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Propriedades da matéria: estados físicos, propriedades, substâncias, misturas e transformações

Estados físicos, mudanças de estado, propriedades gerais e específicas, densidade, substâncias, misturas e transformações.

Tudo o que ocupa lugar no espaço e tem massa é matéria: a água de um copo, o ar de uma sala, o ferro de uma panela, o próprio corpo humano. As diferenças entre esses materiais são descritas por suas propriedades. Algumas valem para toda matéria, como ter massa e ocupar espaço; outras permitem identificar um material específico, como a densidade do ouro ou a temperatura de ebulição da água.

Este artigo parte dos estados físicos e do modelo de partículas que os explica, passa pelas mudanças de estado e pelos gráficos que as registram, apresenta as propriedades gerais e específicas da matéria, distingue substâncias puras de misturas e termina na diferença entre transformações físicas e químicas. A mesma pergunta atravessa todo o texto: o que muda e o que se conserva quando a matéria se transforma?

1. Estados físicos da matéria

1.1 Características macroscópicas

EstadoFormaVolumeCompressibilidadeExemplos
SólidoDefinidaDefinidoPraticamente incompressívelGelo, ferro, sal de cozinha
LíquidoVariável: a do recipienteDefinidoMuito pouco compressívelÁgua, óleo, mercúrio
GasosoVariávelVariável: ocupa todo o recipienteMuito compressívelAr, vapor-d'água, gás de cozinha

Os líquidos escoam e tomam a forma do recipiente, mas mantêm o volume; os gases se expandem até ocupar todo o espaço disponível.

1.2 Modelo cinético-molecular

O comportamento macroscópico dos estados físicos é explicado por um modelo de partículas, baseado em quatro ideias: toda matéria é formada por partículas muito pequenas, átomos, moléculas ou íons; entre as partículas há espaços vazios; as partículas estão em movimento constante, e quanto maior a temperatura, maior sua agitação média; e entre elas atuam forças de atração, que dependem da distância e da natureza da substância.

EstadoOrganização das partículasMovimentoAtração entre partículas
SólidoPróximas, em posições fixas, muitas vezes em arranjo ordenadoVibram em torno de posições fixasIntensa
LíquidoPróximas, sem posições fixasDeslizam umas sobre as outrasIntermediária
GasosoMuito afastadas, em desordemMovimento livre e rápido, em todas as direçõesMuito fraca
Três recipientes. No sólido, partículas iguais em arranjo regular, vibrando em posições fixas. No líquido, partículas próximas e desordenadas no fundo do recipiente. No gás, poucas partículas espalhadas, com setas longas em várias direções.
Figura 1. Modelo de partículas dos três estados físicos, esquemático. As partículas são as mesmas nos três estados; mudam a distância entre elas, a organização e a intensidade do movimento.

O sólido tem forma definida porque as partículas não mudam de posição. O líquido escoa porque as partículas deslizam, mas mantém o volume porque continuam próximas. O gás é compressível porque há muito espaço vazio entre as partículas.

1.3 Mudanças de estado

MudançaPassagemEnergiaExemplo
FusãoSólido → líquidoAbsorvidaGelo derretendo
SolidificaçãoLíquido → sólidoLiberadaÁgua congelando no freezer
VaporizaçãoLíquido → gasosoAbsorvidaÁgua fervendo; roupa secando
Condensação (liquefação)Gasoso → líquidoLiberadaGotas na parte externa de um copo gelado
SublimaçãoSólido → gasosoAbsorvidaNaftalina diminuindo; gelo-seco (CO₂ sólido)
RessublimaçãoGasoso → sólidoLiberadaFormação de geada
Três caixas, sólido, líquido e gasoso, ligadas por seis setas: fusão, vaporização e sublimação absorvem energia; solidificação, condensação e ressublimação liberam energia.
Figura 2. As seis mudanças de estado físico. As setas vermelhas indicam processos que absorvem energia e afastam as partículas; as azuis, processos que liberam energia.

Mudanças que absorvem energia são endotérmicas: fusão, vaporização e sublimação; nelas, a energia afasta as partículas. Mudanças que liberam energia são exotérmicas: solidificação, condensação e ressublimação. O termo liquefação é usado principalmente para a passagem ao estado líquido de substâncias que, em condições ambientes, são gases, como o gás de cozinha comprimido nos botijões.

A vaporização ocorre de três formas. A evaporação ocorre apenas na superfície do líquido, em qualquer temperatura, de forma lenta, como no varal. A ebulição ocorre em todo o líquido, com bolhas de vapor no interior, a uma temperatura definida, o ponto de ebulição. A calefação é a vaporização muito rápida de um líquido em contato com uma superfície muito acima de seu ponto de ebulição, como uma gota de água em uma chapa muito quente.

1.4 Gráficos de mudança de estado

Quando uma substância pura é aquecida, sua temperatura sobe até atingir o ponto de fusão. Durante a fusão, a temperatura permanece constante, formando um patamar no gráfico, e só volta a subir quando todo o sólido tiver fundido. O mesmo ocorre no ponto de ebulição.

Curva de aquecimento da água, de −20 a 120 graus Celsius, com a energia fornecida no eixo horizontal. A temperatura sobe no sólido, fica constante em 0 grau durante a fusão, sobe no líquido, fica constante em 100 graus durante a ebulição, com um patamar muito mais longo, e sobe no vapor.
Figura 3. Curva de aquecimento da água a 1 atm, com a energia fornecida no eixo horizontal, em proporção aos valores reais por grama. Os patamares ocorrem nas mudanças de estado. O patamar da ebulição é quase sete vezes mais longo que o da fusão, porque vaporizar a água exige muito mais energia do que fundir o gelo.

A curva de resfriamento percorre o caminho inverso, com patamares nas mesmas temperaturas: condensação a 100 °C e solidificação a 0 °C.

2. Propriedades gerais da matéria

As propriedades gerais são comuns a toda matéria e, por isso, não servem para identificar uma substância.

PropriedadeDefiniçãoExemplo
MassaQuantidade de matéria de um corpo; também é a medida de sua inércia. Unidade no SI: kgUm saco de arroz de 5 kg
VolumeEspaço ocupado por um corpo1 L = 1 dm³; 1 mL = 1 cm³
ExtensãoPropriedade de ocupar lugar no espaço, medida pelo volumeTodo corpo tem dimensões
InérciaTendência de um corpo manter seu estado de repouso ou de movimentoO passageiro projetado para a frente quando o ônibus freia
ImpenetrabilidadeDois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempoUma pedra colocada em um copo cheio faz a água transbordar
DivisibilidadeA matéria pode ser dividida em porções menores sem perder suas propriedades, até certo limiteUm cristal de açúcar moído continua sendo açúcar
CompressibilidadeO volume pode diminuir sob pressãoAr comprimido em uma seringa tampada
ElasticidadeApós sofrer deformação, o corpo pode voltar à forma original quando a força deixa de atuar, dentro de um limiteElástico, mola, bola de borracha
IndestrutibilidadeA matéria não pode ser criada nem destruída, apenas transformadaNa queima de papel, a matéria se converte em gases e cinzas
DescontinuidadeExistem espaços vazios entre as partículas da matériaUm gás pode ser comprimido; o açúcar "desaparece" na água

3. Propriedades específicas da matéria

As propriedades específicas variam de um material para outro e permitem identificar substâncias. Dividem-se em físicas, como densidade, pontos de fusão e ebulição, solubilidade, dureza e condutividade; químicas, como a capacidade de queimar ou enferrujar; e organolépticas, percebidas pelos sentidos, como cor, brilho e odor.

3.1 Densidade

A densidade é uma propriedade intensiva: não depende da quantidade de material. Um grama ou uma tonelada de alumínio têm a mesma densidade, 2,7 g/cm³. Massa e volume, ao contrário, são extensivos.

MaterialDensidade aproximada (g/cm³, perto de 20 °C)
Ar (ao nível do mar)0,0012
Etanol0,79
Gelo0,92
Óleo de soja0,92
Água1,00
Água do mar1,03
Alumínio2,7
Ferro7,9
Chumbo11,3
Mercúrio13,6
Ouro19,3

Flutuação. Um objeto maciço flutua em um líquido quando é menos denso que ele e afunda quando é mais denso: o óleo fica sobre a água, e uma bola de ferro afunda na água, mas flutua no mercúrio. Um navio de aço flutua porque sua forma inclui um grande volume de ar, e a densidade média do conjunto é menor que a da água.

Proveta com três camadas: mel no fundo, água no meio e óleo no topo. Uma rolha flutua sobre o óleo, e uma uva fica apoiada na superfície do mel.
Figura 4. Coluna de densidade com líquidos que não se misturam, esquemática. Cada material se posiciona conforme sua densidade: os mais densos ficam embaixo. Um objeto maciço afunda nos líquidos menos densos que ele e flutua nos mais densos.

Aplicações. A densidade do leite fica em torno de 1,03 g/mL, e a adição de água reduz esse valor, o que ajuda a detectar fraudes. Nos postos de combustível, o densímetro do etanol hidratado permite ao consumidor verificar se o produto está dentro das especificações. O relato tradicional atribui a Arquimedes a verificação de que uma coroa não era de ouro puro a partir de seu volume, medido pela água deslocada; a ideia é válida, pois uma coroa de 1.000 g com volume de 60 cm³ tem densidade de cerca de 16,7 g/cm³, menor que a do ouro. Na reciclagem, plásticos de densidades diferentes podem ser separados em líquidos nos quais uns flutuam e outros afundam.

3.2 Ponto de fusão e ponto de ebulição

O ponto de fusão (PF) é a temperatura em que uma substância pura passa do estado sólido para o líquido, igual à de solidificação. O ponto de ebulição (PE) é a temperatura em que ela ferve, igual à de condensação. Para uma substância pura, a uma pressão definida, PF e PE são constantes e servem para identificá-la.

SubstânciaPF (°C)PE (°C)
Oxigênio−219−183
Etanol−11478
Mercúrio−39357
Água0100
Cloreto de sódio8011.413
Ferro1.5382.862
Tungstênio3.422≈ 5.500

Valores ao nível do mar, sob pressão de 1 atm.

O ponto de ebulição depende da pressão. Em locais de grande altitude, a pressão atmosférica é menor, e a água ferve abaixo de 100 °C, o que torna o cozimento mais lento. Na panela de pressão, o vapor retido aumenta a pressão interna, e a água ferve acima de 100 °C, em torno de 120 °C, o que acelera o cozimento. O tungstênio é usado em filamentos de lâmpadas incandescentes por ter o maior ponto de fusão entre os metais.

3.3 Solubilidade

A solubilidade é a quantidade máxima de uma substância, o soluto, que se dissolve em uma quantidade fixa de outra, o solvente, a uma temperatura definida. É expressa pelo coeficiente de solubilidade, geralmente em gramas de soluto por 100 g de água. A 20 °C, o do cloreto de sódio é cerca de 36 g por 100 g de água.

Conforme a quantidade dissolvida, a solução pode ser insaturada, com menos soluto que o máximo; saturada, com o máximo de soluto dissolvido, e o excesso fica no fundo como corpo de fundo; ou supersaturada, com mais soluto dissolvido que o limite, de forma instável: uma pequena perturbação faz o excesso cristalizar.

Para a maioria dos sólidos, a solubilidade aumenta com a temperatura: o nitrato de potássio dissolve cerca de 32 g em 100 g de água a 20 °C e cerca de 110 g a 60 °C. Para os gases, a solubilidade diminui com o aumento da temperatura: um refrigerante quente perde gás mais depressa, e a água aquecida de rios e lagos contém menos oxigênio dissolvido.

Gráfico de solubilidade em gramas por 100 gramas de água em função da temperatura. A curva do nitrato de potássio sobe de cerca de 13 gramas a 0 grau até cerca de 246 gramas a 100 graus. A do cloreto de sódio fica quase horizontal, perto de 36 a 39 gramas.
Figura 5. Curvas de solubilidade do nitrato de potássio e do cloreto de sódio em água, com valores de referência de tabelas de dados químicos. A solubilidade do KNO₃ aumenta muito com a temperatura; a do NaCl quase não varia. Pontos sobre a curva correspondem a soluções saturadas.

"Semelhante dissolve semelhante." Substâncias polares e iônicas tendem a se dissolver em solventes polares, como a água, e substâncias apolares, em solventes apolares. Por isso o sal se dissolve na água, e o óleo não.

3.4 Dureza

A dureza é a resistência de um material a ser riscado: o material mais duro risca o mais mole. A escala de Mohs, proposta pelo mineralogista Friedrich Mohs no início do século XIX, ordena dez minerais de referência.

DurezaMineralReferência cotidiana aproximada
1TalcoRiscado pela unha
2GipsitaRiscada pela unha (≈ 2,5)
3CalcitaRiscada por uma moeda de cobre
4Fluorita
5ApatitaRiscada por uma lâmina de aço
6OrtoclásioRisca o vidro (≈ 5,5)
7Quartzo
8Topázio
9Coríndon
10DiamanteO material natural mais duro

3.5 Brilho, cor e odor

As propriedades organolépticas são percebidas pelos sentidos: cor, brilho, odor, sabor e textura. O brilho metálico é característico dos metais polidos; a cor do enxofre é amarela, e a do sulfato de cobre hidratado, azul; o odor do vinagre se deve ao ácido acético. Essas propriedades ajudam na identificação, mas não bastam sozinhas, porque muitas substâncias diferentes têm a mesma cor, e algumas são tóxicas. Por segurança, nunca se prova ou se cheira diretamente uma substância desconhecida em laboratório.

3.6 Condutividade térmica e elétrica

Metais são bons condutores térmicos e elétricos, porque têm elétrons com grande liberdade de movimento: o cobre é usado em fios elétricos, e o alumínio, em panelas. Isolantes térmicos, como madeira, plástico, isopor e o próprio ar parado, são usados em cabos de panelas, garrafas térmicas e agasalhos. Soluções iônicas, como a água com sal dissolvido, também conduzem eletricidade, porque têm íons livres, enquanto a água pura conduz muito pouco. O grafite, um não metal, é bom condutor elétrico, uma exceção importante.

3.7 Maleabilidade e ductilidade

Maleabilidade é a capacidade de ser transformado em lâminas finas sem se romper, como o ouro batido em folhas finíssimas e o alumínio laminado em papel-alumínio. Ductilidade é a capacidade de ser transformado em fios, como o cobre estirado em fios elétricos. As duas são típicas dos metais. O oposto é a fragilidade, característica de materiais como o vidro e a cerâmica, que se quebram em vez de se deformar.

4. Substâncias puras e misturas

4.1 Substância pura

Uma substância pura tem composição fixa e propriedades específicas constantes, como densidade, PF e PE definidos a uma dada pressão. A substância simples é formada por átomos de um único elemento químico, como o gás oxigênio (O₂), o ozônio (O₃), o gás nitrogênio (N₂), o ferro (Fe) e o hélio (He). A substância composta é formada por átomos de dois ou mais elementos, como a água (H₂O), o gás carbônico (CO₂), o cloreto de sódio (NaCl) e a glicose (C₆H₁₂O₆). Um mesmo elemento pode formar substâncias simples diferentes, como O₂ e O₃, ou diamante e grafite: é a alotropia, estudada no artigo de Atomística.

4.2 Misturas

Uma mistura reúne duas ou mais substâncias, os componentes, que mantêm suas características, com composição variável. As misturas se classificam pelo número de fases, regiões com aspecto uniforme e as mesmas propriedades em todos os pontos. A mistura homogênea apresenta uma única fase, mesmo ao microscópio comum, e também é chamada de solução: água com sal dissolvido, álcool e água, ar filtrado, ligas metálicas como o bronze e o aço. A mistura heterogênea apresenta duas ou mais fases: água e óleo, água e areia, granito, que tem três fases visíveis (quartzo, feldspato e mica).

4.3 Diferenciação por gráficos de mudança de estado

MaterialFusãoEbuliçãoExemplo
Substância puraTemperatura constante (patamar)Temperatura constante (patamar)Água destilada
Mistura comumFaixa de temperaturaFaixa de temperaturaÁgua com sal
Mistura eutéticaTemperatura constanteFaixa de temperaturaSolda de estanho e chumbo (63% e 37%), que funde a 183 °C
Mistura azeotrópicaFaixa de temperaturaTemperatura constanteÁlcool comercial a cerca de 96%, etanol e água

Nas misturas comuns, a temperatura continua subindo durante a mudança de estado, porque a composição da parte que ainda não mudou de estado se altera ao longo do processo. As misturas eutéticas e azeotrópicas se comportam como substâncias puras em uma das mudanças de estado, mas não na outra.

Quatro gráficos de temperatura por tempo. A substância pura tem patamares na fusão e na ebulição. A mistura comum não tem patamares. A mistura eutética tem patamar só na fusão. A mistura azeotrópica tem patamar só na ebulição.
Figura 6. Curvas de aquecimento esquemáticas, na mesma escala. Dois patamares indicam substância pura; nenhum, mistura comum; patamar só na fusão, mistura eutética; patamar só na ebulição, mistura azeotrópica.

5. Transformações físicas e químicas

5.1 Transformações físicas

Uma transformação física altera o estado, a forma ou o tamanho de um material, sem alterar sua composição: as substâncias continuam as mesmas. São exemplos a fusão do gelo, a evaporação da água, a dissolução de açúcar na água, amassar uma lata, quebrar um vidro, moer café e esticar um elástico. A dissolução é física: o açúcar dissolvido continua sendo açúcar e pode ser recuperado evaporando a água.

5.2 Transformações químicas

Uma transformação química, ou reação química, produz substâncias novas, com propriedades diferentes das originais: os átomos se reorganizam, ligações são rompidas e novas ligações se formam. São exemplos a queima do papel, a formação da ferrugem, o cozimento do ovo, a fermentação da massa de pão, o leite azedando, o comprimido efervescente em água, em que um ácido reage com bicarbonato e libera gás carbônico, a fotossíntese e a respiração celular.

As principais evidências de transformação química são a mudança de cor não explicada por diluição ou mistura; a liberação de gás, com efervescência, sem aquecimento até a ebulição; a formação de precipitado, um sólido insolúvel que surge da mistura de duas soluções; a liberação ou absorção de energia, como calor, luz ou som; e o surgimento de odor característico.

5.3 Exemplos cotidianos e reversibilidade

SituaçãoTipoJustificativa
Gelo derretendoFísicaA água continua sendo água
Açúcar dissolvendo no caféFísicaO açúcar pode ser recuperado
Vela acesaFísica e químicaA parafina funde (física) e queima (química)
Pão assandoQuímicaFormam-se novas substâncias na massa e na crosta
Palha de aço enferrujandoQuímicaForma-se óxido de ferro
Vapor embaçando o espelhoFísicaÉ condensação
Fogos de artifícioQuímicaHá combustão, com liberação de luz, calor e gases
Queimar açúcar (caramelizar)QuímicaA cor muda, e o sabor e o odor são novos

6. Exemplos resolvidos

7. Erros conceituais frequentes

ErroPor que está erradoForma correta
As moléculas do gelo são sólidasPartículas não mudam de estadoMudam distância, organização e movimento
Evaporação só ocorre a 100 °CEvaporação ocorre em qualquer temperaturaA ebulição ocorre no PE
Durante a fervura, a temperatura continua subindoEm substância pura, fica constanteA energia afasta as partículas
A água sempre ferve a 100 °CO PE depende da pressão100 °C a 1 atm
Propriedades gerais identificam substânciasSão comuns a toda matériaUsar propriedades específicas
Um objeto pesado sempre afundaDepende da densidade, não da massaFlutua se for menos denso que o líquido
Densidade depende da quantidadeÉ propriedade intensiva1 g e 1 t de alumínio têm a mesma densidade
Heterogêneo é sempre misturaÁgua com gelo é substância pura com duas fasesFases ≠ componentes
Leite é mistura homogêneaAo microscópio, tem fases distintasÉ heterogêneo
Dissolução é transformação químicaO soluto não muda de composiçãoÉ física
Toda liberação de gás indica reaçãoA ebulição libera vapor sem reaçãoVerificar se surgem substâncias novas
Transformações químicas são sempre irreversíveisAlgumas são revertidas, como a recarga de bateriasO critério é a composição
Diamante é indestrutívelÉ duro, mas não tenaz, e queima em alta temperaturaDureza ≠ resistência a impacto
Queimar papel "destrói" matériaOs gases escapamEm sistema fechado, a massa se conserva

8. Distinções importantes

Evaporação e ebulição. A evaporação ocorre na superfície, em qualquer temperatura, de forma lenta; a ebulição ocorre em todo o líquido, no ponto de ebulição, com bolhas.

Propriedades gerais e específicas. As gerais são comuns a toda matéria; as específicas variam entre materiais e permitem identificá-los.

Propriedades intensivas e extensivas. As intensivas não dependem da quantidade (densidade, PF, PE, cor); as extensivas dependem (massa, volume).

Massa e densidade. A massa é a quantidade de matéria; a densidade é a massa por unidade de volume.

Dureza e tenacidade. A dureza é a resistência a ser riscado; a tenacidade é a resistência à quebra por impacto.

Maleabilidade e ductilidade. Maleável é o material que forma lâminas; dúctil é o que forma fios.

Substância simples e composta. A simples tem um só elemento; a composta tem dois ou mais.

Substância pura e mistura. A substância pura tem composição fixa e PF e PE constantes; a mistura tem composição variável e, em geral, faixas de fusão e ebulição.

Mistura homogênea e heterogênea. A homogênea tem uma fase; a heterogênea tem duas ou mais.

Componente e fase. Componente é cada substância presente; fase é cada região de aspecto uniforme.

Mistura eutética e azeotrópica. A eutética funde a temperatura constante; a azeotrópica ferve a temperatura constante.

Transformação física e química. A física não muda a composição; a química forma substâncias novas.

Elemento químico e substância simples. O elemento é um tipo de átomo, como o oxigênio; a substância simples é o material formado por esse elemento, como o gás O₂ ou o ozônio O₃.

9. Perguntas frequentes

O ar é matéria?

Sim. Tem massa e ocupa espaço: um balão cheio de ar pesa um pouco mais que vazio, e o ar comprimido em um pneu sustenta um carro.

Por que a temperatura da água não passa de 100 °C enquanto ela ferve em uma panela aberta?

Porque, durante a ebulição, a energia recebida é usada para transformar o líquido em vapor, e não para aquecê-lo. Aumentar o fogo faz a água ferver mais depressa, mas não mais quente, e por isso, depois que a água ferve, fogo baixo basta para cozinhar.

O vidro é um líquido que escoa muito lentamente?

Não. O vidro é um sólido amorfo: suas partículas não formam arranjo ordenado, mas estão fixas. Vitrais antigos às vezes são mais grossos embaixo por causa dos métodos de fabricação da época, e não porque o vidro tenha escoado ao longo de séculos.

Por que o sal é jogado nas estradas em países frios?

Porque a água com sal dissolvido congela a uma temperatura mais baixa que a água pura, e o gelo derrete mesmo abaixo de 0 °C. Esse efeito, chamado de propriedade coligativa, é estudado em Físico-Química.

Como o gelo-seco "desaparece" sem deixar água?

O gelo-seco é gás carbônico sólido. À pressão atmosférica, ele passa diretamente do estado sólido ao gasoso, por sublimação, sem passar pelo líquido.

Por que a roupa seca mais depressa em dias de vento?

O vento remove o vapor-d'água que se acumula junto ao tecido, o que favorece a evaporação. Calor e baixa umidade do ar também aceleram o processo.

Toda mistura homogênea é líquida?

Não. O ar filtrado é uma mistura homogênea gasosa, e ligas metálicas como o bronze, de cobre e estanho, são misturas homogêneas sólidas.

O diamante queima?

Sim. O diamante é carbono e, aquecido a centenas de graus em presença de oxigênio, reage formando gás carbônico. A dureza extrema não o protege de reações químicas.

11. Síntese

A matéria tem massa e ocupa espaço e se apresenta em três estados físicos principais: o sólido, com forma e volume definidos; o líquido, com volume definido e forma variável; e o gasoso, com forma e volume variáveis. O modelo cinético-molecular explica esses estados pela distância, pela organização, pelo movimento e pela atração entre partículas, que não mudam de estado. As mudanças de estado absorvem energia (fusão, vaporização e sublimação) ou a liberam (solidificação, condensação e ressublimação), e em uma substância pura a temperatura fica constante durante a mudança, formando patamares no gráfico.

As propriedades gerais são comuns a toda matéria. As propriedades específicas identificam os materiais: a densidade, d = m/V, determina se um corpo flutua; o PF e o PE indicam o estado em cada temperatura e dependem da pressão; a solubilidade varia com a temperatura; a dureza é medida pela escala de Mohs; e a condutividade, a maleabilidade e a ductilidade caracterizam os metais.

As substâncias puras têm composição fixa e podem ser simples ou compostas; as misturas têm composição variável e podem ser homogêneas ou heterogêneas. Nas curvas de aquecimento, a substância pura tem dois patamares, a mistura comum nenhum, a eutética patamar na fusão, e a azeotrópica na ebulição.

As transformações físicas mudam estado, forma ou tamanho sem alterar a composição; as químicas formam substâncias novas e costumam ser acompanhadas de mudança de cor, liberação de gás, formação de precipitado ou troca de energia, evidências que sugerem, mas não provam, uma reação. Em sistema fechado, a massa total se conserva em qualquer transformação.

12. Glossário

TermoSignificado
Calor latenteEnergia necessária para mudar o estado de uma unidade de massa sem variar a temperatura
Coeficiente de solubilidadeMassa máxima de soluto que se dissolve em uma quantidade de solvente, a uma temperatura
ComponenteCada substância presente em uma mistura
Corpo de fundoExcesso de soluto não dissolvido em uma solução saturada
DensidadeMassa por unidade de volume
DuctilidadeCapacidade de ser transformado em fios
DurezaResistência de um material a ser riscado
EndotérmicoProcesso que absorve energia
ExotérmicoProcesso que libera energia
FaseRegião de um sistema com aspecto e propriedades uniformes
MaleabilidadeCapacidade de ser transformado em lâminas
Mistura azeotrópicaMistura que ferve a temperatura constante
Mistura eutéticaMistura que funde a temperatura constante
Ponto de ebuliçãoTemperatura em que uma substância ferve, a uma dada pressão
Ponto de fusãoTemperatura em que uma substância funde, a uma dada pressão
PrecipitadoSólido insolúvel que se forma em uma reação em solução
Propriedade intensivaPropriedade que não depende da quantidade de material
SoluçãoMistura homogênea
Substância compostaSubstância formada por dois ou mais elementos químicos
Substância simplesSubstância formada por um único elemento químico
SublimaçãoPassagem direta do estado sólido para o gasoso

10. Exercícios de fixação

Questões em ordem crescente de integração. Responda antes de abrir a resposta.

Exercício 1

Autoral

Dê o nome de cada mudança de estado: (a) roupa secando no varal; (b) gelo derretendo; (c) naftalina diminuindo no armário; (d) espelho embaçado após o banho; (e) formação de geada.

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Resposta

(a) Vaporização (evaporação); (b) fusão; (c) sublimação; (d) condensação; (e) ressublimação.

Exercício 2

Autoral

Explique, pelo modelo cinético-molecular, por que os gases são muito compressíveis e os líquidos não.

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Resposta

Nos gases, as partículas estão muito afastadas, com grande espaço vazio entre elas; nos líquidos, estão próximas, e quase não há espaço para comprimi-las.

Exercício 3

Autoral

Qual é a densidade de um material com 300 g e 120 cm³?

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Resposta

2,5 g/cm³.

Exercício 4

Autoral

Que volume ocupam 540 g de alumínio (d = 2,7 g/cm³)?

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Resposta

V = 540/2,7 = 200 cm³.

Exercício 5

Autoral

Uma coroa de 1.000 g desloca 60 cm³ de água. Ela pode ser de ouro puro (19,3 g/cm³)?

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Resposta

d = 1.000/60 ≈ 16,7 g/cm³. Não pode, porque a densidade é menor que a do ouro.

Exercício 6

Autoral

Que fração aproximada do volume de um cubo de gelo (0,92 g/cm³) fica submersa em água doce?

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Resposta

0,92/1,00 = 92%.

Exercício 7

Autoral

Uma substância tem PF = −10 °C e PE = 80 °C. Qual é seu estado a 25 °C e a 100 °C?

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Resposta

Líquido a 25 °C e gasoso a 100 °C.

Exercício 8

Autoral

Misturando 50 mL de álcool e 50 mL de água, obtém-se menos de 100 mL. Que propriedade geral isso evidencia?

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Resposta

A descontinuidade da matéria: há espaços entre as partículas.

Exercício 9

Autoral

O mineral A risca o B, e o B risca o C. Ordene os três em dureza crescente.

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Resposta

C < B < A.

Exercício 10

Autoral

A solubilidade do NaCl é 36 g por 100 g de água a 20 °C. Adicionando 25 g de NaCl a 50 g de água a 20 °C, que tipo de solução se forma e quanto sal fica no fundo?

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Resposta

50 g de água dissolvem no máximo 18 g. Forma-se solução saturada, com 7 g de corpo de fundo.

Exercício 11

Autoral

Por que um refrigerante perde gás mais rapidamente quando está quente?

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Resposta

Porque a solubilidade dos gases diminui com o aumento da temperatura.

Exercício 12

Autoral

Classifique como substância simples ou composta: O₃, H₂O, N₂, CO₂, Fe e NaCl.

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Resposta

Simples: O₃, N₂ e Fe. Compostas: H₂O, CO₂ e NaCl.

Exercício 13

Autoral

Classifique como mistura homogênea ou heterogênea: água com sal dissolvido, água e óleo, ar filtrado, granito, água e areia.

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Resposta

Homogêneas: água com sal e ar filtrado. Heterogêneas: água e óleo, granito, água e areia.

Exercício 14

Autoral

Um sistema tem água líquida, óleo, gelo e areia. Quantas fases e quantos componentes há?

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Resposta

4 fases e 3 componentes: água, óleo e areia.

Exercício 15

Autoral

Um material apresenta patamar apenas durante a ebulição. Como ele é classificado?

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Resposta

Mistura azeotrópica.

Exercício 16

Autoral

Por que cozinhar feijão na panela de pressão é mais rápido?

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Resposta

A pressão interna maior eleva o ponto de ebulição da água, que ferve a cerca de 120 °C, e o cozimento a temperatura mais alta é mais rápido.

Exercício 17

Autoral

Classifique como transformação física ou química: ferrugem, gelo derretendo, fermentação do pão, dissolução do açúcar e vela queimando.

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Resposta

Químicas: ferrugem e fermentação. Físicas: gelo derretendo e dissolução do açúcar. Vela queimando: as duas, com fusão da parafina (física) e combustão (química).

Exercício 18

Autoral

A água fervendo forma bolhas de gás. Por que essa não é uma evidência de reação química?

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Resposta

Porque o gás formado é vapor-d'água, a mesma substância: não surgem substâncias novas.

Exercício 19

Autoral

Uma palha de aço queimada ao ar livre fica mais pesada. Explique sem contrariar a lei de Lavoisier.

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Resposta

O oxigênio do ar se incorpora ao ferro, formando óxido de ferro. Em sistema fechado, a massa total se conservaria.

Exercício 20

Autoral

Por que uma panela de alumínio costuma ter cabo de plástico ou madeira?

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Resposta

O alumínio é bom condutor térmico e aquece rapidamente; o plástico e a madeira são isolantes e protegem a mão do calor.

Referências

  1. Lavoisier, A.-L. Traité élémentaire de chimie. Paris, 1789.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  2. Haynes, W. M. (ed.). CRC Handbook of Chemistry and Physics. Boca Raton: CRC Press. Densidades, pontos de fusão e ebulição e solubilidades. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  3. Atkins, P.; Jones, L. Princípios de Química. Porto Alegre: Bookman. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  4. Brown, T. L.; LeMay, H. E.; Bursten, B. E. Química: a ciência central. São Paulo: Pearson. A edição deve ser confirmada.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  5. Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

    Referência bibliográfica indicada no material fornecido.

  6. Figuras da Biblioteca ASSAAD

    Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.