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Geografia física: estrutura da Terra, relevo, solos, clima, hidrografia e domínios naturais

Estrutura da Terra, tectônica, rochas, relevo, solos, clima, hidrografia, domínios morfoclimáticos e problemas ambientais.

A paisagem que se vê de uma janela resulta de processos que atuam em escalas de tempo muito diferentes. As montanhas levam milhões de anos para se erguer e ser desgastadas. Um solo leva séculos para se formar alguns centímetros. Uma frente fria atravessa uma região em poucos dias. Uma enxurrada escava uma encosta em minutos. A Geografia Física estuda esses processos naturais e suas relações com a ocupação humana do espaço.

Este artigo parte do interior do planeta e sobe até a atmosfera:

1. A estrutura interna da Terra e a tectônica de placas, que explicam terremotos, vulcões e cordilheiras.

2. As rochas, o relevo e os solos, com destaque para o Brasil.

3. O clima, a hidrografia e os domínios morfoclimáticos, que integram relevo, clima, solo e vegetação.

4. Os problemas ambientais em que processos naturais e ações humanas se combinam.

1. Estrutura da Terra e tempo geológico

1.1 As camadas internas

A Terra tem raio médio de cerca de 6.370 km. Seu interior é dividido em camadas:

CamadaProfundidade aproximadaCaracterísticas
CrostaAté 5 a 70 kmCamada rochosa mais externa e mais fina. A continental é mais espessa (em geral de 30 a 70 km) e menos densa, com rochas semelhantes ao granito. A oceânica é mais fina (5 a 10 km) e mais densa, com rochas basálticas
MantoAté cerca de 2.900 kmA camada mais volumosa. Formado por rochas quentes, em sua maior parte sólidas, mas capazes de se deformar e fluir muito lentamente ao longo de milhões de anos
Núcleo externoDe 2.900 a 5.100 kmLíquido, formado principalmente por ferro e níquel. Seu movimento gera o campo magnético da Terra
Núcleo internoDe 5.100 km até o centroSólido, apesar de temperaturas estimadas em milhares de graus, por causa da pressão enorme

Para a dinâmica da superfície, é útil outra divisão, baseada no comportamento mecânico das rochas:

  • Litosfera: camada rígida formada pela crosta e pela parte superior do manto, com cerca de 100 km de espessura. É ela que se divide em placas tectônicas.
  • Astenosfera: camada do manto abaixo da litosfera, mais quente e plástica, sobre a qual as placas se deslocam.
Corte de um quarto da Terra em escala, com manto, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido; a crosta aparece como uma linha fina na superfície. Ao lado, um detalhe ampliado mostra a crosta continental, mais espessa, e a oceânica, mais fina, o manto superior rígido que com a crosta forma a litosfera, e a astenosfera, plástica.
Figura 1. Camadas da Terra. No corte, os raios estão em escala: a crosta é tão fina que se reduz a uma linha. O detalhe, fora de escala, mostra que a litosfera inclui a crosta e a parte rígida do manto superior, e que a astenosfera é plástica: o manto não é "lava líquida".

1.2 O tempo geológico

A Terra tem cerca de 4,6 bilhões de anos. Para organizar essa história, os geólogos usam a escala do tempo geológico, baseada nas rochas e nos fósseis:

DivisãoPeríodo aproximadoAcontecimentos marcantes
Pré-CambrianoDe 4,6 bilhões a 541 milhões de anos atrásFormação da crosta, das rochas mais antigas e dos primeiros seres vivos; cerca de 88% da história do planeta
Era PaleozoicaDe 541 a 252 milhões de anosDiversificação da vida nos mares; plantas e animais conquistam a terra firme; formação de grandes depósitos de carvão
Era MesozoicaDe 252 a 66 milhões de anosEra dos dinossauros; fragmentação do supercontinente Pangeia; abertura do oceano Atlântico
Era CenozoicaDe 66 milhões de anos até hojeDiversificação dos mamíferos; formação das grandes cordilheiras atuais, como Andes e Himalaia; surgimento do ser humano

2. Tectônica de placas

2.1 Da deriva continental à tectônica de placas

Em 1912, o meteorologista alemão Alfred Wegener propôs a teoria da deriva continental: os continentes teriam formado, no passado, um único bloco, a Pangeia, que se fragmentou e se deslocou. Suas evidências eram:

  • o encaixe dos contornos da América do Sul e da África;
  • fósseis iguais em continentes hoje separados por oceanos. É o caso do réptil Mesosaurus, encontrado no Brasil e no sul da África, e da planta Glossopteris;
  • rochas e marcas de antigas geleiras semelhantes em continentes distantes.

Wegener não conseguiu explicar que força moveria os continentes, e sua teoria foi rejeitada pela maioria dos geólogos da época. Nas décadas de 1950 e 1960, estudos do fundo dos oceanos revelaram duas coisas:

  • cordilheiras submarinas onde se forma nova crosta, as dorsais;
  • faixas de rochas com magnetismo alternado, simétricas em relação às dorsais.

Essas descobertas levaram à teoria da tectônica de placas, hoje aceita pela comunidade científica.

2.2 Limites entre placas

Tipo de limiteMovimentoO que ocorreExemplos
DivergenteAs placas se afastamO magma sobe e forma nova crosta; vulcanismo e terremotosDorsal Mesoatlântica; Islândia; Rift do Leste Africano
Convergente (oceânica × continental)As placas colidemA placa oceânica, mais densa, mergulha sob a continental, em uma zona de subducção; formam-se cordilheiras e vulcõesAndes: a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana
Convergente (oceânica × oceânica)As placas colidemSubducção de uma placa oceânica sob outra; formam-se arcos de ilhas vulcânicasJapão; Indonésia
Convergente (continental × continental)As placas colidemNenhuma mergulha facilmente; a crosta se dobra e se elevaHimalaia, formado pela colisão da placa Indiana com a Eurasiática
TransformanteAs placas deslizam lateralmenteTerremotos, sem formação nem destruição de crostaFalha de San Andreas, na Califórnia

Os terremotos (abalos sísmicos) e os vulcões se concentram nos limites entre as placas. O Círculo de Fogo do Pacífico, faixa de subducção que contorna esse oceano, concentra grande parte dos vulcões ativos e dos terremotos mais intensos do planeta.

Três esquemas. No limite divergente, duas placas se afastam e o magma sobe, formando nova crosta. No limite convergente, uma placa oceânica mergulha sob uma continental, com vulcão na superfície. No limite transformante, visto de cima, duas placas deslizam lado a lado ao longo de uma falha.
Figura 2. Os três tipos de limite entre placas tectônicas, em cortes esquemáticos. Terremotos e vulcões se concentram nesses limites; o Brasil, no interior da placa Sul-Americana, está longe deles.

2.3 O Brasil na placa Sul-Americana

O Brasil está no interior da placa Sul-Americana, longe de seus limites, o que tem três consequências:

  • Atividade sísmica baixa, mas não nula. Ocorrem tremores de pequena magnitude, causados por acomodações internas da placa. Um dos maiores registrados, de magnitude próxima de 5, atingiu João Câmara, no Rio Grande do Norte, em 1986.
  • Não há vulcões ativos. No passado, houve intenso vulcanismo. No Mesozoico, durante a abertura do Atlântico, grandes derrames de lava cobriram o sul do país, formando os basaltos da Formação Serra Geral, que deram origem a solos férteis (seção 5.3). Ilhas como Fernando de Noronha e Trindade são de origem vulcânica, com vulcões hoje extintos.
  • Não há dobramentos modernos, como os Andes. O relevo brasileiro é formado por estruturas antigas e bastante desgastadas.

3. Rochas e estrutura geológica

3.1 Tipos de rocha

As rochas são agregados de minerais, substâncias naturais sólidas com composição química e estrutura definidas, como o quartzo, o feldspato e a mica. Pela origem, dividem-se em três tipos:

TipoComo se formaExemplosCaracterísticas
Magmática (ígnea) intrusiva ou plutônicaResfriamento lento do magma no interior da crostaGranitoCristais grandes, visíveis a olho nu
Magmática extrusiva ou vulcânicaResfriamento rápido da lava na superfícieBasaltoCristais pequenos
SedimentarAcúmulo e compactação de sedimentos: fragmentos de outras rochas, restos de seres vivos ou substâncias precipitadasArenito, argilito, calcário, conglomeradoCamadas visíveis (estratos); podem conter fósseis; associadas a petróleo, gás e carvão
MetamórficaTransformação de rochas preexistentes por altas temperaturas e pressões, sem fusãoMármore (de calcário), quartzito (de arenito), gnaisse (de granito), ardósia (de argilito)Minerais reorganizados, muitas vezes em faixas

3.2 O ciclo das rochas

As rochas se transformam continuamente de um tipo em outro, em um processo chamado de ciclo das rochas:

  1. O magma se resfria e forma rochas magmáticas.
  2. Na superfície, as rochas sofrem intemperismo e erosão (seção 4.2), e seus fragmentos são transportados e depositados como sedimentos.
  3. Os sedimentos se compactam e formam rochas sedimentares.
  4. Rochas soterradas a grandes profundidades sofrem calor e pressão e se transformam em rochas metamórficas.
  5. Em profundidades ainda maiores, podem fundir-se e voltar a ser magma.

Qualquer tipo de rocha pode percorrer qualquer caminho do ciclo. Uma rocha metamórfica exposta na superfície, por exemplo, também sofre erosão e forma sedimentos.

Ciclo das rochas: o magma se resfria e forma rocha magmática; o intemperismo e a erosão produzem sedimentos; transporte, deposição e compactação formam rocha sedimentar; calor e pressão formam rocha metamórfica; a fusão produz magma. Setas tracejadas indicam que rochas magmáticas também sofrem metamorfismo e que qualquer rocha pode sofrer erosão.
Figura 3. Ciclo das rochas, esquemático. O ciclo não tem sentido único: qualquer tipo de rocha exposto na superfície sofre intemperismo e erosão, e qualquer rocha submetida a calor e pressão pode se transformar em metamórfica.

3.3 Estruturas geológicas

Em grandes áreas, as rochas se organizam em três tipos de estrutura geológica:

  • Escudos cristalinos (maciços antigos): formados por rochas magmáticas e metamórficas muito antigas, do Pré-Cambriano, bastante desgastadas pela erosão. São ricos em minerais metálicos, como ferro, manganês, ouro e bauxita.
  • Bacias sedimentares: áreas deprimidas da crosta onde se acumularam sedimentos ao longo de milhões de anos, formando rochas sedimentares. Podem conter combustíveis fósseis: petróleo, gás natural e carvão mineral.
  • Dobramentos modernos: cadeias de montanhas formadas no Cenozoico, pela colisão de placas, como os Andes, os Alpes, o Himalaia e as Montanhas Rochosas. São áreas de relevo elevado e sujeitas a terremotos.

No Brasil, predominam as bacias sedimentares, que ocupam cerca de dois terços do território, e os escudos cristalinos, que ocupam o restante. Não há dobramentos modernos.

EstruturaOnde está no BrasilRecursos associados
Escudos cristalinosGrandes áreas do Brasil central, do Nordeste e do Sudeste; escudos das Guianas e BrasileiroQuadrilátero Ferrífero (MG): ferro, ouro, manganês. Serra dos Carajás (PA): ferro, manganês, cobre
Bacias sedimentaresBacias Amazônica, do Paraná, do Parnaíba, do São Francisco e bacias costeirasPetróleo e gás nas bacias marítimas, como Campos e Santos, com o pré-sal. Carvão mineral no Sul, sobretudo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul

4. Relevo

4.1 Agentes internos e externos

O relevo é o conjunto das formas da superfície terrestre. Resulta da ação combinada de dois grupos de agentes:

  • Agentes internos (endógenos): forças originadas no interior da Terra, como o tectonismo, que inclui os movimentos das placas, os dobramentos e as falhas, o vulcanismo e os abalos sísmicos. Tendem a construir ou elevar o relevo.
  • Agentes externos (exógenos): processos que atuam na superfície, movidos pela energia solar e pela gravidade, como a água, o vento, o gelo, as variações de temperatura, os seres vivos e a ação humana. Tendem a desgastar e a aplanar o relevo.

4.2 Intemperismo e erosão

O intemperismo é a decomposição e desagregação das rochas no próprio lugar em que estão. Ocorre de três formas:

  • Intemperismo físico (mecânico): fragmenta a rocha sem alterar sua composição. Ocorre pela variação diária de temperatura, que faz a rocha dilatar e contrair, muito intensa nos desertos, e pelo congelamento da água em fissuras, que se expande e as alarga.
  • Intemperismo químico: altera a composição dos minerais, por ação da água, do oxigênio e de ácidos. É mais intenso em climas quentes e úmidos, como no Brasil, onde forma mantos de alteração e solos profundos.
  • Intemperismo biológico: causado por seres vivos. Raízes que penetram fissuras e liquens que liberam ácidos são exemplos.

A erosão é a retirada, o transporte e a deposição do material desagregado, feitos pelos agentes externos:

AgenteFormas associadas
Água da chuva (erosão pluvial)Sulcos, ravinas e voçorocas em encostas desprotegidas
Rios (erosão fluvial)Vales, cânions; deposição em planícies e deltas
Mar (erosão marinha)Falésias, praias, restingas
Vento (erosão eólica)Dunas; desgaste de rochas em áreas secas
Gelo (erosão glacial)Vales em forma de U, fiordes
Ser humano (erosão antrópica)Cortes de estradas, desmatamento que acelera a erosão, aterros, mineração

4.3 Formas de relevo

FormaDefiniçãoExemplos
PlanaltoSuperfície elevada, plana ou ondulada, onde predominam os processos de erosão, de desgastePlanalto Central; Planalto da Borborema
PlanícieSuperfície plana, geralmente baixa, onde predominam os processos de sedimentação, de acúmuloPlanície do Pantanal; planícies litorâneas
DepressãoÁrea mais baixa que o relevo ao redor. É absoluta quando está abaixo do nível do mar, e relativa quando está acima dele, mas abaixo das áreas vizinhasAbsoluta: margens do Mar Morto, a cerca de 430 m abaixo do nível do mar. Relativa: Depressão Sertaneja, no Nordeste
MontanhaElevação acentuada, com grandes desníveis e encostas íngremesAndes; Himalaia

Formas características do relevo brasileiro:

  • Chapadas: planaltos de topo plano e bordas escarpadas, geralmente formados por rochas sedimentares. Exemplos: Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Guimarães (MT) e Chapada do Araripe (CE/PE/PI).
  • Serras: conjuntos de elevações alongadas. Exemplos: Serra do Mar e Serra da Mantiqueira.
  • Mares de morros: colinas arredondadas, típicas do Sudeste, resultantes da decomposição química intensa das rochas cristalinas em clima úmido.
  • Cuestas: relevos com uma encosta íngreme e outra suave, formados em camadas sedimentares inclinadas, comuns na borda da Bacia do Paraná.
  • Inselbergs: morros isolados que se destacam em superfícies aplainadas, típicos do semiárido.
  • Pontões: blocos rochosos arredondados de granito ou gnaisse, como o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

Pontos mais altos. Segundo medições do IBGE de 2016, o ponto culminante do Brasil é o Pico da Neblina, no Amazonas, com cerca de 2.995 m. Seguem-se o Pico 31 de Março, também no Amazonas, e o Pico da Bandeira, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, com cerca de 2.891 m.

4.4 Classificações do relevo brasileiro

Três classificações se destacam, e cada uma reflete o conhecimento e os critérios de sua época:

AutorAnoCritério principalUnidades
Aroldo de Azevedo1949Altitude: planaltos acima de 200 m e planícies abaixo8 unidades, entre planaltos e planícies
Aziz Ab'SáberDécadas de 1950 e 1960Processo dominante: erosão (planaltos) ou sedimentação (planícies)10 unidades
Jurandyr Ross1989, publicada em 1995Processo dominante e origem geológica, com base nas imagens de radar do projeto RADAMBRASIL28 unidades: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies

A classificação de Ross é a mais usada atualmente. Uma de suas contribuições foi destacar as depressões relativas, que ocupam grandes áreas e foram formadas por erosão entre as bordas das bacias sedimentares e os escudos cristalinos.

Perfil topográfico esquemático do litoral ao interior: planície litorânea baixa, escarpa íngreme da Serra do Mar até cerca de 900 metros, planalto, depressão relativa mais baixa e planície fluvial. Em cada unidade, indica-se o processo dominante, erosão ou sedimentação.
Figura 4. Perfil de relevo esquemático, com altitudes ilustrativas e exagero vertical. As planícies são áreas em que predomina a sedimentação; planaltos, escarpas e depressões relativas são moldados principalmente pela erosão.

5. Solos

5.1 Formação do solo

O solo é a camada superficial da crosta formada pela alteração das rochas, com mistura de minerais, matéria orgânica, água e ar. É o suporte da vegetação e da agricultura.

5.2 Horizontes do solo

Um corte vertical do solo, o perfil, mostra camadas chamadas de horizontes:

HorizonteCaracterísticas
OCamada superficial de restos orgânicos, como folhas e galhos, em decomposição
ACamada mineral misturada com matéria orgânica, geralmente mais escura; concentra a vida do solo e as raízes
BCamada onde se acumulam argila e óxidos trazidos de cima pela água que se infiltra
CRocha alterada, em decomposição (saprolito)
RRocha de origem, ainda não alterada
Corte vertical de um solo com cinco horizontes, de cima para baixo: O, com matéria orgânica; A, escuro, mistura de matéria orgânica e minerais, onde se concentram as raízes; B, com acúmulo de argila e óxidos; C, rocha alterada em fragmentos; R, rocha de origem.
Figura 5. Perfil de solo esquemático, com espessuras ilustrativas e diferentes entre os horizontes. As raízes se concentram nos horizontes superiores, e a rocha de origem (R) fica na base.

5.3 Solos do Brasil

Em clima tropical úmido, o intemperismo químico é intenso, e os solos tendem a ser profundos, muito intemperizados, ácidos e pobres em nutrientes.

  • Latossolos: os mais extensos do país. São profundos, bem drenados, ácidos e de baixa fertilidade natural. Com correção da acidez, feita com calcário, e adubação, tornaram-se a base da agricultura mecanizada no Cerrado.
  • Nitossolos (a antiga terra roxa): solos avermelhados e férteis, formados a partir do basalto dos antigos derrames vulcânicos do Sul. Sustentaram a expansão do café no Paraná e em São Paulo.
  • Massapê: solo argiloso escuro e fértil da Zona da Mata nordestina e do Recôncavo Baiano, associado historicamente à cana-de-açúcar.
  • Terra preta de índio: solos escuros e férteis da Amazônia, formados pela ação humana de povos indígenas ao longo de séculos, com acúmulo de carvão, cerâmica e restos orgânicos. São evidência de ocupação antiga e densa da floresta.

5.4 Degradação do solo

  • Erosão: retirada do solo pela água e pelo vento, acelerada pela remoção da vegetação. Tem quatro estágios de gravidade crescente:

- laminar: retirada uniforme de uma camada fina; - em sulcos: pequenos canais; - ravinas: canais mais profundos; - voçorocas: grandes crateras, que podem atingir dezenas de metros de profundidade e alcançar o lençol freático.

  • Lixiviação: "lavagem" dos nutrientes solúveis pela água que se infiltra. É intensa em climas muito chuvosos e empobrece o solo.
  • Laterização: acúmulo de óxidos de ferro e alumínio em climas quentes com estação seca, que pode formar uma crosta endurecida, a laterita, que dificulta o cultivo.
  • Salinização: acúmulo de sais na superfície do solo, comum em áreas irrigadas do semiárido. Com a evaporação intensa, os sais trazidos pela água ficam no solo.
  • Compactação: redução dos espaços do solo pelo tráfego de máquinas e pelo pisoteio do gado, o que dificulta a infiltração da água e o crescimento das raízes.

Desertificação e arenização.

  • Desertificação, segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, de 1994, é a degradação das terras em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de variações climáticas e de atividades humanas, como desmatamento, sobrepastoreio e manejo inadequado do solo. No Brasil, há núcleos de desertificação no semiárido, como Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó (RN/PB) e Cabrobó (PE).
  • Arenização é o surgimento de areais, manchas de areia exposta, em áreas de solos arenosos frágeis, como no sudoeste do Rio Grande do Sul, na região de Alegrete. Não é desertificação, porque ocorre em clima úmido. Resulta da fragilidade natural dos solos arenosos, agravada pelo uso inadequado.

Conservação do solo.

  • Curvas de nível: plantio em linhas que seguem a mesma altitude, perpendiculares à declividade, para reduzir a velocidade da enxurrada.
  • Terraceamento: construção de degraus nas encostas.
  • Plantio direto: semeadura sobre a palha da cultura anterior, sem arar o solo.
  • Rotação de culturas e adubação verde.
  • Manutenção da cobertura vegetal, especialmente em encostas, topos de morros e margens de rios.

6. Clima

6.1 Tempo e clima

  • Tempo atmosférico: o estado da atmosfera em um lugar e em um momento determinado. "Hoje está frio e chuvoso" é uma informação sobre o tempo.
  • Clima: o padrão habitual do tempo em um lugar, observado ao longo de muitos anos. A Organização Meteorológica Mundial usa médias de 30 anos, as normais climatológicas.

6.2 Elementos e fatores do clima

Os elementos do clima são as grandezas que o caracterizam: temperatura, umidade, pressão atmosférica, ventos e precipitação.

Os fatores do clima são as condições que influenciam esses elementos:

FatorEfeitoExemplo
LatitudeQuanto mais perto do Equador, maior a incidência de radiação solar e, em geral, maior a temperaturaA Amazônia é mais quente que o Sul do Brasil
AltitudeA temperatura diminui com a altitude, em média cerca de 0,6 °C a cada 100 mCampos do Jordão (SP) é mais fria que Santos (SP), no litoral
Continentalidade e maritimidadeO mar aquece e esfria lentamente, e suaviza as variações de temperatura. O interior dos continentes tem maior amplitude térmicaCidades litorâneas têm diferença menor entre o dia e a noite e entre o verão e o inverno
Correntes marítimasCorrentes quentes aumentam a umidade e as chuvas; correntes frias reduzem a evaporação e favorecem a formação de desertosA corrente fria de Humboldt, no Pacífico, contribui para a aridez do deserto do Atacama
Massas de arLevam as características da região de origemA massa polar provoca frio e geadas no Sul
RelevoBarra ou canaliza massas de ar; força a subida do ar úmidoA Serra do Mar provoca chuvas no litoral paulista
VegetaçãoAumenta a umidade por evapotranspiraçãoA Floresta Amazônica alimenta chuvas em outras regiões

Pressão e ventos. O ar quente é menos denso e sobe, formando áreas de baixa pressão. O ar frio desce, formando áreas de alta pressão. O vento é o deslocamento do ar das áreas de alta para as de baixa pressão.

Perto do Equador, o ar quente sobe e forma a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma faixa de baixa pressão e muitas chuvas. Para ela convergem os ventos alísios, que sopram dos trópicos em direção ao Equador.

6.3 Tipos de chuva

Toda chuva se forma quando o ar úmido sobe, se resfria e o vapor se condensa. A diferença entre os tipos está no que faz o ar subir:

TipoCausa da subida do arCaracterísticasOnde é comum no Brasil
Convectiva (de convecção)Aquecimento intenso da superfícieChuvas fortes e rápidas, geralmente à tarde, no verãoAmazônia; verão do Sudeste e do Centro-Oeste
Orográfica (de relevo)O ar é forçado a subir por uma elevaçãoChove na encosta voltada para o vento (barlavento); a encosta oposta (sotavento) é mais secaSerra do Mar
FrontalEncontro de massas de ar com temperaturas diferentes: o ar quente sobe sobre o ar frioChuvas associadas às frentes frias, seguidas de queda de temperaturaSul e Sudeste

6.4 Massas de ar que atuam no Brasil

Uma massa de ar é uma grande porção da atmosfera com temperatura e umidade relativamente homogêneas, adquiridas na região de origem.

MassaOrigemCaracterísticasAtuação principal
Equatorial continental (mEc)AmazôniaQuente e úmidaAmazônia o ano todo; no verão, expande-se e provoca chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste
Equatorial atlântica (mEa)Atlântico Norte, perto do EquadorQuente e úmidaLitoral norte e nordeste
Tropical atlântica (mTa)Atlântico SulQuente e úmidaLitoral leste e sudeste; chuvas orográficas nas serras
Tropical continental (mTc)Região do Chaco, na Argentina e no ParaguaiQuente e secaÁrea restrita do Centro-Oeste e do Sul, principalmente no verão
Polar atlântica (mPa)Sul do continente e Atlântico SulFria e úmidaSul e Sudeste, sobretudo no inverno: frentes frias, geadas e, eventualmente, neve em áreas serranas. Pode chegar à Amazônia ocidental, provocando a friagem

6.5 Climas do Brasil

A maior parte do território brasileiro está na zona intertropical, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, e por isso predominam climas quentes. A classificação mais usada no ensino, adaptada a partir da proposta de Arthur Strahler, reconhece os seguintes tipos:

ClimaOnde ocorreTemperaturaChuvas
EquatorialAmazôniaElevada o ano todo, com pequena amplitude térmicaAbundantes e bem distribuídas, com período menos chuvoso em algumas áreas
Tropical (típico)Brasil central: Centro-Oeste, partes do Sudeste e do NordesteElevada, com inverno mais amenoVerão chuvoso e inverno seco, com estações bem marcadas
Tropical de altitudePlanaltos do SudesteMais amena que a do tropical típico, pela altitude; geadas eventuais no invernoVerão chuvoso e inverno mais seco
Tropical úmido (litorâneo)Faixa litorânea do Nordeste ao SudesteElevadaAbundantes, influenciadas pela mTa e pelo relevo
SemiáridoSertão nordestino e norte de Minas GeraisElevada o ano todoEscassas, irregulares e concentradas em poucos meses; secas prolongadas
SubtropicalSul do país, abaixo do Trópico de CapricórnioMenores médias do país; quatro estações definidas e maior amplitude térmica anualBem distribuídas ao longo do ano; geadas no inverno e neve ocasional em áreas serranas

6.6 El Niño e La Niña

  • El Niño: aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico equatorial, em sua porção central e leste. Altera a circulação atmosférica em grande parte do planeta. No Brasil, costuma provocar secas no norte do Nordeste e em partes da Amazônia e chuvas acima da média no Sul.
  • La Niña: resfriamento anormal dessas mesmas águas. Seus efeitos tendem a ser opostos, com mais chuvas no Norte e no Nordeste e estiagens no Sul.

A intensidade e os efeitos variam de um episódio para outro. O fenômeno se repete em intervalos irregulares, de alguns anos.

6.7 Leitura de climogramas

O climograma é um gráfico que mostra, para cada mês, a temperatura média, geralmente em linha, e a precipitação total, geralmente em barras.

Quatro climogramas ilustrativos. Equatorial: temperatura quase constante e chuvas altas o ano todo. Tropical: chuvas concentradas no verão e inverno seco. Semiárido: poucas chuvas concentradas em poucos meses. Subtropical: temperatura com grande variação anual e chuvas bem distribuídas.
Figura 6. Quatro climogramas esquemáticos, com valores ilustrativos, e não de cidades reais. Para dados de localidades brasileiras, devem ser usadas as normais climatológicas do INMET.

7. Hidrografia

7.1 Bacia hidrográfica e seus elementos

Uma bacia hidrográfica é a área drenada por um rio principal e seus afluentes. Seus elementos são:

  • Nascente: onde o rio começa.
  • Foz: onde o rio termina, desaguando no mar, em um lago ou em outro rio. Pode ser em estuário, uma saída única e larga, sem acúmulo de sedimentos, ou em delta, com vários canais formados pela deposição de sedimentos.
  • Afluente: rio que deságua em outro maior.
  • Divisor de águas: terreno mais elevado que separa uma bacia da outra.
  • Leito: canal por onde o rio corre. O leito maior, ou várzea, é a área ocupada pelo rio nas cheias.
  • Montante e jusante: montante é a direção da nascente; jusante, a direção da foz.

Regime fluvial é a variação do volume de água de um rio ao longo do ano:

  • pluvial, alimentado pelas chuvas, o predominante no Brasil;
  • nival, alimentado pelo derretimento da neve;
  • glacial, alimentado pelo derretimento de geleiras;
  • misto, que combina mais de uma fonte. O rio Amazonas, por exemplo, recebe águas de chuva e do degelo dos Andes.

Tipos de rio.

  • Perenes: correm o ano todo.
  • Intermitentes (temporários): secam no período sem chuvas. São comuns no semiárido.
  • De planalto: têm desníveis e quedas-d'água, e grande potencial hidrelétrico. Exemplos: Paraná, São Francisco e Tocantins.
  • De planície: têm pouca declividade e são navegáveis em longos trechos. Exemplos: Amazonas e Paraguai.

Todos os rios brasileiros são exorreicos: suas águas acabam chegando ao oceano.

7.2 A água no Brasil

O Brasil tem uma das maiores disponibilidades de água doce superficial do mundo, com cerca de 12% do total do planeta, segundo estimativas frequentemente citadas pela Agência Nacional de Águas (ANA). A distribuição, porém, é desigual: a maior parte está na região hidrográfica Amazônica, onde vive uma pequena parcela da população, enquanto regiões densamente povoadas, como partes do Nordeste e do Sudeste, têm menor disponibilidade.

A crise hídrica que atingiu a região metropolitana de São Paulo em 2014 e 2015 mostrou que mesmo regiões com muita água podem sofrer escassez. As causas combinaram seca prolongada, alto consumo, perdas na distribuição e degradação de mananciais.

7.3 Regiões hidrográficas brasileiras

Desde 2003, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos divide o país em 12 regiões hidrográficas: Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Nordeste Ocidental, Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental, São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Atlântico Sul, Paraná, Paraguai e Uruguai.

RegiãoDestaques
AmazônicaMaior bacia hidrográfica do mundo e maior volume de água descarregado no oceano; rios de planície, navegáveis, com grande potencial hidrelétrico em alguns afluentes
Tocantins-AraguaiaHidrelétrica de Tucuruí (PA); expansão agrícola em sua área
São FranciscoO "rio da integração nacional", que nasce na Serra da Canastra (MG) e deságua entre Alagoas e Sergipe. É perene e atravessa o semiárido. Tem hidrelétricas como Sobradinho, Paulo Afonso e Xingó, e é base da irrigação no Vale do São Francisco. O Projeto de Integração do Rio São Francisco, a "transposição", leva parte de suas águas a áreas de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte
ParanáA mais aproveitada para gerar energia; tem a hidrelétrica de Itaipu, binacional, construída pelo Brasil e pelo Paraguai. O rio Tietê, afluente do Paraná, nasce perto do litoral, mas corre para o interior, porque a Serra do Mar funciona como divisor de águas
ParaguaiDrena o Pantanal; rio de planície, navegável
UruguaiDivisa com Argentina e Uruguai; potencial hidrelétrico e irrigação de arroz

7.4 Águas subterrâneas

Os aquíferos são formações rochosas porosas ou fraturadas que armazenam água no subsolo. São abastecidos pela infiltração da chuva nas áreas de recarga.

  • O Sistema Aquífero Guarani é um dos maiores aquíferos transfronteiriços do mundo. Estende-se sob Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a maior parte em território brasileiro.
  • Na Amazônia, o Sistema Aquífero Grande Amazônia, que inclui a formação Alter do Chão, tem volume estimado por estudos recentes como ainda maior.

A contaminação das áreas de recarga por agrotóxicos, esgoto e resíduos industriais, e a exploração excessiva por poços, ameaçam a qualidade e a disponibilidade dessa água.

8. Domínios morfoclimáticos

O geógrafo Aziz Ab'Sáber propôs, a partir da década de 1960, a divisão do território brasileiro em domínios morfoclimáticos. São grandes áreas definidas pela combinação de relevo, clima, solo, vegetação e hidrografia. Cada domínio tem uma área "nuclear", com características típicas, e é separado dos vizinhos por faixas de transição, onde as características se misturam.

DomínioCaracterísticas principaisBioma correspondente (IBGE)
AmazônicoTerras baixas, clima equatorial, floresta densa, rede hidrográfica volumosaAmazônia
CerradosChapadões e planaltos do interior, clima tropical com estação seca, vegetação de cerrado com matas ao longo dos rios (matas galeria)Cerrado
Mares de morrosColinas arredondadas do Sudeste e do litoral, clima tropical úmido, originalmente coberto por florestaMata Atlântica
CaatingasDepressões entre planaltos, clima semiárido, vegetação adaptada à seca, rios intermitentesCaatinga
AraucáriasPlanaltos do Sul, clima subtropical, matas com pinheiro-do-paraná (araucária)Mata Atlântica (floresta com araucárias)
PradariasColinas suaves (coxilhas) do extremo sul, clima subtropical, vegetação de camposPampa

O Pantanal e a Mata dos Cocais são exemplos de faixas de transição.

9. Problemas ambientais: natureza e sociedade

Muitos problemas ambientais resultam da interação entre processos naturais e ações humanas. Entendê-los exige identificar o que é natural, o que é antrópico e como os dois se combinam.

FenômenoO que éPapel naturalPapel humano
Ilha de calorÁreas centrais das cidades mais quentes que a periferia e as áreas ruraisRadiação solarAsfalto e concreto que absorvem calor, pouca vegetação, calor de veículos e indústrias, prédios que reduzem a ventilação
Inversão térmicaUma camada de ar frio fica presa junto ao solo, sob uma camada de ar mais quente, e o ar não sobeFenômeno natural, comum em manhãs de invernoA poluição fica retida junto ao solo e agrava problemas respiratórios nas grandes cidades
Chuva ácidaChuva com acidez elevadaPequena acidez natural pelo CO₂Óxidos de enxofre e de nitrogênio, emitidos por indústrias e veículos, formam ácidos na atmosfera; danos a florestas, rios, monumentos e construções
Enchentes urbanasTransbordamento de rios e alagamentos nas cidadesChuvas intensas; cheias naturais dos riosImpermeabilização do solo, ocupação das várzeas, canalização e retificação de rios, lixo nas galerias
Movimentos de massaDeslizamentos de terra e rocha em encostasChuvas intensas, encostas íngremes, solos saturadosDesmatamento, cortes de terreno e ocupação de áreas de risco

A inversão térmica não é causada pela poluição: é um fenômeno natural. O problema surge quando ela ocorre sobre cidades muito poluídas, porque impede a dispersão dos poluentes.

A cidade de Cubatão, no litoral paulista, ficou conhecida na década de 1980 por níveis extremos de poluição do ar, com chuva ácida e danos à vegetação da Serra do Mar. Programas de controle das emissões reduziram muito a poluição nas décadas seguintes.

Os deslizamentos na Região Serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011, causaram mais de 900 mortes, uma das maiores tragédias do tipo no país. Outros episódios graves ocorreram, por exemplo, no litoral norte de São Paulo em 2023. Esses casos mostram como chuvas extremas se combinam com a ocupação de áreas de risco.

10. Exemplos resolvidos

11. Erros conceituais frequentes

ErroPor que está erradoForma correta
O manto é feito de lava líquidaÉ formado por rochas em grande parte sólidas, que se deformam lentamenteSó o núcleo externo é líquido
Crosta e litosfera são a mesma coisaA litosfera inclui a parte superior do mantoLitosfera = crosta + manto superior rígido
As placas são os continentesAs placas incluem áreas oceânicas e continentaisOs limites de placas não coincidem com as costas
O Brasil não tem terremotosTem tremores, em geral de baixa magnitudeTem baixa atividade sísmica, mas não nula
Planície é sempre baixa e planalto é sempre altoO critério moderno é o processo dominanteErosão × sedimentação
O Brasil tem depressões absolutasNenhuma área está abaixo do nível do marAs depressões brasileiras são relativas
Intemperismo e erosão são sinônimosO intemperismo altera a rocha no lugar; a erosão transportaPrimeiro altera, depois transporta
Floresta exuberante indica solo fértilOs nutrientes estão na biomassaMuitos solos amazônicos são pobres
Arenização é desertificaçãoA arenização ocorre em clima úmidoA desertificação ocorre em áreas secas
Tempo e clima são a mesma coisaO tempo é momentâneo; o clima é um padrão de décadasNormais de 30 anos
Quanto mais alto, mais quente, por estar perto do SolA temperatura cai com a altitudeCerca de −0,6 °C a cada 100 m
O semiárido é um desertoTem chuvas sazonais e irregulares, e vegetação adaptadaSeu problema principal é a irregularidade
A inversão térmica é causada pela poluiçãoÉ naturalA poluição agrava seus efeitos
Rios de planície são bons para hidrelétricasTêm pouca declividadeRios de planalto têm mais potencial hidrelétrico
Domínios morfoclimáticos e biomas são idênticosUsam critérios diferentesOs limites não coincidem exatamente

12. Distinções importantes

Crosta continental e oceânica. A continental é mais espessa, menos densa e de rochas semelhantes ao granito. A oceânica é mais fina, mais densa e de rochas basálticas.

Deriva continental e tectônica de placas. A deriva, de Wegener, propôs o movimento dos continentes, sem explicar sua causa. A tectônica de placas explica o movimento da litosfera pelo calor interno.

Limite divergente, convergente e transformante. No divergente, as placas se afastam e forma-se crosta. No convergente, colidem e há subducção ou dobramento. No transformante, deslizam lateralmente.

Rocha intrusiva e extrusiva. A intrusiva resfria lentamente no interior e tem cristais grandes. A extrusiva resfria rapidamente na superfície e tem cristais pequenos.

Escudo cristalino e bacia sedimentar. O escudo é antigo, formado por rochas magmáticas e metamórficas, e rico em minerais metálicos. A bacia sedimentar é formada por acúmulo de sedimentos e está associada a combustíveis fósseis.

Intemperismo físico e químico. O físico fragmenta sem mudar a composição e predomina nos desertos. O químico altera os minerais e predomina nos trópicos úmidos.

Erosão e sedimentação. A erosão desgasta e transporta. A sedimentação deposita.

Lixiviação e laterização. A lixiviação é a lavagem dos nutrientes pela água. A laterização é o acúmulo de óxidos de ferro e alumínio, que pode endurecer o solo.

Tempo e clima. O tempo é o estado momentâneo da atmosfera. O clima é o padrão médio de muitos anos.

Elementos e fatores do clima. Os elementos são o que se mede: temperatura, umidade, pressão, ventos e chuvas. Os fatores são o que influencia: latitude, altitude, continentalidade, correntes, massas de ar, relevo e vegetação.

Barlavento e sotavento. O barlavento é a encosta voltada para o vento, mais chuvosa. O sotavento é a encosta oposta, mais seca.

El Niño e La Niña. O El Niño é o aquecimento anormal do Pacífico equatorial. A La Niña é o resfriamento, com efeitos em geral opostos.

Estuário e delta. O estuário é uma foz em saída única e larga. O delta é uma foz em vários canais, formados por sedimentos.

Rio perene e intermitente. O perene corre o ano todo. O intermitente seca no período sem chuva.

Ilha de calor e aquecimento global. A ilha de calor é urbana e local. O aquecimento global é planetário.

13. Perguntas frequentes

Um grande terremoto pode acontecer no Brasil?

Terremotos de magnitude muito alta, como os do Chile ou do Japão, são extremamente improváveis, porque o Brasil está longe dos limites das placas. Tremores moderados podem ocorrer por acomodações internas da placa e costumam causar danos localizados, sobretudo em construções frágeis.

Por que o rio Tietê corre para o interior, se nasce perto do mar?

Porque nasce no reverso da Serra do Mar, que funciona como divisor de águas. Do lado voltado para o oceano, a escarpa é muito íngreme. O Tietê corre no sentido da inclinação do planalto, para o interior, até desaguar no rio Paraná, cujas águas chegam ao Atlântico pelo Rio da Prata.

Neva no Brasil?

Sim, ocasionalmente, em áreas elevadas do Sul, como a Serra Catarinense e os Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, quando a massa polar atlântica traz ar muito frio e há umidade suficiente.

O que é a friagem?

É a queda brusca de temperatura na Amazônia ocidental, principalmente em Rondônia e no Acre, quando uma massa de ar polar consegue avançar até a região no inverno. As temperaturas podem cair vários graus em poucas horas.

Por que os solos do Cerrado precisam de calcário para a agricultura?

Porque são muito ácidos e têm excesso de alumínio, que prejudica as raízes. O calcário neutraliza a acidez e fornece cálcio e magnésio. Essa técnica, desenvolvida pela pesquisa agropecuária brasileira, foi decisiva para a expansão da agricultura no bioma.

A seca do Nordeste é apenas um problema natural?

Não. A irregularidade das chuvas é natural. Os efeitos sociais da seca, porém, dependem da forma como a sociedade se organiza: da concentração da terra e da água, do acesso a tecnologias de armazenamento e das políticas públicas. Por isso, muitos pesquisadores falam em convivência com o semiárido, e não apenas em combate à seca.

Por que as encostas da Serra do Mar são tão sujeitas a deslizamentos?

Por uma combinação de fatores: encostas íngremes, chuvas intensas e concentradas, solos formados sobre rochas cristalinas que ficam saturados de água e, em muitas áreas, desmatamento e ocupação irregular. Quando o solo fica encharcado, perde a coesão e desliza.

Qual é o maior rio do mundo?

Em volume de água, é o Amazonas, com enorme vantagem sobre qualquer outro. Em comprimento, há disputa entre o Amazonas e o Nilo, porque o resultado depende de onde se considera a nascente e de como se mede o percurso.

15. Síntese

A Terra tem crosta, manto, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido, conhecidos principalmente pelas ondas sísmicas. A litosfera, rígida, é formada pela crosta e pelo manto superior, e está dividida em placas que se deslocam sobre a astenosfera. A tectônica de placas explica os terremotos, os vulcões e as cordilheiras, concentrados nos limites divergentes, convergentes e transformantes. O Brasil, no interior da placa Sul-Americana, tem baixa atividade sísmica e nenhum vulcão ativo.

As rochas magmáticas, sedimentares e metamórficas se transformam umas nas outras pelo ciclo das rochas. No Brasil, predominam as bacias sedimentares e os escudos cristalinos, sem dobramentos modernos. O relevo resulta do equilíbrio entre os agentes internos, que constroem, e os externos, que desgastam. Planaltos são áreas de erosão, e planícies, de sedimentação. A classificação de Ross divide o relevo brasileiro em 28 unidades.

O solo se forma pela ação combinada da rocha, do clima, do relevo, dos organismos e do tempo, e se organiza em horizontes. Nos trópicos úmidos, os solos tendem a ser profundos e pobres. A erosão, a lixiviação, a laterização, a salinização, a desertificação e a arenização os degradam, e práticas de conservação os protegem.

O clima depende de fatores como latitude, altitude, continentalidade, correntes marítimas, massas de ar, relevo e vegetação. As chuvas podem ser convectivas, orográficas ou frontais. Cinco massas de ar atuam no Brasil, e os principais climas são o equatorial, o tropical, o tropical de altitude, o tropical úmido, o semiárido e o subtropical. O El Niño e a La Niña alteram o regime de chuvas.

A hidrografia brasileira é abundante, mas mal distribuída, e está organizada em 12 regiões hidrográficas. Rios de planalto geram energia, rios de planície permitem a navegação, e aquíferos como o Guarani guardam água subterrânea. Os domínios morfoclimáticos de Ab'Sáber integram todos esses elementos. Problemas como ilhas de calor, inversão térmica, chuva ácida, enchentes e deslizamentos mostram a interação entre processos naturais e ocupação humana.

16. Glossário

TermoSignificado
AquíferoFormação rochosa que armazena água subterrânea
AstenosferaCamada plástica do manto sobre a qual se deslocam as placas
Bacia hidrográficaÁrea drenada por um rio principal e seus afluentes
Bacia sedimentarÁrea de acúmulo de sedimentos que formaram rochas sedimentares
BarlaventoEncosta voltada para o vento
ClimogramaGráfico de temperatura e precipitação mensais
Divisor de águasTerreno elevado que separa bacias hidrográficas
Domínio morfoclimáticoGrande área definida pela combinação de relevo, clima, solo, vegetação e hidrografia
El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial
ErosãoRetirada, transporte e deposição de material pela água, pelo vento, pelo gelo ou pelo ser humano
Escudo cristalinoEstrutura geológica antiga de rochas magmáticas e metamórficas
Horizonte do soloCamada do perfil do solo
IntemperismoDecomposição e desagregação das rochas no próprio local
Inversão térmicaAr frio preso sob ar mais quente junto ao solo
LitosferaCamada rígida formada pela crosta e pela parte superior do manto
LixiviaçãoLavagem de nutrientes do solo pela água que se infiltra
Massa de arGrande porção da atmosfera com temperatura e umidade homogêneas
Placa tectônicaBloco da litosfera que se desloca sobre a astenosfera
Regime fluvialVariação do volume de um rio ao longo do ano
SotaventoEncosta oposta ao vento, mais seca
SubducçãoMergulho de uma placa sob outra em um limite convergente
VoçorocaGrande cratera de erosão, que pode atingir o lençol freático

14. Exercícios de fixação

Questões em ordem crescente de integração. Responda antes de consultar a resposta.

Exercício 1

Autoral

Cite as camadas da Terra e indique qual delas é líquida.

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Resposta

Crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno. O núcleo externo é líquido.

Exercício 2

Autoral

Que evidência sísmica indica que o núcleo externo é líquido?

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Resposta

As ondas S não se propagam em líquidos e não atravessam o núcleo externo.

Exercício 3

Autoral

Cite duas evidências usadas por Wegener para defender a deriva continental.

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Resposta

Duas entre: encaixe dos contornos da América do Sul e da África; fósseis iguais em continentes separados, como o Mesosaurus; rochas e marcas glaciais semelhantes.

Exercício 4

Autoral

Que tipo de limite de placas formou o Himalaia? E a Dorsal Mesoatlântica?

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Resposta

O Himalaia, um limite convergente entre duas placas continentais. A Dorsal Mesoatlântica, um limite divergente.

Exercício 5

Autoral

Por que o granito tem cristais maiores que o basalto?

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Resposta

Porque o granito resfria lentamente no interior da crosta, o que dá tempo para os cristais crescerem. O basalto resfria rapidamente na superfície.

Exercício 6

Autoral

Em que tipo de estrutura geológica se encontram o petróleo e o carvão? E o minério de ferro de Carajás?

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Resposta

Petróleo e carvão, em bacias sedimentares. Minério de ferro, em escudos cristalinos.

Exercício 7

Autoral

Diferencie intemperismo físico e químico, e diga qual predomina no Brasil.

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Resposta

O físico fragmenta a rocha sem mudar sua composição. O químico altera os minerais. No Brasil, de clima quente e úmido, predomina o químico.

Exercício 8

Autoral

Qual é o critério que diferencia planalto e planície na classificação moderna?

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Resposta

O processo dominante: erosão no planalto e sedimentação na planície.

Exercício 9

Autoral

Quantas unidades de relevo tem a classificação de Jurandyr Ross, e qual foi sua base de dados?

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Resposta

28 unidades: 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies, com base nas imagens de radar do projeto RADAMBRASIL.

Exercício 10

Autoral

Cite os cinco fatores de formação do solo.

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Resposta

Rocha de origem, clima, relevo, organismos e tempo.

Exercício 11

Autoral

Por que a terra roxa é fértil?

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Resposta

Porque se formou a partir do basalto, rocha rica em minerais que fornecem nutrientes ao solo.

Exercício 12

Autoral

Diferencie desertificação e arenização.

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Resposta

A desertificação é a degradação de terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas. A arenização é a formação de areais em áreas de clima úmido com solos arenosos frágeis, como no sudoeste do Rio Grande do Sul.

Exercício 13

Autoral

Cite duas técnicas de conservação do solo.

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Resposta

Duas entre: curvas de nível, terraceamento, plantio direto, rotação de culturas e manutenção da cobertura vegetal.

Exercício 14

Autoral

Uma cidade no litoral tem temperatura média de 24 °C. Estime a de uma cidade a 1.000 m de altitude, na mesma latitude.

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Resposta

10 · 0,6 = 6 °C a menos: cerca de 18 °C.

Exercício 15

Autoral

Por que cidades litorâneas têm menor amplitude térmica que cidades do interior?

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Resposta

Pela maritimidade: a água do mar aquece e esfria lentamente, e suaviza as variações de temperatura.

Exercício 16

Autoral

Que tipo de chuva ocorre na Serra do Mar, e por que o lado voltado para o oceano é mais chuvoso?

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Resposta

Chuva orográfica. O ar úmido do oceano é forçado a subir a serra, se resfria e condensa na encosta de barlavento.

Exercício 17

Autoral

Qual massa de ar provoca geadas no Sul e friagem na Amazônia?

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Resposta

A massa polar atlântica (mPa).

Exercício 18

Autoral

Quais são os efeitos típicos do El Niño no Brasil?

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Resposta

Secas no norte do Nordeste e em partes da Amazônia, e chuvas acima da média no Sul.

Exercício 19

Autoral

Por que o rio São Francisco é perene, apesar de atravessar o semiárido?

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Resposta

Porque é alimentado por nascentes e afluentes em áreas de clima tropical, mais chuvosas, fora do semiárido.

Exercício 20

Autoral

Explique por que a inversão térmica agrava a poluição nas grandes cidades.

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Resposta

A camada de ar frio fica presa junto ao solo sob uma camada mais quente e não sobe. Os poluentes não se dispersam e se acumulam no ar respirado pela população.

Referências

  1. Wegener, A. Die Entstehung der Kontinente und Ozeane (A origem dos continentes e oceanos). Braunschweig, 1915.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  2. Press, F.; Siever, R.; Grotzinger, J.; Jordan, T. H. Para entender a Terra. Porto Alegre: Bookman. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  3. Teixeira, W. et al. (orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos / Companhia Editora Nacional. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  4. Ross, J. L. S. (org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  5. Ab'Sáber, A. N. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  6. Embrapa. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília: Embrapa. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  7. Mendonça, F.; Danni-Oliveira, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  8. IBGE. Altitudes dos pontos culminantes do Brasil (revisão de 2016).

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  9. ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil. Relatórios periódicos.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  10. Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Resolução nº 32, de 2003 (Divisão Hidrográfica Nacional).

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  11. Sudene. Delimitação do Semiárido (revisão de 2017).

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  12. Nações Unidas. Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (1994).

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  13. Organização Meteorológica Mundial. Normais climatológicas.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  14. NOAA — National Oceanic and Atmospheric Administration. Informações sobre o fenômeno El Niño–Oscilação Sul.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  15. Figuras da Biblioteca ASSAAD

    Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.