A Cinemática descreve como os corpos se movem; a Dinâmica explica por que eles se movem assim. Por que um passageiro é projetado para a frente quando o ônibus freia? Por que um carro derrapa mais facilmente na pista molhada? Por que um foguete acelera no vácuo, onde não há nada em que "se apoiar"? Por que uma balança dentro de um elevador marca valores diferentes quando ele arranca? As respostas vêm de três princípios publicados por Isaac Newton em 1687, na obra Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica.
A primeira lei estabelece que um corpo mantém seu estado de movimento se nenhuma força resultante atuar sobre ele. A segunda relaciona a força resultante à aceleração que ela produz. A terceira afirma que forças sempre surgem aos pares, em interações entre dois corpos. Este artigo parte do conceito de força, apresenta as três leis e as forças mais comuns do cotidiano, organiza um método de resolução de problemas e o aplica ao plano inclinado, aos sistemas de blocos, ao elevador e às curvas.
1. Força e interação
1.1 O que é uma força
Força é a medida de uma interação entre dois corpos, capaz de alterar o estado de movimento de um corpo ou de deformá-lo. Toda força é exercida por um corpo sobre outro: não existe força isolada, sem um agente que a exerça. As forças de contato exigem que os corpos se toquem, como o empurrão de uma mão, a força de uma mesa sobre um livro, o atrito e a tração de uma corda. As forças de campo atuam a distância, como a atração gravitacional e as forças elétricas e magnéticas.
A força é uma grandeza vetorial, com módulo, direção e sentido. Sua unidade no SI é o newton (N), a força que produz aceleração de 1 m/s² em um corpo de 1 kg: 1 N = 1 kg · m/s². O peso de uma maçã pequena, de cerca de 100 g, é aproximadamente 1 N.
1.2 Força resultante
Quando várias forças atuam sobre um corpo, seus efeitos podem ser substituídos por uma única força, a força resultante (F_R), obtida pela soma vetorial de todas elas: somam-se os módulos na mesma direção e sentido, subtraem-se em sentidos opostos, e aplica-se o teorema de Pitágoras a forças perpendiculares. Duas forças de 12 N e 5 N, perpendiculares, têm resultante √(144 + 25) = 13 N.
Quando a força resultante é nula, o corpo está em equilíbrio. Isso não significa que não há forças: um livro sobre a mesa sofre duas forças, que se equilibram.
2. Primeira lei: princípio da inércia
2.1 O enunciado
Inércia é a tendência de todo corpo de manter sua velocidade vetorial, isto é, de resistir a mudanças em seu estado de movimento. A medida da inércia de um corpo é sua massa: quanto maior a massa, mais difícil é acelerar, frear ou mudar a direção do corpo.
2.2 Uma ruptura com o senso comum
Durante quase dois mil anos, prevaleceu a ideia, associada a Aristóteles, de que um corpo só se move enquanto uma força o empurra. A experiência parece confirmar isso: uma caixa empurrada no chão para assim que deixamos de empurrá-la. Galileu mostrou que a caixa para porque existe uma força contrária, o atrito. Ele imaginou uma bola rolando em superfícies cada vez mais lisas: quanto menor o atrito, mais longe ela vai; sem nenhum atrito, continuaria indefinidamente. Newton incorporou essa ideia como primeira lei.
2.3 Equilíbrio estático e dinâmico
No equilíbrio estático, F_R = 0 e o corpo está em repouso, como um quadro pendurado. No equilíbrio dinâmico, F_R = 0 e o corpo está em movimento retilíneo uniforme, como um carro a velocidade constante em estrada reta, com a força do motor equilibrando o atrito e a resistência do ar, ou um paraquedista na velocidade terminal.
2.4 Referenciais inerciais
A primeira lei não vale em qualquer referencial. Dentro de um ônibus que freia, um passageiro parece ser "empurrado" para a frente sem que nenhum corpo o empurre. Para um observador na calçada, o ônibus desacelera, e o passageiro tende a manter a velocidade que tinha. Os referenciais em que a primeira lei vale são os referenciais inerciais. Para a maioria dos problemas do cotidiano, a superfície da Terra pode ser considerada inercial com ótima aproximação; um referencial que acelera, como o ônibus freando, não é inercial.
3. Segunda lei: princípio fundamental
3.1 O enunciado
Com a mesma massa, uma força maior produz aceleração proporcionalmente maior. Com a mesma força, uma massa maior sofre aceleração proporcionalmente menor: empurrar um carrinho de supermercado vazio e um cheio, com a mesma força, produz acelerações diferentes. E com força resultante nula a aceleração é nula, o que recupera a primeira lei.
3.2 Ligação com a Cinemática
A segunda lei é a ponte entre a Dinâmica e a Cinemática: conhecidas as forças, calcula-se a aceleração, e com ela as equações do MU e do MUV descrevem o movimento; no sentido inverso, observando o movimento, determina-se a força resultante.
A segunda lei também explica por que todos os corpos em queda livre têm a mesma aceleração: a força sobre cada um, o peso, é proporcional à sua massa, e a = P/m = mg/m = g. Um corpo com o dobro da massa sofre o dobro da força e, por isso, tem a mesma aceleração.
4. Terceira lei: ação e reação
4.1 O enunciado
As forças de um par de ação e reação atuam em corpos diferentes, uma em cada corpo da interação; são simultâneas, e os nomes "ação" e "reação" são intercambiáveis; são da mesma natureza, gravitacional com gravitacional, de contato com de contato; e têm o mesmo módulo e sentidos opostos.
4.2 Exemplos
- Caminhar: o pé empurra o chão para trás, e o chão empurra o pé para a frente. É a força do chão que acelera a pessoa.
- Nadar: a mão empurra a água para trás, e a água empurra o nadador para a frente.
- Foguete: o foguete empurra os gases de escape para trás, e os gases empurram o foguete para a frente. Isso funciona no vácuo, porque a interação é entre o foguete e os gases que ele mesmo expele.
- Recuo de uma arma: a arma empurra o projétil para a frente, e o projétil empurra a arma para trás.
- Terra e maçã: a Terra atrai a maçã com uma força igual ao peso da maçã, e a maçã atrai a Terra com força de mesmo módulo. A maçã acelera visivelmente, e a Terra não, porque sua massa é enormemente maior.
4.3 O livro sobre a mesa
Um livro em repouso sobre uma mesa sofre o peso (P), força gravitacional exercida pela Terra, e a normal (N), força de contato exercida pela mesa. As duas têm mesmo módulo e sentidos opostos, e o livro está em equilíbrio. Mesmo assim, elas não formam um par de ação e reação, porque atuam sobre o mesmo corpo e têm naturezas diferentes.
| Força sobre o livro | Reação | Corpo onde atua a reação |
|---|---|---|
| Peso: a Terra atrai o livro para baixo | O livro atrai a Terra para cima | Terra |
| Normal: a mesa empurra o livro para cima | O livro empurra a mesa para baixo | Mesa |
5. Forças do cotidiano
5.1 Peso
O peso (P) é a força de atração gravitacional que a Terra, ou outro astro, exerce sobre um corpo, dirigida para o centro do astro, isto é, verticalmente para baixo.
| Massa | Peso | |
|---|---|---|
| O que mede | Quantidade de inércia do corpo | Força gravitacional sobre o corpo |
| Tipo de grandeza | Escalar | Vetorial |
| Unidade no SI | Quilograma (kg) | Newton (N) |
| Depende do local? | Não | Sim, depende de g |
| Pessoa de 70 kg na Terra | 70 kg | 700 N |
| Mesma pessoa na Lua | 70 kg | ≈ 112 N |
5.2 Força normal
A força normal (N) é a força de contato que uma superfície exerce sobre um corpo apoiado nela. É sempre perpendicular à superfície e impede que o corpo a atravesse. A normal não é sempre igual ao peso: seu valor é o que for necessário para que o corpo não afunde na superfície, e depende das outras forças e da aceleração.
| Situação | Força normal |
|---|---|
| Corpo em repouso em superfície horizontal, sem outras forças verticais | N = P |
| Corpo em plano inclinado de ângulo θ | N = P · cos θ |
| Corpo puxado por força F inclinada de α para cima | N = P − F · sen α |
| Corpo empurrado para baixo por força vertical F | N = P + F |
| Pessoa em elevador acelerando para cima com aceleração a | N = m(g + a) |
| Pessoa em elevador acelerando para baixo com aceleração a | N = m(g − a) |
5.3 Tração
A tração (T) é a força transmitida por um fio, corda ou cabo esticado; atua ao longo do fio e sempre puxa o corpo. Em problemas, usa-se o fio ideal, de massa desprezível e comprimento constante, que transmite a mesma tração em toda a sua extensão. Uma polia ideal, sem massa e sem atrito, apenas muda a direção do fio, sem alterar a tração.
5.4 Força elástica e lei de Hooke
Uma mola de k = 400 N/m que sustenta um corpo de 2 kg em repouso é esticada até que kx = mg, ou seja, x = 20/400 = 0,05 m, ou 5 cm. Os dinamômetros medem forças por meio da deformação de uma mola calibrada. Acima de certa deformação, a mola se deforma permanentemente, e a proporcionalidade deixa de valer.
5.5 Atrito
O atrito é a força de contato que surge entre duas superfícies quando elas deslizam ou tendem a deslizar uma sobre a outra. Atua paralelamente às superfícies e se opõe ao deslizamento relativo, ou à tendência de deslizamento.
5.6 Resistência do ar
A resistência do ar se opõe ao movimento de um corpo através do ar, aumenta com a velocidade e com a área voltada para o movimento e depende da forma do corpo; por isso carros e aviões têm formas aerodinâmicas. Em uma queda, a resistência cresce até igualar o peso, e o corpo passa a cair em velocidade constante, a velocidade terminal, como previsto pela primeira lei.
6. Método de resolução
A maioria dos problemas de Dinâmica é resolvida com o mesmo procedimento:
- Isolar cada corpo do sistema.
- Desenhar o diagrama de corpo livre: o corpo isolado, com todas as forças que atuam sobre ele e só elas. Para cada força, perguntar: "que corpo a exerce?".
- Escolher eixos, de preferência um deles na direção da aceleração.
- Decompor as forças inclinadas nos eixos escolhidos.
- Aplicar a segunda lei em cada eixo: na direção sem aceleração, F_R = 0; na direção da aceleração, F_R = m · a.
- Resolver as equações e conferir sinais, unidades e ordem de grandeza.
7. Aplicações
7.1 Plano inclinado
Um bloco sobre um plano inclinado de ângulo θ sofre o peso (vertical), a normal (perpendicular ao plano) e, se houver, o atrito (paralelo ao plano). Com os eixos paralelo e perpendicular ao plano, o peso se decompõe em duas componentes.
Condição de deslizamento. O bloco começa a deslizar quando Pₓ supera o atrito estático máximo: mg sen θ > μₑ · mg cos θ, isto é, quando tg θ > μₑ. O ângulo em que o deslizamento começa não depende da massa e permite medir μₑ experimentalmente.
7.2 Sistemas de blocos, fios e polias
Corpos ligados por fios ideais ou em contato movem-se com a mesma aceleração em módulo. Considerando o sistema inteiro, as forças internas, como a tração entre os corpos, se cancelam aos pares, pela terceira lei, e F_R externa = (massa total) · a dá a aceleração. Aplicando a segunda lei a um corpo isolado, encontram-se as forças internas.
7.3 Elevador e peso aparente
Uma pessoa sobre uma balança dentro de um elevador sofre o peso, para baixo, e a normal da balança, para cima. A balança indica a normal, o peso aparente. Com o eixo para cima, N − P = m · a, e N = m(g + a), com a positivo para cima.
| Situação do elevador (pessoa de 60 kg) | Aceleração | Normal | A balança "marca" |
|---|---|---|---|
| Parado ou em velocidade constante | 0 | 600 N | 60 kg |
| Subindo e acelerando, ou descendo e freando | 2 m/s² para cima | 720 N | 72 kg |
| Descendo e acelerando, ou subindo e freando | 2 m/s² para baixo | 480 N | 48 kg |
| Em queda livre (cabo rompido) | g para baixo | 0 | 0 |
O que determina a leitura é o sentido da aceleração, e não o sentido da velocidade: um elevador que desce e freia tem aceleração para cima, e a balança marca mais que o peso.
7.4 Resultante centrípeta
No movimento circular, a aceleração centrípeta a_cp = v²/R exige, pela segunda lei, uma força resultante dirigida para o centro.
| Situação | Força que atua como resultante centrípeta |
|---|---|
| Carro em curva plana | Atrito entre pneus e asfalto |
| Pedra girando presa a um barbante | Tração do barbante |
| Satélite em órbita | Atração gravitacional da Terra |
| Roupa na centrífuga da máquina de lavar | Normal do tambor sobre a roupa |
8. Exemplos resolvidos
9. Erros conceituais frequentes
| Erro | Por que está errado | Forma correta |
|---|---|---|
| Um corpo em movimento precisa de força para continuar | Força muda a velocidade, não a mantém | Com F_R = 0, o corpo mantém MRU |
| Se não há movimento, não há forças | Pode haver forças que se equilibram | Repouso exige F_R = 0 |
| Peso e normal formam par de ação e reação | Atuam no mesmo corpo e têm naturezas diferentes | Os pares envolvem a Terra e a mesa |
| Ação e reação se anulam | Atuam em corpos diferentes | Só se anulam forças no mesmo corpo |
| A normal é sempre igual ao peso | Depende das outras forças e da aceleração | Calcular pela segunda lei |
| Massa e peso são a mesma coisa | Uma é inércia, a outra é força | P = m · g |
| O atrito estático vale sempre μₑ · N | Esse é o valor máximo | Ajusta-se até esse limite |
| O atrito sempre se opõe ao movimento | Opõe-se ao deslizamento relativo | Ao andar, aponta para a frente |
| Corpos mais pesados caem mais rápido no vácuo | A aceleração é P/m = g para todos | No vácuo, caem juntos |
| A balança do elevador depende do sentido da velocidade | Depende do sentido da aceleração | N = m(g + a) |
| Astronautas em órbita estão sem gravidade | A gravidade ainda é cerca de 89% da superficial | Estão em queda livre |
| A força centrípeta é uma força a mais no diagrama | É o papel de forças já existentes | Não se desenha "F_cp" separada |
| O foguete precisa de ar para empurrar | A interação é com os gases expelidos | Funciona no vácuo |
10. Distinções importantes
Força e força resultante. Uma força é uma interação específica; a resultante é a soma vetorial de todas as forças sobre o corpo, e é ela que determina a aceleração.
Equilíbrio estático e dinâmico. Nos dois, F_R = 0. No estático, o corpo está em repouso; no dinâmico, em MRU.
Massa e peso. A massa mede a inércia, em kg, e não depende do local. O peso é a força gravitacional, em N, e depende de g.
Forças que se equilibram e par de ação e reação. Forças que se equilibram atuam no mesmo corpo e podem ter naturezas diferentes. As de um par de ação e reação atuam em corpos diferentes e têm a mesma natureza.
Atrito estático e cinético. O estático atua sem deslizamento e varia até μₑ · N; o cinético atua com deslizamento e vale μ_c · N.
Peso e peso aparente. O peso é m · g; o peso aparente é a normal indicada pela balança e depende da aceleração.
Tração e peso. A tração em um fio só é igual ao peso do corpo pendurado quando ele está em equilíbrio.
Referencial inercial e não inercial. No inercial, as leis de Newton valem como enunciadas; em referenciais acelerados, surgem efeitos que parecem forças sem agente.
Resultante centrípeta e força centrífuga. A resultante centrípeta é a soma das forças reais que aponta para o centro; a força centrífuga não aparece nas leis de Newton aplicadas a referenciais inerciais.
Primeira e segunda leis. A primeira descreve o que ocorre com F_R = 0; a segunda quantifica o que ocorre com F_R ≠ 0. A primeira também define os referenciais em que a segunda vale.
11. Perguntas frequentes
Se ação e reação têm a mesma intensidade, como um cavalo consegue puxar uma carroça?
Porque as duas forças atuam em corpos diferentes, e cada corpo se move de acordo com as forças que atuam sobre ele. A carroça acelera porque a força do cavalo sobre ela supera o atrito que ela sofre. O cavalo acelera porque o chão o empurra para a frente, reação à força que seus cascos fazem para trás, com intensidade maior que a força da carroça sobre ele.
Por que o passageiro "é jogado para a frente" quando o ônibus freia?
Nenhuma força o empurra para a frente. Por inércia, ele tende a manter a velocidade que tinha, enquanto o ônibus desacelera. Só quando o banco, o cinto ou a mão no apoio exercem força sobre ele é que ele freia junto.
Por que é mais difícil começar a empurrar um móvel pesado do que mantê-lo deslizando?
Porque o coeficiente de atrito estático costuma ser maior que o cinético. Para iniciar o movimento, é preciso superar o atrito estático máximo; depois, basta vencer o atrito cinético, que é menor.
Por que todos os corpos caem com a mesma aceleração, se os mais pesados sofrem força maior?
Porque também têm mais inércia. Pela segunda lei, a = P/m = mg/m = g: força e massa aumentam na mesma proporção, e a aceleração é a mesma.
A normal pode ser maior que o peso?
Sim. Em um elevador acelerando para cima, a normal é m(g + a), e ela também aumenta quando se empurra um corpo contra o chão. A normal assume o valor necessário para que o corpo não atravesse a superfície.
O que acontece com um corpo em movimento se todas as forças deixarem de agir?
Ele continua em movimento retilíneo uniforme, com a velocidade que tinha naquele instante. É o que ocorre com sondas espaciais em regiões com forças desprezíveis.
Por que os carros de corrida têm aerofólios?
Os aerofólios são desenhados para que o ar em movimento produza uma força para baixo. Essa força aumenta a normal entre os pneus e a pista e, com ela, o atrito máximo, o que permite fazer curvas mais rapidamente sem derrapar.
Existe força sem contato?
Sim. As forças de campo, como a gravitacional, a elétrica e a magnética, atuam a distância. O peso é um exemplo: a Terra atrai os corpos sem tocá-los.
13. Síntese
Força é a medida de uma interação entre dois corpos: é vetorial, medida em newtons, e pode ser de contato ou de campo. A força resultante é a soma vetorial de todas as forças sobre um corpo.
A primeira lei afirma que, com força resultante nula, o corpo permanece em repouso ou em MRU; a inércia é a tendência de manter a velocidade, e a massa é sua medida; a lei vale em referenciais inerciais. A segunda lei, F_R = m · a, relaciona força resultante e aceleração e liga a Dinâmica à Cinemática. A terceira lei afirma que as forças surgem aos pares, de mesmo módulo e sentidos opostos, em corpos diferentes, e por isso nunca se anulam.
O peso é a força gravitacional, P = m · g, e é diferente da massa. A normal é perpendicular à superfície e assume o valor necessário, que nem sempre é igual ao peso. A tração é transmitida por fios. A força elástica segue a lei de Hooke, F = kx, dentro do limite elástico. O atrito se opõe ao deslizamento: o estático se ajusta até μₑ · N, e o cinético vale μ_c · N. A resistência do ar cresce com a velocidade e leva à velocidade terminal.
Os problemas se resolvem com diagramas de corpo livre e a segunda lei aplicada em cada eixo. No plano inclinado, o peso se decompõe em P sen θ e P cos θ; em sistemas de blocos, todos se movem com a mesma aceleração; no elevador, a balança indica a normal, que depende do sentido da aceleração; no movimento circular, a resultante centrípeta, m · v²/R, é fornecida por forças reais, como o atrito, a tração ou a gravidade.
14. Glossário
| Termo | Significado |
|---|---|
| Atrito cinético | Atrito entre superfícies que deslizam; vale μ_c · N |
| Atrito estático | Atrito entre superfícies sem deslizamento; varia até μₑ · N |
| Diagrama de corpo livre | Representação de um corpo isolado com todas as forças que atuam sobre ele |
| Equilíbrio | Situação em que a força resultante é nula |
| Força | Medida de uma interação capaz de alterar o movimento ou deformar um corpo |
| Força elástica | Força restauradora de uma mola deformada |
| Força normal | Força de contato perpendicular à superfície de apoio |
| Força resultante | Soma vetorial de todas as forças sobre um corpo |
| Imponderabilidade | Sensação de ausência de peso em queda livre, com normal nula |
| Inércia | Tendência de um corpo manter sua velocidade vetorial |
| Massa | Medida da inércia de um corpo; em kg |
| Newton (N) | Unidade de força; 1 N = 1 kg · m/s² |
| Peso | Força gravitacional sobre um corpo; P = m · g |
| Peso aparente | Força que uma balança indica; igual à normal |
| Referencial inercial | Referencial em que vale a primeira lei de Newton |
| Resultante centrípeta | Resultante das forças dirigida ao centro, no movimento circular |
| Tração | Força transmitida por um fio, corda ou cabo |
| Velocidade terminal | Velocidade constante atingida quando a resistência do ar equilibra o peso |
12. Exercícios de fixação
Questões em ordem crescente de integração. Responda antes de abrir a resposta.
Exercício 1
AutoralUma força resultante de 30 N atua sobre um corpo de 6 kg. Qual é sua aceleração?
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Resposta
a = 30/6 = 5 m/s².
Exercício 2
AutoralDuas forças de 12 N e 5 N, perpendiculares, atuam sobre um corpo de 2 kg. Qual é a aceleração?
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Resposta
F_R = √(144 + 25) = 13 N, e a = 6,5 m/s², na direção da resultante.
Exercício 3
AutoralForças de 20 N e 8 N atuam em sentidos opostos sobre um corpo de 4 kg. Qual é a aceleração?
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Resposta
F_R = 12 N, e a = 3 m/s², no sentido da força de 20 N.
Exercício 4
AutoralUma pessoa tem 70 kg. Qual é seu peso na Terra (g = 10 m/s²) e na Lua (g ≈ 1,6 m/s²)? Qual é sua massa na Lua?
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Resposta
700 N na Terra e 112 N na Lua. A massa continua sendo 70 kg.
Exercício 5
AutoralQual é a reação ao peso de um livro sobre a mesa?
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Resposta
A força com que o livro atrai a Terra, para cima, aplicada na Terra.
Exercício 6
AutoralPor que a normal e o peso do livro não formam um par de ação e reação?
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Resposta
Porque atuam sobre o mesmo corpo e têm naturezas diferentes: uma é de contato, e a outra é gravitacional.
Exercício 7
AutoralUma mola de constante 400 N/m sustenta um corpo de 2 kg em repouso. Qual é a deformação da mola?
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Resposta
kx = mg ⟹ x = 20/400 = 0,05 m = 5 cm.
Exercício 8
AutoralUm bloco de 5 kg está em um piso com μₑ = 0,4 e μ_c = 0,3. Qual é o atrito se ele for empurrado com 15 N? E com 25 N, qual é a aceleração?
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Resposta
Com 15 N, o bloco não se move (máximo de 20 N), e o atrito é 15 N. Com 25 N, desliza: F_R = 25 − 15 = 10 N, e a = 2 m/s².
Exercício 9
AutoralUm bloco desliza sem atrito por um plano inclinado de 30°. Qual é sua aceleração?
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Resposta
a = g · sen 30° = 5 m/s², qualquer que seja a massa.
Exercício 10
AutoralA partir de que ângulo um bloco começa a deslizar em um plano com μₑ = 1?
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Resposta
Quando tg θ > 1, ou seja, acima de 45°.
Exercício 11
AutoralUm carro de 1.000 kg vai de 0 a 20 m/s em 10 s. Qual é a força resultante sobre ele?
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Resposta
a = 2 m/s², e F_R = 2.000 N.
Exercício 12
AutoralUm carro a 30 m/s freia com as rodas travadas, com μ_c = 0,5. Qual é a distância de frenagem?
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Resposta
a = μ_c · g = 5 m/s², e d = 900/10 = 90 m.
Exercício 13
AutoralUma força de 24 N empurra o bloco A (2 kg), que empurra o bloco B (4 kg), sem atrito. Qual é a força de contato entre eles? E se a força empurrar pelo lado de B?
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Resposta
a = 24/6 = 4 m/s². Empurrando por A, o contato acelera B: 4 · 4 = 16 N. Empurrando por B, o contato acelera A: 2 · 4 = 8 N.
Exercício 14
AutoralNa máquina de Atwood, os blocos têm 3 kg e 2 kg. Qual é a aceleração e a tração?
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Resposta
a = (30 − 20)/5 = 2 m/s². Para o bloco de 2 kg, que sobe: T − 20 = 2 · 2, e T = 24 N.
Exercício 15
AutoralUma pessoa de 60 kg está em um elevador que desce e freia com aceleração de 2 m/s². Quanto marca a balança, em newtons?
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Resposta
Descendo e freando, a aceleração é para cima: N = 60 · (10 + 2) = 720 N.
Exercício 16
AutoralQual seria a leitura da balança se o cabo do elevador se rompesse?
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Resposta
Zero: a pessoa e o elevador estariam em queda livre, sem compressão entre ela e a balança.
Exercício 17
AutoralUm carro de 1.000 kg faz uma curva de raio 50 m a 10 m/s. Qual é a resultante centrípeta, e que força a fornece?
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Resposta
F_cp = 1.000 · 100/50 = 2.000 N, fornecida pelo atrito entre pneus e asfalto.
Exercício 18
AutoralUm paraquedista de 80 kg cai na velocidade terminal. Qual é a força de resistência do ar?
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Resposta
Em velocidade constante, F_R = 0, e a resistência é igual ao peso: 800 N.
Exercício 19
AutoralExplique, com a terceira lei, por que um foguete acelera no vácuo.
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Resposta
O foguete empurra os gases de escape para trás, e os gases empurram o foguete para a frente. A interação ocorre entre o foguete e os gases, e não precisa do ar.
Exercício 20
AutoralUm ônibus freia bruscamente, e um passageiro em pé vai para a frente. Explique pelas leis de Newton, no referencial da rua.
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Resposta
Pela primeira lei, o passageiro tende a manter a velocidade que tinha. O ônibus desacelera, e o passageiro continua avançando em relação a ele até que uma força, do piso por atrito, das mãos no apoio ou do banco, o freie.
Referências
- Newton, I. Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica. Londres, 1687.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Galilei, G. Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo (1632) e Duas novas ciências (1638). Ideias precursoras do princípio da inércia.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Halliday, D.; Resnick, R.; Walker, J. Fundamentos de Física, v. 1: Mecânica. Rio de Janeiro: LTC. A edição deve ser confirmada.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Nussenzveig, H. M. Curso de Física Básica, v. 1: Mecânica. São Paulo: Blucher. A edição deve ser confirmada.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Bureau International des Poids et Mesures (BIPM). The International System of Units (SI Brochure), 9ª ed., 2019. Unidade newton e gravidade padrão (9,80665 m/s²), adotada pela CGPM em 1901.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- NASA. Informações oficiais sobre a Estação Espacial Internacional (altitude orbital de cerca de 400 km).
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
Referência bibliográfica indicada no material fornecido.
- Figuras da Biblioteca ASSAAD
Ilustrações e diagramas integrantes do material fornecido.



