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Urbanização brasileira

Fases da urbanização brasileira no século XX com dados dos censos do IBGE, industrialização, migrações e modernização do campo, diferenças regionais, metropolização e regiões metropolitanas, conurbação e arranjos populacionais, desconcentração relativa das metrópoles e cidades médias.

A urbanização brasileira é a mudança que fez do Brasil, em poucas décadas, um país em que a maior parte da população mora em cidades. Em 1950, os censos do IBGE classificavam 36,2% dos habitantes como urbanos; em 2010, eram 84,4%; no Censo 2022, 87,4%. Por trás desses números há industrialização, migrações de milhões de pessoas, mudanças técnicas e sociais no campo, crescimento dos serviços e uma rede de cidades cada vez mais interligada — e também desigualdades regionais e sociais que a urbanização não eliminou.

O percurso deste artigo começa pelos conceitos que costumam ser confundidos: urbanização, crescimento urbano, metropolização, conurbação, rede urbana e região metropolitana. Em seguida, reconstrói as fases da urbanização no século XX, com suas causas e diferenças regionais. Depois trata das metrópoles e das regiões metropolitanas, da conurbação e das formas de integração entre municípios, e por fim da desconcentração relativa das metrópoles e do papel das cidades médias. Os dados usados são dos censos do IBGE, com a fonte e o critério de cada tabela.

Conceitos de partida: o que se mede quando se fala em urbanização

Urbanização é o aumento da participação da população urbana na população total. É uma proporção, e por isso se mede pela taxa de urbanização (ou grau de urbanização):

taxa de urbanizac¸a˜o=populac¸a˜o urbanapopulac¸a˜o total×100\text{taxa de urbanização} = \frac{\text{população urbana}}{\text{população total}} \times 100

Crescimento urbano é outra coisa: é o aumento do número absoluto de pessoas nas áreas urbanas, ou da área ocupada pelas cidades. Os dois costumam andar juntos, mas não são sinônimos. Um país pode ter crescimento urbano sem urbanização, se campo e cidade crescerem no mesmo ritmo; e pode ter urbanização com pouco crescimento urbano, se a população rural diminuir enquanto a urbana fica quase estável.

Quem o IBGE conta como urbano

Nos censos, "urbano" e "rural" são a situação do domicílio: cada domicílio é classificado conforme a área em que está. Até o Censo 2010, a área urbana era, pela definição metodológica do IBGE, a área interna ao perímetro urbano de uma cidade (sede de município) ou vila (sede de distrito), definido por lei municipal. Ou seja, a fronteira entre urbano e rural dependia de leis das prefeituras, muitas vezes desatualizadas em relação ao crescimento real das cidades.

No Censo 2022, o IBGE mudou o procedimento: as áreas urbanas e rurais passaram a ser delimitadas para fins estatísticos pela morfologia urbana (a forma da ocupação) e pela funcionalidade das ocupações, com base em imagens de satélite atualizadas, e cada setor censitário foi classificado a partir desse mapeamento.

Um vocabulário para não misturar escalas

Vários termos da geografia urbana descrevem coisas de natureza diferente: um processo, uma forma na paisagem, um conjunto de fluxos ou uma instituição criada por lei. A tabela resume o que cada um significa e como se reconhece.

TermoO que éComo se reconhece
UrbanizaçãoAumento da participação da população urbana no totalTaxa de urbanização (%) crescente
Crescimento urbanoAumento absoluto da população ou da área das cidadesNúmero de habitantes ou área em alta
MetropolizaçãoConcentração de população, atividades e comando em grandes centros e expansão de sua influência sobre o entornoGrandes aglomerações, fluxos diários, sedes de empresas e serviços raros
ConurbaçãoUnião física dos tecidos urbanos de cidades vizinhasMancha construída contínua atravessando limites municipais
Arranjo populacional (IBGE)Grupo de municípios fortemente integrados por deslocamentos diários ou por manchas urbanas contíguasCritérios estatísticos: fluxos para trabalho e estudo, distância entre manchas
Rede urbanaConjunto de cidades ligadas por fluxos de bens, serviços, informação e gestão, organizadas em hierarquiaCidades menores recorrendo a centros maiores (ex.: REGIC, do IBGE)
Região metropolitana institucionalUnidade criada por lei complementar estadual para planejar funções públicas de interesse comumLista de municípios em lei
DesmetropolizaçãoPerda de peso relativo das metrópoles no crescimento da população e das atividadesMetrópoles crescendo menos que o país e que outras cidades
Cidade médiaCidade que exerce papel de intermediação entre metrópoles, pequenas cidades e o campoFunções regionais (comércio, saúde, ensino, gestão), não só população

Fases da urbanização no Brasil (século XX)

A urbanização brasileira não foi um movimento contínuo e uniforme. É útil dividi-la em fases, lembrando que as datas são aproximadas e que as regiões viveram cada fase em momentos diferentes.

Gráfico de linhas da taxa de urbanização nos censos de 1950 a 2022, em porcentagem. Brasil: 36,2 em 1950, 45,1 em 1960, 56,0 em 1970, 67,7 em 1980, 75,5 em 1991, 81,2 em 2000, 84,4 em 2010 e 87,4 em 2022. Sudeste: de 47,5 a 94,5. Nordeste: de 26,4 a 77,7. O trecho 2010–2022 é tracejado, com círculos vazados em 2022, porque o critério urbano/rural mudou.
Taxa de urbanização (%) do Brasil, do Sudeste e do Nordeste nos censos de 1950 a 2022. Elaboração própria com dados do IBGE (Sidra, tabelas 1288 e 10211). Em 2022 o IBGE passou a delimitar as áreas urbanas por morfologia e imagens de satélite; a comparação com 2010 não é estritamente homogênea.

Antes de 1950: um país de "arquipélagos regionais"

Até as primeiras décadas do século XX, as regiões brasileiras funcionavam como economias pouco integradas entre si, articuladas sobretudo em torno de atividades agrícolas e da exportação. O pesquisador Fausto Brito descreve esses conjuntos como "arquipélagos regionais", cada um polarizado por sua capital, formando uma rede urbana embrionária e basicamente litorânea: as capitais concentravam serviços públicos, comércio e intermediação financeira ligados à exportação e à importação. Rio de Janeiro, então capital federal, e São Paulo recebiam o impacto da economia cafeeira e de uma industrialização ainda incipiente.

Do Segundo Império ao fim da Primeira República (1930), as migrações internas foram limitadas pelos grandes fluxos de imigrantes estrangeiros, cuja vinda era financiada pelo Estado e que se concentraram cada vez mais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1950, pouco mais de um terço da população brasileira era urbana.

1950–1980: industrialização, migração e urbanização acelerada

A grande expansão urbana ocorreu na segunda metade do século XX. A população urbana ultrapassou a rural durante a década de 1960 — o primeiro censo a registrar maioria urbana foi o de 1970 (56,0%). Entre 1950 e 1980, a taxa de urbanização passou de 36,2% para 67,7%.

Três fatores se combinaram:

  • Industrialização concentrada. O crescimento industrial, comandado sobretudo por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, concentrou empregos e investimentos no Sudeste e ampliou os desequilíbrios regionais.
  • Migrações internas. Milhões de pessoas deixaram o campo e as regiões mais pobres, sobretudo o Nordeste e Minas Gerais, em direção às cidades do Sudeste. Segundo Brito, entre 1960 e o fim dos anos 1980 saíram do campo quase 43 milhões de pessoas, contando os filhos que os migrantes tiveram nas cidades; a maior parte do crescimento urbano entre 1960 e 1980 deveu-se a esse fluxo.
  • Crescimento natural ainda alto. A fecundidade só começou a cair de forma generalizada na segunda metade dos anos 1960, de modo que as cidades também cresciam pelos nascimentos.

Urbanização e concentração em grandes cidades foram simultâneas: em 1970, mais da metade da população urbana já vivia em cidades com mais de 100 mil habitantes.

O campo que expulsa: modernização conservadora

A urbanização não foi causada apenas pela atração das cidades. O campo também mudou. A partir de 1965, a política agrícola usou o crédito rural subsidiado, vinculado ao uso de máquinas e insumos, para modernizar a produção. Os maiores proprietários, nas melhores terras, tiveram acesso a crédito, tecnologia e assistência técnica; pequenos produtores ficaram com terras piores e práticas tradicionais.

Essa modernização é chamada de conservadora porque transformou a técnica sem alterar — e até acentuando — a concentração da propriedade da terra. A mecanização reduziu a necessidade de mão de obra, e arrendatários, parceiros e posseiros perderam espaço. O pesquisador George Martine estima um êxodo rural de quase 30 milhões de pessoas entre 1960 e 1980 e aponta que, nos anos 1970, as áreas rurais tiveram, pela primeira vez na história moderna do país, redução absoluta de população. Os censos confirmam: entre os levantamentos de 1950 a 2022, a população rural brasileira atingiu o máximo em 1970 (41,6 milhões) e caiu em todos os censos seguintes.

1980–2000: desaceleração, crise e serviços

Nas duas últimas décadas do século XX, o ritmo mudou. A população urbana continuou crescendo, mas mais devagar: cerca de 4,5% ao ano entre 1970 e 1980, 2,8% ao ano entre 1980 e 1991 e 2,4% ao ano entre 1991 e 2000 (cálculo a partir dos censos). Contribuíram a queda da fecundidade e a redução das migrações. A crise econômica dos anos 1980 e 1990 diminuiu a capacidade das grandes cidades de absorver trabalhadores e tornou o mercado de moradia mais seletivo, o que, segundo Brito, funcionou como "freio" à tendência de concentração cada vez maior nas metrópoles que se anunciava nos anos 1970.

A economia urbana também mudou de perfil. Segundo o IBGE, a metrópole de São Paulo reduziu sua participação na produção industrial tradicional, mas manteve as sedes de empresas e as atividades de tecnologia avançada; São Paulo e Rio de Janeiro passaram a funcionar cada vez mais como centros de serviços avançados. O IBGE registra que, em 2010, mais de 70% das pessoas ocupadas nos setores do chamado terciário avançado (finanças, informação, consultoria, telecomunicações) estavam nas principais concentrações urbanas do país. A cidade passa a ser, sobretudo, lugar de serviços e de comando.

Diferenças regionais

O Brasil não se urbanizou ao mesmo tempo em todas as regiões. O Sudeste, núcleo da industrialização, já era majoritariamente urbano em 1960; o Nordeste só ultrapassou metade de população urbana por volta de 1980. O Centro-Oeste teve a transformação mais rápida, ligada à ocupação das áreas de fronteira agropecuária e à interiorização da rede de cidades.

Região19501970199120102022*
Norte29,642,657,873,578,5
Nordeste26,441,860,673,177,7
Sudeste47,572,888,092,994,5
Sul29,544,674,184,988,3
Centro-Oeste25,950,981,388,891,4
Brasil36,256,075,584,487,4

Taxa de urbanização (% da população residente em situação urbana). Fonte: IBGE, Censos Demográficos, Sidra tabelas 1288 (1950–2010) e 10211 (2022); cálculo próprio a partir das populações. *Em 2022, critério urbano/rural diferente (ver a observação acima).

Metropolização e regiões metropolitanas

Metropolização é o processo pelo qual alguns grandes centros concentram população, atividades econômicas, serviços raros e funções de comando, e estendem sua influência sobre um entorno cada vez maior. A metrópole não é só uma cidade grande: é um centro de gestão, de onde partem decisões de empresas e do poder público e para onde convergem fluxos de pessoas, mercadorias e informações de uma região ou do país.

No Brasil, urbanização e metropolização caminharam juntas. Em 1970, quase metade da população urbana vivia nas aglomerações metropolitanas estudadas por Brito; em 2000, essa proporção havia caído, mas ainda passava de 40%. Só as aglomerações de São Paulo e do Rio de Janeiro reuniam quase 30% da população urbana em 1970 e perto de 20% em 2000.

A hierarquia da rede urbana

Para medir a metropolização, o IBGE classifica as cidades pela influência que exercem, na pesquisa Regiões de Influência das Cidades (REGIC). A edição de referência 2018, publicada em 2020, organiza a rede urbana em cinco níveis, conforme as funções de gestão pública e empresarial e a atração de pessoas em busca de bens e serviços:

  • Metrópoles (15): São Paulo como Grande Metrópole Nacional; Rio de Janeiro e Brasília como Metrópoles Nacionais; e 12 Metrópoles, entre elas Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Goiânia, Belém, Manaus, Campinas, Vitória e Florianópolis. Campinas é a única que não é capital estadual.
  • Capitais Regionais (97), Centros Sub-Regionais (352), Centros de Zona (398) e Centros Locais, a grande maioria das cidades.

Na REGIC, a unidade de análise é a "cidade" funcional: quando municípios estão conurbados ou têm forte movimento diário de trabalho e estudo, eles são tratados como um único nó da rede, o arranjo populacional. Por isso, a metrópole de São Paulo, na REGIC, é o Arranjo Populacional de São Paulo, com 21,5 milhões de habitantes estimados em 2018 e 17,7% do PIB nacional em 2016.

Regiões metropolitanas: uma instituição criada por lei

Região metropolitana (RM) é, no Brasil, uma unidade político-administrativa: um conjunto de municípios limítrofes agrupados por lei para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. Pelo Estatuto da Metrópole, são as políticas ou ações cuja realização por um município isoladamente seja inviável ou cause impacto nos municípios vizinhos — o transporte coletivo entre municípios e o saneamento são exemplos frequentes.

A institucionalização teve duas fases:

  1. Anos 1970, por lei federal. A Lei Complementar nº 14, de 1973, estabeleceu as regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Curitiba, Belém e Fortaleza; a do Rio de Janeiro veio com a Lei Complementar nº 20, de 1974, que tratou da fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. Eram parte de uma política nacional de desenvolvimento urbano ligada à expansão industrial.
  2. Depois da Constituição de 1988, por leis estaduais. O artigo 25, § 3º, permitiu aos estados instituir, por lei complementar, regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões. O número de RMs cresceu muito. O Estatuto da Metrópole (Lei nº 13.089, de 2015) estabeleceu diretrizes para o planejamento e a governança interfederativa dessas unidades.

Como a criação passou a depender das assembleias legislativas, os critérios variam de estado para estado e, segundo Brito, podem obedecer mais a conveniências políticas do que às necessidades reais de gestão metropolitana. O resultado é que região metropolitana institucional e metrópole funcional não coincidem. A composição publicada pelo IBGE em 2025 lista 82 regiões metropolitanas; Santa Catarina tem 14 e a Paraíba, 12. Uma delas, a RM de Araruna (PB), criada por lei complementar estadual em 2013, tem como núcleo uma cidade classificada pela REGIC 2018 como Centro Local, o nível mais baixo da hierarquia.

Conurbação

Conurbação é a junção física dos tecidos urbanos de duas ou mais cidades vizinhas: a área construída de uma cresce até encostar na de outra, e a mancha urbana passa a atravessar os limites municipais. Quem anda pela rua pode passar de um município a outro sem perceber — a divisa existe na lei, não na paisagem.

O estudo do IBGE sobre arranjos populacionais aponta alguns fatores que produzem essas relações cotidianas entre municípios: o crescimento de uma cidade sobre o entorno (o caso mais comum nas metrópoles), a emancipação de um distrito que vira município vizinho, processos históricos de formação e a instalação de indústrias que atraem trabalhadores das cidades próximas. A conurbação aparece nas grandes metrópoles, em que a mancha urbana da capital se estende por vários municípios, mas também em pequenos conjuntos: no mesmo estudo, 76,2% dos arranjos de até 100 mil habitantes são formados por apenas dois municípios.

Conurbação, integração e arranjo populacional

Continuidade física não é a única forma de integração. Duas cidades separadas por alguns quilômetros de campo podem ter milhares de pessoas indo e voltando todos os dias para trabalhar ou estudar. Por isso, o IBGE, no estudo Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil (2ª edição, 2016), define arranjo populacional como o agrupamento de dois ou mais municípios com forte integração populacional, por movimentos pendulares ou por contiguidade das manchas urbanizadas principais. Os critérios usados, com dados do Censo 2010, foram:

  1. Intensidade relativa dos deslocamentos para trabalho e estudo: índice de integração igual ou superior a 0,17.
  2. Intensidade absoluta: pelo menos 10 000 pessoas se deslocando entre os dois municípios, somados os dois sentidos. Esse critério foi incluído porque municípios muito populosos, como Guarulhos, podem ter índice relativo baixo e ainda assim estar fortemente integrados.
  3. Contiguidade: distância de até 3 km entre as bordas das manchas urbanizadas principais — cerca de 30 minutos a pé, segundo o próprio estudo.
Esquema em três painéis com municípios hipotéticos. A, conurbação: a mancha urbana contínua atravessa o limite entre dois municípios. B, integração sem conurbação: duas cidades separadas por mais de 3 km de área rural, ligadas por deslocamentos diários de trabalho e estudo. C, região metropolitana institucional: um contorno legal reúne cinco municípios, incluindo conurbados, um integrado por fluxos e um pouco integrado.
Conurbação, integração funcional e região metropolitana institucional são recortes diferentes. Esquema autoral com municípios hipotéticos; elaboração própria com base nos critérios do IBGE (Arranjos Populacionais, 2016) e na definição legal de região metropolitana.

Desmetropolização e cidades médias

Desconcentração relativa, não esvaziamento

Desde os anos 1970, os dados indicam uma desconcentração relativa da população em relação às grandes aglomerações metropolitanas: elas continuaram crescendo, mas mais devagar que outras partes da rede urbana, e perderam participação no crescimento do país. É isso que se chama de desmetropolização — um termo que pode enganar, porque as metrópoles não foram abandonadas nem deixaram de comandar a economia.

Brito aponta três movimentos. Primeiro, a queda da fecundidade, maior nas grandes cidades. Segundo, a redução dos saldos migratórios das metrópoles, com peso crescente da migração de retorno e da saída para o interior. Entre 1995 e 2000, a aglomeração metropolitana de São Paulo foi a única, entre as estudadas, com saldo migratório total negativo: continuou ganhando mais migrantes de outros estados do que perdia para eles, mas perdeu muito mais gente para o interior paulista do que recebia de lá. Entre os que saíram de São Paulo para outros estados, 46% voltavam ao estado em que tinham nascido. Terceiro, uma reversão espacial dentro das metrópoles: nos anos 1990, as periferias cresciam cerca de 3% ao ano, contra pouco mais de 1% nos municípios-núcleo, porque muitas pessoas saíam da capital para municípios vizinhos da mesma aglomeração.

Esse terceiro ponto é decisivo: quando a capital perde população e a periferia metropolitana cresce, a metrópole como um todo não está se esvaziando — está se espraiando. Para saber se há desmetropolização, é preciso olhar a aglomeração inteira, não só o município central.

O que é, de fato, uma cidade média

É comum encontrar cortes populacionais para delimitar cidades médias. Brito, por exemplo, analisa as cidades de 100 mil a 500 mil habitantes fora das aglomerações metropolitanas. O próprio IBGE, no estudo de arranjos populacionais, usa como recorte operacional "médias concentrações urbanas" os municípios isolados e arranjos com mais de 100 mil até 750 mil habitantes. Esses cortes servem para organizar estatísticas, mas não definem sozinhos o papel de uma cidade.

Na literatura, distingue-se a cidade de porte médio (definida só pelo tamanho) da cidade média, definida pela função de intermediação na rede urbana: ela oferece a uma região comércio, saúde, ensino superior, serviços às empresas e gestão pública, fazendo a ligação entre as metrópoles, as pequenas cidades e o campo. Como observam Scherer e Amaral, uma cidade de 100 mil habitantes no estado de São Paulo, próxima de muitos centros maiores, tem inserção muito diferente de uma cidade do mesmo tamanho em Roraima. Por isso, a classificação da REGIC (Capitais Regionais e Centros Sub-Regionais) é um bom ponto de partida para identificar cidades médias, mais do que a população isolada.

As cidades médias ganharam importância com a interiorização da economia: a desconcentração de parte da indústria a partir dos anos 1980 e a ocupação das fronteiras agropecuárias do Centro-Oeste e do Norte criaram novos centros regionais. Scherer e Amaral identificam, entre 2000 e 2010, aumento expressivo de centros nos níveis intermediários da rede nas regiões Norte e Nordeste.

Exemplos resolvidos

Distinções importantes

  • Urbanização × crescimento urbano. Proporção (%) × quantidade (pessoas ou área). O Brasil de 2010 a 2022 teve os dois, mas a urbanização foi lenta (3 pontos percentuais, com mudança de critério) e o crescimento urbano, de 16,6 milhões de pessoas.
  • Metrópole × região metropolitana. Metrópole é uma posição na hierarquia funcional (REGIC); região metropolitana é um recorte criado por lei. Há regiões metropolitanas sem metrópole e metrópoles cuja área de integração real não coincide com a RM.
  • Conurbação × arranjo populacional. Conurbação é continuidade física da mancha urbana. Arranjo populacional (IBGE) pode ser formado por contiguidade ou por fluxos diários intensos, mesmo sem continuidade.
  • Metropolização × macrocefalia. A metropolização é o processo de concentração e expansão da influência das metrópoles. Macrocefalia descreve a situação em que uma única cidade concentra parcela desproporcional da população e das funções de um país; a rede brasileira tem várias metrópoles regionais, o que a diferencia de países com uma só grande cidade dominante.
  • Desmetropolização × esvaziamento. Perda de peso relativo não é perda absoluta de população; e núcleo metropolitano perdendo moradores pode ser espraiamento para a periferia da mesma metrópole.
  • Cidade média × cidade de porte médio. Porte médio é tamanho; cidade média é função de intermediação na rede.
  • Êxodo rural × urbanização. O êxodo rural é um fluxo migratório; a urbanização é o resultado na distribuição da população, que também depende do crescimento natural nas cidades e no campo e da reclassificação de áreas.

Perguntas frequentes

Uma cidade pequena, de poucos milhares de habitantes, conta como urbana?

Nos censos, sim: a classificação é pela situação do domicílio, e não pelo tamanho da cidade. Até 2010, quem morava dentro do perímetro urbano legal de qualquer sede municipal ou distrital era contado como urbano, mesmo em cidades muito pequenas e com forte vínculo com atividades rurais. Por isso a taxa de urbanização mede a distribuição entre áreas urbanas e rurais segundo um critério estatístico, e não o "modo de vida" das pessoas. A mudança de 2022, baseada na forma da ocupação vista em imagens de satélite, tornou a classificação menos dependente das leis municipais, mas continua sendo um critério.

Toda região metropolitana tem uma metrópole?

Não. Desde 1988 cada estado cria suas regiões metropolitanas por lei complementar, com critérios próprios. Na composição publicada pelo IBGE em 2025 há 82 RMs; algumas têm como núcleo cidades que a REGIC 2018 classifica como capitais regionais ou até como centros locais, como Araruna (PB). A RM é um instrumento de planejamento e gestão; a metrópole é uma posição na rede urbana.

Se a capital perde moradores, a metrópole está encolhendo?

Não necessariamente. Muitas vezes a população sai do município central para municípios vizinhos da mesma aglomeração, por causa do preço da moradia, de novos loteamentos e de eixos de transporte. É preciso somar núcleo e periferia: Belo Horizonte perdeu moradores entre 2010 e 2022, mas o arranjo populacional de Belo Horizonte cresceu. Em outros casos, como Salvador, a aglomeração inteira diminuiu — por isso a conclusão depende dos dados de cada lugar.

Posso dizer que a urbanização brasileira acabou?

A taxa de urbanização está alta e cresce devagar, e a população rural diminuiu em todas as regiões entre 2010 e 2022. Mas os processos urbanos continuam: metrópoles se espraiam, cidades médias crescem, surgem novas conurbações e a rede urbana se interioriza. O que mudou foi o motor principal: a grande migração campo–cidade das décadas de 1960 a 1980 perdeu força, e ganharam importância a migração entre cidades, a migração de retorno e os deslocamentos diários.

Conurbação só acontece entre cidades grandes?

Não. Cidades pequenas e médias também se conurbam — por exemplo, quando a sede de um município emancipado continua colada à cidade de origem, ou quando o crescimento de uma cidade alcança a vizinha. No estudo de arranjos populacionais do IBGE, a maioria dos arranjos de até 100 mil habitantes é formada por apenas dois municípios. O que caracteriza a conurbação é a continuidade da área construída, não o tamanho.

Por que tantos migrantes voltaram ao Nordeste?

A partir dos anos 1980, a crise econômica reduziu a capacidade das metrópoles do Sudeste de absorver trabalhadores, e o mercado de moradia ficou mais seletivo. Brito mostra que, entre 1995 e 2000, 46% dos emigrantes da aglomeração de São Paulo para outros estados eram naturais do estado de destino — mais de 60% entre os que foram para o Nordeste. Isso não significa que a migração para São Paulo tenha parado: a chegada de migrantes de outros estados, sobretudo do Nordeste, continuou, e o saldo com os outros estados seguiu positivo, embora pequeno, porque a saída — em grande parte de retorno — quase o igualava. O saldo total da aglomeração ficou negativo por causa das perdas para o interior do próprio estado.

Exercícios

Tente resolver antes de conferir a resposta.

Exercício 1

Autoral

Exercício elaborado para este artigo com dados reais dos censos do IBGE (Sidra, tabela 1288) para a Região Centro-Oeste:

AnoPopulação urbanaPopulação ruralPopulação total
1960995 1711 683 2092 678 380
19804 950 2032 053 3127 003 515

Qual afirmação interpreta corretamente a tabela?

  1. a

    A taxa de urbanização passou de cerca de 37% para cerca de 71%, embora a população rural também tenha aumentado.

  2. b

    A taxa de urbanização passou de cerca de 37% para cerca de 71%, o que mostra que a população rural diminuiu no período.

  3. c

    A população urbana cresceu cerca de 34% entre 1960 e 1980.

  4. d

    A taxa de urbanização de 1980 é de aproximadamente 2,4, pois havia 2,4 moradores urbanos para cada morador rural.

  5. e

    Como a população total quase triplicou, não é possível calcular se houve urbanização sem conhecer as migrações.

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Resposta

Alternativa a.

Resolução

Cálculo das taxas. A taxa de urbanização é a população urbana dividida pela total, vezes 100.

  • 1960: 995 171÷2 678 380≈0,372995\,171 \div 2\,678\,380 \approx 0{,}372, ou 37,2%.
  • 1980: 4 950 203÷7 003 515≈0,7074\,950\,203 \div 7\,003\,515 \approx 0{,}707, ou 70,7%.

População rural. Passou de 1 683 209 para 2 053 312 pessoas: aumentou cerca de 370 mil (em torno de 22%). A urbanização (aumento da proporção urbana) aconteceu porque a população urbana cresceu muito mais depressa que a rural, e não porque o campo perdeu gente.

Por que as outras estão erradas:

  • b) Confunde proporção com quantidade. A proporção rural caiu (de 62,8% para 29,3%), mas o número de moradores rurais subiu.
  • c) Confunde a variação da taxa (cerca de 34 pontos percentuais) com o crescimento da população urbana. Esta passou de cerca de 1,0 milhão para 5,0 milhões: ficou quase cinco vezes maior, um aumento de quase 400%.
  • d) 4 950 203÷2 053 312≈2,44\,950\,203 \div 2\,053\,312 \approx 2{,}4 é a razão entre urbanos e rurais, não a taxa de urbanização, que usa a população total no denominador.
  • e) A taxa de urbanização se calcula diretamente com as populações urbana e total; os dados de migração ajudam a explicar por que ela mudou, mas não são necessários para medir a mudança.

Contexto. O Centro-Oeste teve a urbanização mais rápida entre as regiões no período, associada à ocupação de áreas de fronteira agropecuária e à interiorização da rede urbana. O exemplo mostra que uma região pode se urbanizar rapidamente mesmo com a população rural ainda crescendo.

Exercício 2

Autoral

Exercício elaborado para este artigo. A Região Metropolitana de Araruna, na Paraíba, foi instituída por lei complementar estadual em 2013 e aparece na composição de recortes metropolitanos publicada pelo IBGE. Na pesquisa Regiões de Influência das Cidades (REGIC 2018), porém, o município de Araruna (PB) é classificado como Centro Local, o último nível da hierarquia urbana.

Explique por que essas duas informações não são contraditórias e o que cada uma indica sobre o lugar. Em seguida, cite que tipo de dado seria necessário para verificar se os municípios dessa região metropolitana formam um conjunto integrado.

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Resposta

Não há contradição porque região metropolitana é um recorte institucional, criado por lei estadual para planejamento conjunto, enquanto a REGIC mede a posição funcional de uma cidade na rede urbana. A integração real só se verifica com dados de continuidade da mancha urbana e de deslocamentos diários para trabalho e estudo.

Resolução

1. O que a lei indica. Desde a Constituição de 1988 (art. 25, § 3º), os estados podem instituir regiões metropolitanas por lei complementar, agrupando municípios limítrofes para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. A existência da RM de Araruna indica uma decisão político-administrativa do estado da Paraíba de tratar esses municípios como uma unidade de planejamento. Os critérios dessa decisão são definidos por cada assembleia legislativa e não precisam seguir a classificação do IBGE.

2. O que a REGIC indica. A REGIC classifica as cidades pela influência que exercem: funções de gestão pública e empresarial e atração de pessoas em busca de bens e serviços. Ser Centro Local significa que Araruna atende sobretudo a sua própria população e recorre a cidades de nível superior para serviços mais raros. Metrópole, na REGIC, é o primeiro nível — 15 cidades em 2018.

3. Por que não há contradição. As duas classificações respondem a perguntas diferentes: "que municípios o estado decidiu planejar juntos?" e "que papel esta cidade tem na rede urbana?". Por isso uma região metropolitana institucional pode não conter nenhuma metrópole, assim como uma metrópole pode ter uma área de integração maior ou menor do que a RM definida em lei.

4. Como verificar a integração. Seriam necessários:

  • dados de deslocamento diário para trabalho e estudo entre os municípios (por exemplo, do Censo), para calcular índices de integração como o do IBGE (soma dos fluxos nos dois sentidos dividida pelo total de pessoas que trabalham e/ou estudam no município);
  • mapas ou imagens da área urbanizada, para saber se há continuidade das manchas urbanas (conurbação).

Se os fluxos forem baixos e as manchas estiverem distantes, o recorte legal não corresponde a uma aglomeração integrada, ainda que possa ter utilidade como instrumento de cooperação entre municípios.

Exercício 3

Autoral

Exercício com cidades hipotéticas, elaborado para este artigo. Duas cidades têm cerca de 150 mil habitantes cada.

  • Cidade X fica a 50 km de uma metrópole, com a qual forma mancha urbana quase contínua. Grande parte dos moradores trabalha ou estuda na metrópole, e é lá que a população de X procura hospitais especializados, universidades e grandes lojas.
  • Cidade Y fica a mais de 500 km da metrópole mais próxima, em área de agropecuária moderna. Tem hospital regional, campus universitário, revendas de máquinas agrícolas, agências bancárias e escritórios de órgãos estaduais, que atendem a moradores de cerca de vinte municípios menores do entorno.

Com base no conceito de cidade média discutido no artigo, qual alternativa é correta?

  1. a

    As duas são cidades médias, porque ambas estão na faixa de 100 mil a 500 mil habitantes.

  2. b

    Y cumpre melhor o papel de cidade média, pois faz a intermediação entre a metrópole, as pequenas cidades e o campo da sua região; X funciona mais como parte da aglomeração metropolitana.

  3. c

    X é a cidade média, porque está mais próxima da metrópole e, portanto, mais integrada à rede urbana.

  4. d

    Nenhuma pode ser cidade média, porque cidades médias precisam ter mais de 500 mil habitantes.

  5. e

    Y não pode ser cidade média porque sua economia depende da agropecuária, que é uma atividade rural.

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Resposta

Alternativa b.

Resolução

O critério. A literatura geográfica distingue a cidade de porte médio, definida só pela população, da cidade média, definida pela função de intermediação na rede urbana: oferecer a uma região comércio, saúde, ensino, serviços às empresas e gestão pública, ligando metrópoles, pequenas cidades e campo. O tamanho é um primeiro filtro, não a definição.

Cidade Y. Polariza cerca de vinte municípios com serviços que eles não têm (hospital regional, universidade, bancos, órgãos públicos) e presta serviços à agropecuária do entorno. É um centro de intermediação regional — o tipo de cidade que a REGIC tende a classificar como Capital Regional ou Centro Sub-Regional.

Cidade X. Tem o mesmo tamanho, mas seus moradores dependem da metrópole para serviços especializados e muitos se deslocam para lá todos os dias; a mancha urbana é quase contínua. Ela se comporta como parte da aglomeração metropolitana (poderia integrar um arranjo populacional com a metrópole), e não como centro que organiza uma região própria.

Distratores:

  • a) Usa apenas o corte populacional. É o erro que o artigo aponta: duas cidades do mesmo tamanho podem ter papéis muito diferentes na rede.
  • c) Estar integrada a uma metrópole não faz de X um centro intermediário; ao contrário, indica dependência.
  • d) Inventa um corte e o usa como definição. Além disso, o IBGE usa, no estudo de arranjos populacionais, um recorte operacional de mais de 100 mil a 750 mil habitantes para "médias concentrações urbanas" — um corte estatístico, não uma definição funcional.
  • e) O que define a cidade média é o papel urbano de oferecer serviços e comando a uma região; atender ao agronegócio do entorno é justamente uma dessas funções.

Referências

  1. IBGE — Sidra, tabela 1288: População nos Censos Demográficos por situação do domicílio (1950–2010)

    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), tabela 1288, variável 606 (População, pessoas), classificação 'Situação do domicílio' (Total, Urbana, Rural), níveis Brasil e Grandes Regiões, anos 1950, 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010. Valores obtidos pela interface de dados do Sidra (apisidra.ibge.gov.br) e metadados pela API de agregados do IBGE em 28/09/2026. Taxas de urbanização e taxas de crescimento calculadas pelo autor.

  2. IBGE — Sidra, tabela 10211: População residente, segundo localização e situação do domicílio (Censo 2022)

    IBGE, Censo Demográfico 2022, Sidra tabela 10211, variáveis 93 (População residente) e 1000093 (percentual do total geral), 'Situação do domicílio' Total/Urbana/Rural, 'Localização do domicílio' = Total, níveis Brasil e Grandes Regiões. Consultada pela interface de dados do Sidra em 28/09/2026.

  3. IBGE — Sidra, tabela 4709: População residente, variação absoluta e taxa de crescimento geométrico (Censo 2022)

    IBGE, Censo Demográfico 2022, Sidra tabela 4709, variáveis 93 (População residente, 2022), 5936 (Variação absoluta da população residente 2010 compatibilizada) e 10605 (Taxa de crescimento geométrico, %), nível Município. Consultada em 28/09/2026 para os municípios citados e para todos os municípios dos arranjos populacionais de Salvador (10), Belo Horizonte (23) e São Paulo (37), conforme a composição da REGIC 2018; população de 2010 obtida por diferença e agregações feitas pelo autor.

  4. IBGE — divulgação 'Censo Demográfico 2022: Malha de Setores Censitários definitivos' (14/11/2024), texto reproduzido pelo portal Agora RN

    Texto 'Censo 2022: 87% da população brasileira vive em áreas urbanas', de 14/11/2024, que reproduz a notícia da Agência IBGE Notícias sobre a divulgação da malha de setores censitários, com declarações do analista do IBGE Felipe Leitão. A página original da Agência IBGE (agenciadenoticias.ibge.gov.br, notícia 41901) e a página do IBGE Educa retornaram HTTP 403 ao acesso direto nesta autoria; os números foram conferidos na tabela 10211 do Sidra. Na citação do analista, 'novidade em relação aos dados do Censo 2022' aparece no texto, mas o contexto indica que a comparação é com o critério anterior (Censo 2010).

  5. IBGE — Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil, 2ª edição (2016)

    IBGE, Coordenação de Geografia. Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2016. ISBN 978-85-240-4406-9. Consultadas as páginas 9, 12–19, 22–24, 35, 40 e 48 do arquivo PDF (a publicação não traz numeração extraível no texto): Introdução e nota 2; 'Aspectos e abordagens conceituais do fenômeno urbano'; 'Critérios para a formação dos Arranjos Populacionais'; seções sobre arranjos até 100 000 habitantes, médias e grandes concentrações urbanas.

  6. IBGE — Regiões de Influência das Cidades 2018 (publicação de 2020) e base tabular

    IBGE, Coordenação de Geografia. Regiões de Influência das Cidades 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. 192 p. ISBN 978-65-87201-04-7. Seção 'A rede urbana brasileira', 'Hierarquia dos centros urbanos', pp. 11–13 (páginas 13–15 do PDF). Complementada pela base tabular do geoftp do IBGE (REGIC2018_Cidades_v2.xlsx, variáveis VAR09/VAR10 — nível e denominação da hierarquia em 2018; REGIC2018_Arranjos_Populacionais_v2.xlsx — composição dos arranjos).

  7. IBGE — Composição dos recortes metropolitanos (arquivo Composicao_RM_2025.xlsx)

    IBGE, Estrutura territorial, 'Municípios por regiões metropolitanas', pasta Situacao_2020a2029, arquivo Composicao_RM_2025.xlsx, planilha 'Composição - Recortes Metropolitanos', colunas NOME_CATMETROPOL, LEG e DATA. Contagem feita pelo autor em 28/09/2026.

  8. Brasil — Lei Complementar nº 14, de 8 de junho de 1973

    BRASIL. Lei Complementar nº 14, de 8 de junho de 1973. Estabelece as regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Curitiba, Belém e Fortaleza. Texto no portal da Presidência da República, art. 1º.

  9. Brasil — Lei Complementar nº 20, de 1º de julho de 1974

    BRASIL. Lei Complementar nº 20, de 1º de julho de 1974. Capítulo II (Da Fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara), art. 8º; Seção IV (Da Região Metropolitana do Rio de Janeiro), art. 19.

  10. Brasil — Constituição Federal de 1988, art. 25, § 3º

    BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 25, § 3º, texto compilado no portal da Presidência da República.

  11. Brasil — Lei nº 13.089, de 12 de janeiro de 2015 (Estatuto da Metrópole)

    BRASIL. Lei nº 13.089/2015, Estatuto da Metrópole, texto compilado no portal da Presidência da República: art. 1º e art. 2º, incisos I, II, V e VII (redação dada pela Lei nº 13.683/2018).

  12. Brito — O deslocamento da população brasileira para as metrópoles (Estudos Avançados, 2006)

    BRITO, Fausto. O deslocamento da população brasileira para as metrópoles. Estudos Avançados, São Paulo, v. 20, n. 57, p. 221–236, 2006. DOI 10.1590/S0103-40142006000200017. Lido na versão HTML do SciELO: resumo, introdução, 'Urbanização, concentração e migrações internas', 'A urbanização e os aglomerados metropolitanos', 'As migrações internas e os aglomerados metropolitanos' e conclusões.

  13. Martine — A trajetória da modernização agrícola: a quem beneficia? (Lua Nova, 1991)

    MARTINE, George. A trajetória da modernização agrícola: a quem beneficia? Lua Nova: Revista de Cultura e Política, São Paulo, n. 23, p. 7–37, mar. 1991. DOI 10.1590/S0102-64451991000100003. Seção 'A Modernização Conservadora, 1965-79', lida na versão HTML do SciELO.

  14. Scherer; Amaral — O espaço e o lugar das cidades médias na rede urbana brasileira (RBEUR, 2020)

    SCHERER, Clauber Eduardo Marchezan; AMARAL, Pedro Vasconcelos Maia do. O espaço e o lugar das cidades médias na rede urbana brasileira. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 22, e202001, 2020. DOI 10.22296/2317-1529.rbeur.202001. Resumo, introdução, seção 2.1 'Evolução da rede de cidades brasileira' e considerações finais, na versão HTML do SciELO.