etnias e línguas indígenas. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  9. UNESCO. Lista do Patrimônio Mundial: Qhapaq Ñan, Andean Road System, inscrito em 2014.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  10. Figuras da Biblioteca ASSAAD

    Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.